Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

É só rir


Este foi o melhor do passado fim de semana, apesar de ser um filme tipicamente de gajo (se calhar é por estas e outras que me acham pouco feminina... hum... caguei).
A história consta basicamente de uma despedida de solteiro de três amigos e futuro cunhado (weirdo) em Las Vegas, um acordar amnésico num quarto estraçalhado (com um tigre na casa de banho e um bebé numa alcofa), e um noivo perdido. E lá vão os dois amigos e o futuro cunhado (esquisito até dizer chega) ter que descobrir o que aconteceu para encontrar o noivo, a tempo do casamento.
Tem a piada envolvendo um bebé mais incorrecta e hilariante que já vi (se calhar é por isto que eu nunca deveria ser mãe... hum... caguei).
É giríssimo, apesar de ser mesmo e só sobre coisas de gajos. Mas eu acho mais piada às coisas de gajos que a muitas coisas de gajas (e se calhar é por isso que eu nunca acabarei casada com um Doutor Bernardo chiquérrimo e riquíssimo... hum... caguei).


E depois há o Brüno, e é impossível não amar o Sacha Baron Cohen. O tamanho da lata do fulano é inacreditável. Juro que em mais que cinco ocasiões pensei que lhe iam dar um tratamento de o deixar espapaçado.
A história é fraquinha, e só um pretexto para as confrontações do costume, com resultados hilariantes. Muito ordinário, incorrecto, e às vezes gratuito. A não perder, portanto.

A Tina Fey a fazer de geekóide gira que resolve recorrer a uma barriga de aluguer. Parece que foi escrito por um homem, mas o humor sobre o feminino está bem apanhado. Não é nenhuma obra prima, mas é fofinho e bem disposto.
E pronto, próximo fim de semana vamos lá a ver o que é que fizeram do meu livro preferido da saga Harry Potter. Parece que há muito Alan Rickman (liiindo, eta homem catita), e é bom que haja que o Snape é o meu personagem preferido, e neste livro sabe-se muito sobre ele.
A ver vamos (literalmente).

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Um dia destes

Ainda abro um blog sobre dieta. A minha, e a de quem a apanhar.
Tipo, com receitas, e truques e coiso. Tenho uma de brownies que ia ser um sucesso.

Vai é ter bolinha vermelha, que suspeito que cada post vai ter mais palavrões por linha do que seria recomendável.
E, todas as semanas, um passatempo de fotografia: coisas giras para fazer com uma balança, mande pic da sua instalação pós-moderna e tal.

(depois de uns dois meses a saladinhas acho que perdi meio quilo. hurra. eia, 'tou tão contente. assim vale mesmo a pena. uai. putaquepariu.)

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Cenas que me irritam (para lá de muito)


Imaginem a seguinte situação: viro-me para uma outra mulher (colega, amiga, conhecida, whatever) e, sabendo que é mãe, pergunto-lhe "ah e tal, porque é que tens filhos".

Idiota. No mínimo. Diria mesmo que seria um bocadinho mal educado, afinal o que é que eu estaria à espera que me respondesse? E, mais importante, que tenho eu a ver com isso?


Tudo certo. Certíssimo.
Então se concordamos, porque é que a maior parte das mulher abençoadas com rebentos gerados e paridos insistem em perguntar às que ainda não deram uso à sua cavidade uterina o intemporal "porque é que não tens filhos"?

Ó minhas amigas, com franqueza. Poder-se-ia responder "não tens nada a ver com isso, vai lá meter-te na tua vida e deixa-me cá com a minha", mas se uma pessoa tem um mínimo de pudor e educação evita esse tipo de confronto. E fica com cara de coisinha, "pois é pois é", a tentar arranjar uma resposta airosa e que não a faça entrar em grandes pormenores, que muitas das vezes não lhe apetece partilhar com a interpeladora.


Mas como isto pretende ser um post desabafo e, ao mesmo tempo, pedagógico, eu passo a explicar uma coisita. Há muitas (e boas ou más, para o caso não interessa) razões para uma mulher que já passou dos 30 (que normalmente é este grupo etário que é brindado com a pergunta) não ter filhos. E pelo que se segue, ides ver que não, não é simpático ou bonito perguntar-lhe o porquê:

1- Não pode. Acontece, pois acontece. Há mulheres que são inférteis, ou cujo companheiro é infértil. Se calhar até queriam ser mães, mas não podem, e ainda não se decidiram ou não querem enveredar pelo caminho da adopção. Ora aquela pergunta, neste contexto, além de ser uma alarve intrusão na esfera íntima da visada, é extremamente cruel. Que ela não vos deve explicações, nem tem que se sentir à vontade para partilhar estes pormenores da sua saúde reprodutiva. Se o quiser fazer, fará, mas não no seguimento de uma pergunta destas. Era o que faltava.

2 - Não calhou. Também acontece. Há mulheres que, em podendo arranjar um simpático e adequado dador (muitas vezes até ignorante das suas intenções), não acreditam nessa coisa de produção independente de filhos. E, por falta de um pai à altura, não calhou botarem descendência no mundo na altura em que tal poderia fazer parte dos seus planos de vida, ou seria biologicamente adequado. E pronto. Não é por não terem filhos que são menos ou piores pessoas. O chavão de "ficar para tia" já era, até porque ser tia até é bastante porreiro, um excelente part-time no que a crianças concerne. Vão por mim.


3 - Não querem
. Outra. Não estão para aí viradas, e isso é assunto delas. Se quiserem partilhar com alguém a razão desta opção de vida, partilham, se não quiserem, ninguém tem nada a ver com isso. Acabou. É uma opção de vida, tão válida como a de procriar; se não se entende ao menos há que respeitar. E atirar-lhes com a conversa de "o tempo passa e um dia arrependes-te", para além de mesquinho, é cruel. E estúpido: até aos 50 ainda vão muito a tempo de adoptar, ou nisso não conta? (Pois, para alguns não é bem a mesma coisa. Azareco. A esses recomendava ao clister ao cérebro, mas é capaz de correr mal).


E pronto.

Porque quando me vêm com a conversa do "qualquer dia estás nos 40, ah, tens que te despachar", só me apetece calçar a chinela, apoiar uma mão no cabo da vassoura, pôr a outra à cinta e começar a dizer coisas que a minha rica mãezinha não me ensinou nem aprovaria que eu dissesse.

A ver se evitamos chegar a isso, certo? Certo.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Vá lá gente entender os gajos

- Depois de sair do trabalho passo no Pingo Doce e trago o que falta.
- Então leva o saco de pano para trazeres as compras.
- Não levo nada!
- Porquê !?
- É panisgas.
- Hã?
- É um bocadinho panisgas, trazer as compras no saquinho de pano...
- Tu 'tás parvo ou quê? É menos panisgas comprar um saco de plástico e contribuir para a poluição e mainãoseioquê, é?
- (...)
- Hum????
- É panisgas.

(Diz que não se pode viver com eles, e não se pode viver sem eles. Mas há dias em que só dá vontade de enfiar a mão neles)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Era distribuir xanax à borla, que isto acabava

O fenómeno não é recente nem é inédito: volta e meia há uma alminha com demasiado tempo livre e uma psicose não diagnosticada (nem medicada) que se diverte a deixar comentários insultuosos ou meramente depreciativos. A coisa atinge um novo nível de requinte patologia quando a referida alminha cria um perfil falso, com o nome de outro/a blogger, e anda deixar comentários nada simpáticos em seu nome.

Por mim, tudo bem: apago. Se a alminha cá chegou através do link de um comentário que eu deixei no blog da sua vítima de eleição, pois faça o favor de se sentar, e pode beber a sua biquinha (copo de três?) em paz, desde que não incomode o resto da freguesia. Mas se arma arruaça, então rua, que isto é um tasco mas de (algum) respeito.

Mas como eu, ao contrário da referida e supra citada alminha, não faço disto a minha vida, e até tenho que pagar a fornecedores, fazer a escrita, e controlar stock no armazém, não posso estar sempre ao balcão a controlar quem entra e sai, quem grita, quem se comporta ou quem é maluco e me dá mau nome ao negócio.

Por isso, porta encostada, e é favor bater antes de entrar. Como diz naquele antiquíssimo azulejo, é bem vindo quem vier por bem, os outros, azarucho, vão tomar refrescos a outra casa.

À freguesia habitual, que são poucos mas muito estimados, desculpai lá o incómodo da moderação de comentários, mas é só até à varejeira voltar lá para a estrumeira de onde veio..

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Na gaveta da secretária

Tenho
agulha e linha branca e preta;
corta unhas, lima e verniz base;
canetas gastas, agrafos, clips e corrector;
tinta permanente e a caneta de estimação;
agendas dos anos anteriores, pensos, calculadora e moleskin;
recibos de vencimento velhíssimos e papelada vária.

Mas não tenho um filhadaputa de um isqueiro que funcione.

Classificados

TROCA / PERMUTA /DÁ

Pianista consagrada, dotada de ego gigantesco, com manifesta falta de jeito para gestão de projectos culturais, sensível a lisonjas, e com persistência nula perante contrariedades.

Troca-se por meia dúzia de manicures jeitosas, igual número de sambistas bem disposto/as, novo álbum de Chico Buarque. Ou simplesmente dá-se a quem estimar (ou não), que no caso da troca ficávamos visivelmente a ganhar.

(isto de mudar de nacionalidade não é para quem quer, é para quem pode. ele há quem se conforme e fique, ele há quem não se conforme e emigre, e depois há os outros: que não se conformam e ainda assim ficam, e os que fogem de beicinho armado, para os braços de outro papá que dê mais mimos.
e birrinhas de merda à parte, ele há muito português e portuguesa que também nasceu sob a triste sina desta nacionalidade e continua a acreditar, a lutar, a arregaçar as mangas para empurrar este país para a frente. ou então vai lutar lá para fora, mas não cospe em quem fica.
a sô dona Jãozinha nem sequer se pode gabar de ter sido assim tão arrasada, que nem tentou o que podia, com a seriedade que devia, nem por periodo de tempo que a recomendasse.
boa viagem, e espero que goste de ensopado ou feijoada de lulas, que vai ser o seu jantar amiúde.
ah, pois é, por lá também há egos da dimensão do seu... que maçada, hein?)

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Não me apetece (é sexta feira)

Por isso a modos que vamos a banhos (se o tempo ajudar). E às cerejas, enquanto ainda é tempo delas.

(fica uma foto do tempo em que as divas ainda eram rechonchudinhas. those were the days...)

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Imprescindível ler

Riem sempre muito. E cochicham. E põem pose de fêmea predadora, do eu agora é que estou bem, desde que entre a horas a pensão de alimentos e não volte a subir a taxa de juro e a gasolina e que venham rapidamente os saldos nas sapatarias. Costumavam ir muito à praia e ao solário, mas agora que parece que faz mal e envelhece a pele e não há ordenado para os cremes, passaram a ir antes ao ginásio e a carregar a garrafinha de água das formas luso e quejandos, enquanto pedem a saladinha disto e daquilo e não admitem nem sob coacção que no jantar da véspera se mandaram a uma rojoada ou uma feijoada à transmontana.

Almoço no Shopping, por Hipatia

É por ainda haver mulheres como as que descreves que às vezes considero fazer a tal conta-poupança Prozac, a fim de precaver os meus quarentas.
E é por ainda existirem mulheres como tu, minha rica Hipatia, que talvez, mas só talvez, eu não precise de Prozac nenhum...
Só tu conseguias fazer com que eu me sentisse um bocadinho normal. Ainda que por antítese.
(adoro-te)

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Sugestão da semana

Estreia tanta porcaria, tanto vandame, tanto transformer, e comédiazinha boa para quem gosta de rir, népia. Por isso este Walk Hard era-me completamente desconhecido, e assim continuaria caso não passasse no cabo (canais lusomundo) e me mate não se lembrasse de ter lido boas críticas na Empire.

Presumo que muitos tenham visto e gostado do Walk the Line, o biopic sobre Johnny Cash (eu vi, e gostei). Este filme pega na mesma linha, e satiriza todo o tipo de clichés a que os biopics sobre génios torturados da música já nos habituaram. Está muitíssimo bom. Inteligente, escorreito e com belíssimas interpretações. E a música também é de se tirar o chapéu.

Para além de Thomas C. Hardy como Dewey Cox, temos ainda um elenco de secundários fabuloso. Jack White é Elvis Presley (em passagem), e ainda Jack White como Paul McCartney e Paul Rudd como John Lennon (fabuloso - encontram-se todos num retiro de meditação na India). Ó p'ra eles ali:


Vá. Quem tiver os canais pagos (e quem não tiver, vão lá buscá-lo onde entenderem que eu não sou polícia ou vossa mãe para andar a perguntar) não o perca.

E agora também tenho

um par de sandálias prateadas, giríssimas, hiper confortáveis e (esta é a melhor) de salto RASO. Um centímetro, vá.
É que as pessoas que têm uma ligeira (ligeiríssima) tendência para tropeçar em toda e qualquer irregularidade do passeio e perdem o equilíbrio com alguma (extrema) facilidade também merecem calçado elegante.

(fica a ser a prenda de mim para mim. depois de ver os acabamentos e interior dos asics onitsuka tiger, tenho a dizer o seguinte: ide cobrar €100 a outra/o tansa/a)

Domingo, 28 de Junho de 2009

(três e oito)

Tenho

- oito quilos a mais, celulite, pernas pesadas e pés inchados;
- mais dificuldade em ler letras pequeninas;
- má circulação, dispepsia e volta e meia uma indigestão danada;
- cada vez menos pachorra para aturar merdas;
- um mau feitio cada vez mais apurado;
- mais cuidados com a alimentação (mas os oito quilos continuam por cá);
- trabalho a mais e paciência a menos;
- muitos cabelos brancos;
- uma quase intolerância a saltos altos e sapatos desconfortáveis; e
- tolerância zero a criancinhas (e pais) mal educados, políticos aldrabões, boys e girls, tacheiros, tarefeiros e lambe botas em geral;
- creme de dia, de noite, contorno de olhos e firmeza, e algumas rugas de expressão;
- cada vez menos certezas, muitas dúvidas e algumas inquietações.

Mas tenho também

- muitos livros para ler;
- éne filmes para ver e rever;
- música velha para apreciar e nova para descobrir;
- tanta coisa para aprender e vontade de o fazer;
- muito mundo para calcorrear;
- três sobrinhos e alguma (tenho dias) vocação tial;
- uma casa que adoro e posso pagar;
- plantas para regar e ver florir;
- uma lata paga que me leva a passear;
- emprego estável e ordenado pago a dia certo;
- uma gata gorda e ronronante;
- um teimoso e persistente optimismo;
- muita fé no ser humano;
- muita vontade de rir e parvar;
- e alguém com quem o fazer e partilhar.

Tudo somado, subtraído e multiplicado, tenho uma sorte do caraças e, mais importante, sei que a tenho.

(e ainda tenho dois anos até aos 40, o que dá tempo para fazer uma conta poupança prozac)

Sábado, 27 de Junho de 2009

Querem malha? Então tomai lá malha.

Won't Get Fooled Again - The Who

Porque já não há pachorra para música do Jacko a tocar em tudo o que é loja. Apre, tenham piedade.
Se querem boa música e tocada por alguém que foi indiciado por pedofilia, tomaide lá isto.

(Se bem que o Pete Townsend não pagou aos pais de ninguém para se calarem, e a desculpa dele cola melhor. Porque eu também já fui parar a sites manhosos por causa de pesquisas absolutamente inocentes. E principalmente, parece-me, a polícia devia era fechar os sites de pornografia infantil e prender quem os faz, e não andar a filar só quem os visita.)

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Se querem um ícone, tomem lá

Brüno aka Sacha Baron Cohen

Porque um homem que se sente tão à vontade com a sua sexualidade a pontos de se deixar fotografar nestas figuras tem o meu amor incondicional.
Já não falando da lata de ir aos bastidores de um desfile de moda com um fato de velcro (com os resultados hilariantes que se podem imaginar). E fazer uma entrevista a militares, fardado a preceito, com um cinto Dolce & Gabanna. E ir acampar com caçadores e compará-los ao grupo de meninas do Sexo e a Cidade. (vá, ide ver a traila ao youtube)

Brüno, este verão de 2009 (because Borat was soooo 2006)

Olha, finou-se, deixou de fumar, esticou o pernil.

E ainda há quem manifeste espanto e estupefacção. Caraças, o mané já levava umas 100 anestesias gerais no curriculum! O coração desistiu, foi o que foi.

E como eu sou uma grande cabra deixo aqui, para recordação, uma foto do verdadeiro Michael Jackson. Já o seu alter-ego, um tal de Wacko-Jacko, não entra neste blog, que somos pessoas de bom gosto.
(que pena o Jay Leno já não fazer o Tonight Show. era o comediante que mais e melhores piadas largava sobre o MJ. será que o Jon Stewart aproveita? hummm. e quem compara o mito MJ a Elvis ou outros... please. pretty please. vão lá tomar a medicação.)

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

The fast and the furious - a caminho da cotice, sem travões

É inevitável e mais vale uma pessoa conformar-se: todos os anos há o tal dia, e há-de sempre chegar. E como o deste ano se aproxima a passos largos, fazendo uma aproximação à bruta e sem qualquer tipo de sensibilidade ou consideração, a ver se atalho a habitual depré sazonal (a outra ocorre por alturas do Natal) com um gesto de self indulgence de proporções verdadeiramente assombrosas.


PortantoS, a escolher a prendinha de me to myself. Uma coisinha que se veja, totalmente fútil e desnecessária, mas sem arrombar o subsídio de férias, que já está apalavrado.


E a escolha, a angústia da escolha...



Era mais em verde garrafa. Muito gira, mas ostensiva demais (o logo gravado dá um ar de mupi ambulante, hummm)

Esta é que era mesmo perder a cabeça (e o amor ao dinheiro). Duvido que tivesse coragem. Mas ao menos é menos publicitária que a CH.

Estes fica-me tããão bem.

Por outro lado, só pelo nome valia a pena apostar nestes: Jackie Ohh III. Afinal já tenho os Jackie Ohh. Oh, oh.


Só porque faço colecção. De ténis, não de asics. E ainda não tenho uns Onitsuka Tiger, que são todos, mas mesmo todos lindos de morrer. E dava-me um jeitão ter uns em tons de azul. E é a opção mais barata. Ai, ai.
(depois, há sempre a questão: será que eu preciso mesmo de mais um par de ténis?)

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Oh. My. God.

Estes dois juntaram-se outra vez


E aconteceu isto


Acho que vou andar a xanax até estrear a Alice do Tim Burton.
(obrigada, Tuxa, pelas primeiras imagens)

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Um dia hei-de ter coragem para dizer isto a uma empregada de loja

Os modelos para anorécticas, já vi. E onde tem a roupa para pessoas que comem?

Há gente boa e honesta. Não são muitos, mas compensam os que não são. Largamente.

Hora de almoço, dou um saltinho às promoções. No meio da barafunda do despe-veste e torna a despir-vestir, esqueço-me de um saco com uma compra anterior dentro do provador.
Uns bons dez minutos depois, quando já ia a sair do centro, dou-me conta que tenho as mãos muito leves: susto, e lá volto à loja, já a perder o amor à pecita de roupa comprada nem meia hora antes.
Ora vede: alguém encontrou o saquinho e entregou-o à menina da caixa.
Podia fazer-se de esquerda, justificado a coisa com um "achado não é roubado", "ena, ena, uma peça de roupa grátes, a culpa é da totó que se esqueceu, azar dela". Mas não.

Quando alguém justifica uma conduta desonesta, pouco ética, ou simplesmente descortês (como estacionar o carro em cima do passeio...) com um "qualquer um fazia ou mesmo", ou "qualquer um aproveitava", eu costumo responder que não senhor, nem toda a gente é assim.

É bom haver quem me dê razão para continuar a pensar desta forma. Muito bom.
(e não me venham dizer que se calhar nem era o mesmo número, ou que não gostou do que lá estava. a camisolita nem estava mexida)

Cenas que me irritam (muito)

Se eu, que até sou menina que

- não compra cópias maradas em feiras manhosas;
- não faz downloads seja do que for;
- acredita que os direitos de autor são uma forma de reconhecer e pagar (ainda que mal e porcamente) a criatividade das queridas cigarras que animam os dias desta triste formiguinha;
- acha que é comprando os cd e dvd legítimos que contribui para que a indústria da música, cinema e tv, enfim, da criatividade, se mantenha e continue;
- pensa que atrás de cada música, episódio ou filme há uma multidão de gente a trabalhar, e que depende desse ordenado (como eu dependo do meu) para pagar a paparoca e casota;

porque é que tenho que ser castigada com a porra dos anúncios anti-cópia que vêm em todos, mas todos os dvd mais que pagos e mais que legítimos que compro, anúncio esse que arranca cada vez que se põe o dvd a reproduzir, e que já devo ter visto milhares de vezes?

Ou não será este mais um caso da mensagem certa a ser entregue ao destinatário errado, hein?
Nervos.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Já agora que estou com a mão na massa


Tomem lá uma promo genial à nova série da Galactica.
(não se deixem enganar: a menina loirinha de vermelho, ao centro, é uma cylon. pois é, há cylons iguais aos humanos. 12 modelos. ui.)

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Séries à farta

A Aenima passou-me o desafio e cá vai ele: nomear as minhas séries preferidas de todó sempre. Ela não diz, mas pelo que tenho visto noutros blogues parece que o limite são 15. Como sou uma pessoa que não conhece limites (com as piores e mais hilariantes consequências que se pode imaginar) e com muito pouca disciplina, excedi-me. Toma lá 20, que é mesmo para enjoar:


Séries de Antigamente, quando ainda era gaiata:

Uma Casa na Pradaria - lamechas, coisinho, e hoje era incapaz. mas queria ser a Laura. cá coisas minhas. refiro-a porque foi a primeira que segui apaixonadamente. a seguir à Heidi, claro.

Os Marretas - devo ser a única mulher no mundo a não ter vergonha de dizer que a Miss Piggy é o meu alter ego. iiiiiii-á.

Galactica - não perdia um episódio. sonhava com o Apollo. era pré-teen, já se vê. agora começámos a ver a nova série - ui, ca bom c'aquilo está. e os cylons, só estilo.

Verão Azul - envelheceu mal, mas à altura, já completamente teen, não perdia. eu era aquela feínha, de óculos e aparelho. toma.


Humor, sempre, a todas as horas:

Monthy Python's Flying Circus - os mestres. a minha escola de humor. devo-lhes tudo. e ao Woody Allen, pronto. a minha mãezinha não percebia porque jantava a correr e me ia plantar em frente à tv (davam no canal 2, às oito da noite). tenho tudo deles. tudo. é amor de caixão à cova.


All in the Family - Archie Bunker para sempre, e a escola de Rob Reiner. bem hajam.

Sim, Sr. Ministro e Sim, Sr. Primeiro Ministro - daquelas séries que deviam ser obrigatórias em qualquer curso ou cadeira de ciência política. e Sir Geoffrey, quantos há por aí? medo.

Extras - nunca segui o The Office (na altura deprimia-me, andava com uma situação profissional demasiado parecida), mas este é genial. Ricky Gervais no seu melhor. ah, também o amo.

Black Adder - dos melhores textos de comédia britânica de sempre. também amo o Rowan Atkinson. é. o meu coração é tipo pensão rasca, cabe cá muita gente (esta paga direitos de autor a me mate).

Seinfeld - como dizia um amigo meu (olá, Rui) está lá tudo. tudo o que se passa na vida e por aí. brilhante.

Curb Your Enthusiasm - Larry David, pós-seinfeld. brilhante. também amo o Larry.

30 Rock - é amor novo. também amo a Tina Fey (tipo amiga, 'tá, nada de extrapolações). Estou à espera que baixe de preço para mandar vir a 2ª série.


Animação, só porque sim:

Os Simpsons - e, por consequência, Futurama. podem repetir ad eternum, que para mim nunca será ad nauseam.

Family Guy - ofensivo, de mau gosto, porcalhão. mas muuuuito bom e com o Stewie, o bebé psicopata mais adorável do mundo.



E agora, coisas sérias:



Geeks and Freaks - passou de fugida, foi cancelado ao fim de uma série, e custa uma fortuna (só na amazon americana). mas era uma maravilhazinha. então para quem foi teen nos anos 80.

Sherlock Holmes - Jeremy Brett era o Sherlock Holmes. outro que eu amo.

Orgulho e Preconceito - com o Colin Firth que, a partir daqui, passou a ser (para mim) o Mr Darcy. uma bela produção. a parvinha da Keyra podia ter olhado para isto para ver como é que se representa, a tontinha.

Carnivale - capaz de ser a melhor série que já vi. bem capaz. tenho por aí uns posts a falar dela, não me façam linkar.


Lost - tenho que acrescentar este, só porque é das coisinhas mais bem escritas de sempre (em termos de imaginação, racord, e passa a outro e não ao mesmo. como é que eles conseguem?). diz que tudo se vai revelar em mais dois anos, e que não passa da 7ª série. bem hajam, que ainda se me esgotava a paciência antes. é que não há xanax que nos valha.

(aditamento de última hora: X-Files. até à 5ª série é mesmo bom, daí em diante, coiso. mas quando os ets levarem o Mulder já sabem que é para parar. às tantas esqueci-me porque não amo o Fox Mulder. muito complicadinho. isto é, mais que eu. não vale.)

E agora (tchanammm) passo o desafio a:

Hipatia, Tuxa, Marta, Red, Thunderlady, Fabulosa, Ensaimada e Tita. Força aí, meninas, a mostrar o que gostam.
Ou não, que para obrigatório já nos chegam os impostos.

Back (but not in black)

Depois de uma segunda e terça a fuçar papelada como nunca, mandei às malvas aqui o estaminé e meti (meti onde? caneco de expressão, mas agora não tenho tempo) a sexta. A fugir aos trinta a tal graus de Lisboa, rumo ao fresquinho do oeste, cinco dias a pastar entre a esplanada e a areia (e se havia areia, cruzes, a nortada também deu cartas por cá?), a empanturrar-me de cerejas, a acabar um livro, devorar mais outro e a dar um avanço significativo ao terceiro. E, sem Fox para nos distrair, também marchou a mini-série da Galáctica (muito, muito boa) uns episódios de Star Treck e Twillight Zone, e O Herói do Ano 2000 (Sleeper).
Hoje já estou outra vez em papelada-mode. Ai.
(vou mazé verificar o talão do euromilhões, que às tantas estou aqui armada em parva, rica como tudo e não sei)

Sábado, 6 de Junho de 2009

E o que é que me apetecia?

visto aqui

Cada vez acredito mais nisto.
(mas vou lá. vou. nem que seja pelo complexo de culpa que é pensar que cuspi na democracia que tantos deram a vida para conquistar e tal. um neurótico dá um péssimo abstencionista.)

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Intenção de Voto (5) PS

É sexta feira. Estou mesmo, mesmo muito cansada. E agora ainda tinha que estar aqui a debitar sobre a lista do PS e o senhorprofessordoutor Vital?

Não.

Tende paciência.

Se uma imagem vale por mil palavras, então cá vai.

E é por isto que não voto no PS e naquela pandilha miserável que resolveram escolher para a lista.

Definitivamente, este PS não é o meu PS (se é que alguma vez o foi, suspiros).

(e já que está ali um coiso a aparentar um megafone, considerem-se também explicados quanto ao que me irrita no BE)

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Filosofia de Vida (e estado de espírito)


Intenção de Voto (4) PP

Logo no início da campanha avisa-nos: não anda aqui a brincar. Ufa, que alívio. Ao menos um. Depois, vem o chefe avisar: não lhes basta ter razão (que têm, claro, quem contesta), é preciso votar. Ah, bom, então era isso. Boa, votar. Em vocês? Ai, isso é que é pior.


Explico. O Nuno Melo é bem parecido. É xuxu, um colírio para vista, concedo. E é doutor em leis, dúvidas houvesse temos o blazer azul escuro com botão dourado para as dissipar (no inverno combina com calça cinza, no verão com calça bege; no pé sapato tipo mocassim, de pála, de preferência com borlita. A borlita é a cereja no topo do bolo, a anunciar "cá vai doutor, mas é um caturra"). A farda (e o recheio), já a conheço dos tempos de faculdade. Arejava de seis em seis meses, na época das orais. Naquela idade de inocência, quando os via assim vestidos, gozava com o ar de beto; hoje, mais madura e sabida das coisas da vida pelo que vou observando, diria "este tipo tem futuro". Porque os coleguinhas, mais ou menos betos, mais ou menos preocupados com as questões sociais, já tinham a farda da elite futura governante da nação. Pulover burberry. Camisa de quadrados. Calça jean ou chino. Sapato de vela ou pála.

E depois havia os outros, os "nunca vão chegar a lado nenhum, e acabarão a afogar-se no vómito das suas ideologias utópicas". Os que trajavam sem cuidado de mostrar a sua seriedade interior. Como lhes apetecia. Normalmente também não tinham inibições em dizer o que (bem ou mal) pensavam. Mesmo e principalmente se não fosse o que os outros queriam ouvir. Camisas de flanela, jeans descaídos, ténis de lona, Nirvana e Pearl Jam a debitar nos fones. Já a meio dos anos 90 até apareciam alguns que tiveram a coragem de se assumir em luto total, (des)penteados assimétricos, botas docmarten. Éramos assim, desalinhados, desbocados. Desconsiderados por aqueles que agora, nos outdoors e noticiários, nos pedem para votar neles.

Por muitas coisas boas que façam ou pareçam fazer, digam e até pareçam querer mesmo dizer, os Nunos Melos desta vida metem-me medo. Desconfio instintivamente deles. E não voto neles.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Comédia Romântica - o "a fazer" e o "a evitar, cruzes"

Eu sei, é mesmo uma coisa de... meninas. Mas mais vale habituarem-se, nós gostamos de comédias românticas. Pronto. E custa muito, custa, levarem-nos a ver uma de vez em quando? Não custa. Agora nada de apelar à reciprocidade: zombies, tripas a voar e sangue a esguichar, vandames a pontapear e robots a estraçalhar não é para todas. Para mim, não é.



Isto dito, pois cada uma terá o género da sua eleição. Se detestei o Sexo e a Cidade, o filme, e até me estragou a boa recordação que tinha da série, esta aqui de cima ficou-me como uma das melhores ultimamente vistas (no cabo, que no cinema voou de cartaz antes que desse por ela). Esqueçamos o título em português (um grande par de... patins. a sério, não é preciso dizer mais nada, credo), e foquemo-nos no seguinte: foi escrita e interpretada pelo grandalhão supra, Jason Segel. Sim, um dos rapazes de How I Met Your Mother. E tem como variante (inteligente, diga-se) o facto de o protagonista de coração destroçado ser um homem. Bravo. E de a ex ser uma grande cabra (que é, a sério, é mesmo).

O argumento é giro, original q.b., embora previsível em algumas coisas (caraças, é uma comédia romântica, já se sabe que acaba bem). E muito inteligente, com piadas com neurónios, muito bem batidas por um elenco com uma química fora do vulgar.

Depois temos isto:




Por onde começar? Se calhasse eu ter pago bilhete e não ter o medeia card, era caso para processar aquela gente. Sim, só por 5 euros. E pelas duas horas da vida (que não voltam) que perdi a ver aquilo.

Vamos por pontos:

1- Usar a F-word a torto e a direito, em todas as suas possíveis variantes, só por si não tem graça. Não tem. Nem substitui piadas. Nem cria ambiente. Quando muito cria uma aversão à palavra que nem vos conto.

2- Posto isto, o argumento é miserável. Salvo para teenagers rebarbados que só de ouvir a F-word já largam à gargalhada. O irónico é que o filme, pelo seu conteúdo, não me parece ter estes como público alvo. Ups.

3 - O pretexto - dois amigos de sempre, room mates, tesos, que decidem fazer um porno para enriquecer - até podia ter graça. Podia, não fosse ter-se aproveitado toda, mas mesmo toda a possibilidade de piada ordinária e elevá-la ao cubo. A sério, não sou púdica, mas tenho limites para a quantidade de alusões sexuais e escatológicas que consigo aguentar. Principalmente se abordadas de forma tão... desbocada, ordinária e achincalhante. Brrr.

4 - Há quem considere que o filme até tem uma mensagem sensível e ternurenta. Ooohhhhhh. Olha, devo ser bruta, mas escapou-me. Iaca. Eu estava iaca. Continuo iaca. Aquilo é iaca. Descobrir o amor depois de fazer sexo em frente a uma câmara não me soa nada romântico. Népia. Iaca.

E pronto.

(fiquei com uma aversão ao Seth Rogen que já não o posso ver. Já o Jason Segel, mesmo depois de o ver em nudez frontal - numa cena pungente e cómica, ao mesmo tempo - continuo a adorar. E quero mais. A ver vamos, fico à espera do I Love You Man, com o Paul Rudd, outro bombom fofo)

Estado de Espírito (e modo de vida)

Segunda feira. Segunda circular parada. Mais de uma hora no trânsito. Chego já às nove. Sistema em baixo, não posso trabalhar. Cabelo a precisar de tinta e tesoura. Hiper à hora de almoço.

But who fuckin' cares?

Só eu sei que sou terra
terra agreste por lavrar
silvestre monte maninho
amora fruto sem tratar

Só eu sei que sou pedra
sou pedra dura de talhar
sou joga pedrada em aro
calhau sem forma de engastar

A cotação é o que quiserem dar
não tenho jeito para regatear
também não sei se eu a quero aumentar
porque eu não sei
Porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar

Só eu sei que sou erva
erva daninha a alastrar
joio trovisco
ameaçadas ervas doces de enjoar

Só eu sei que sou barro
difícil de se moldar
argila com cimento e saibro
nem qualquer sabe trabalhar

Em moldes feitos não me sei criar
Em formas feitas podem-se quebrar
também não sei se me quero formar
porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animalque anda a procurar.

O António Variações é que a sabia toda.

(se o informático não me aparece em meia hora, bazo daqui p'ró cabeleireiro)

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Os teus são giros, mas os meus também (ou mais)



Hein, ó Ensaimada? Zulinhos, zulinhos, lindinhos e fresquinhos.

A ver se não chove no weekend para os estrear.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A tasca dos bichos

Há já uma semana que o ritual se repete: oito, oito e picos lá está ele à porta cozinha, a tentar esgueirar-se até ao refeitório da b'xana residente. "Olá, queres jantar?". Fita-nos com os olhões verdes esbugalhados e recua até às escadas de incêndio, onde fica a salvo de qualquer investida imprevista e de onde pode fugir para os quintais vizinhos. Nada a recear, apenas lhe levamos a ração até à tijela que já não sai da varanda. Afastamo-nos, que ele não dá confianças. Menos de um metro de distância já é pouco. Janta, ciranda, mete (ou tenta meter) o bedelho dentro de casa, e finalmente lá desaparece.

Neste dia trazia companhia, uma gatinha ainda mais pequena, que tem coleira mas estava esganada de fome. Tolera a sua presença, até manifesta uma ou outra atitude protectora. A nós, é que não nos deixa aproximar, nem que a mão que se estende esteja recheada de biscoitinhos ou que o tentemos seduzir com palavras meigas. É o verdadeiro gato escaldado.

Por ser completamente taralhoco e despistado (tem um défice de atenção, tadinho), sugeri que lhe chamássemos Peninha. Mas também tem cara de Tobias. A indecisão.
E mesmo que continue a tratar-nos como meros dispensadores de paparoca, sabe que ali ninguém lhe levanta a mão, ou o escorraça, ou o maltrata.

E pode ser que daqui a uns tempos... a b'xana residente até já lhe sopra menos e afivelou um ar de majestosa resignação.

(ao pessoal que abandona bichos, era assestar-lhes com uma moca daquelas bem grandes e cheia de farpas e, de preferência, com um ou mais pregos ferrugentos espetados)

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Intenção de Voto (3) CDU

Olho para o cartaz da CDU e faz-me lembrar um grupinho da malta baril, inter-geracional, porreira, radical, bués de empenhados, em trajo de passeio. Depois de carregar a bagageira com as mines, as arcas cheias de fêvera, bifana e couratos, "atão, vens", e ala todos na folquesvaguém pão-de-forma, arriba a Monsanto, que hoje é dia da festa.

A festa. É sempre A festa, quando o povo se junta, a discutir as coisas, a falar da vida, a confratenizar. Confratenizar vem de fraternidade, que é a deles e a nossa, a humanidade toda junta, a chuchar a mine, a rilhar a bifana, a fundação da democracia de base popular. Hoje, meia dúzia, e já vão com sorte. A tal meia dúzia que ainda não alcançou que a tal democracia de base popular não funciona, nunca funcionou, nunca funcionará, haja assembleias de condomínio para o demonstrar à saciedade.

E enquanto o tijolo debita canções de protesto (o Zeca, pá, o Zeca), lá vão picando a folha dos falhanços, na União Soviética e na China não havia verdadeiro comunismo (embora durante anos jurássem que sim) e por isso é que falhou; Cuba ainda insistem que sim senhor, os camaradas das Farc, e alguns ainda arriscam mencionar a Coreia do Norte, embora nunca por nunca abdicassem dos sábados na zara e na fnac, e saibam lá o que é viver em racionamento ou nem isso, que não há chomp-chomp para dividir quanto mais senhas para organizar a divisão.

Por cá já não são contra a Europa, na esperança que das cinzas do capitalismo que falhou ainda se erga a fénix da revolução social. A europa unida, pá, isso é que era, os trabalhadores outra vez na rua. E, enlevados, lá vão sonhando com a nacionalização da banca (da indústria, do comércio, dos transportes, e tudo e tudo), a democratização do crédito, a taxa de juro definido por portaria. Bons tempos, em que a Caixa era nossa, do povo, pá, e os Mello e Champalimaud estavam na ordem, pá. Bons tempos, pá, em que se trabalhava de manga arregaçada, melena desgrenhada, calça de bombazine coçada. Pá.

Interiormente ainda ouvem a internacional, o discurso do Cunhal, o bandeirame vermelho a ondular. Lágrima ao canto do olho, foi bonita a festa, pá, mas amanhã o telemóvel volta a tocar, é preciso levar os putos ao colégio, o carro na revisão, e hoje ainda se ouve o Professor Marcelo na televisão.

(E é por isto que não voto na CDU, nem que me façam engolir um serviço de copos de cristal. Da Boémia, que eu cá sou da burguesia. Assumidamente e sem vergonhas.)

E um conselho a todos vós, que gostais de desafiar o poder instituído

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Intenção de voto (2) PSD

Demoraram tanto que já andava a salivar de curiosidade. Mas depois da velhota do call center (novas oportunidades?) lá apareceu ele, o senhor doutor Paulo Rangel. De fato riscado, muito sério, a exsudar respeitabilidade. Não? Claro que sim, eu repito: fato riscado. Não há como duvidar.

E o que nos propõe? Simples, sair da crise com recurso aos fundos europeus. Bravo. Resta saber se ainda há fundos europeus ou europeus dispostos a entregar-nos quaisquer fundos; na afirmativa, é capaz de resultar (ora, se resultou com o actual presidente, nos finais da década de 90…).

E combina, slogan e apresentação do candidato. Fechemos os olhos e deixemo-nos cair nos braços de Morfeu. Por momentos somos transportados para o ambiente de aquário forrado a acrílico e artificialmente morno de uma dependência bancária onde, meigamente, o nosso gestor de conta nos convence a subscrever um crédito pessoal (a 84 meses, TAEG 17% e 40% de valor residual e tudo) que cubra os sucessivos descobertos da conta ordenado, e aplicar o restinho num fundo muito jeitoso que pode render até 10% ou mais (muito mais!) mas não garante nada. Abrimos os olhos. Lá está ele. Óculos modernos, fato riscado (lá está, respeitabilidade), gravata vermelha (confiança temperada a ousadia), cotovelos apoiados na secretária e braços baixos, um mais avançado que outro, corpo inclinado para a vítima, perdão, cliente, “então que me diz a isto, senhora dona Pulquéria”, “ah, se o senhor me garante”, “eu ia lá enganar a senhora dona Pulquéria”.

E é por isto que eu não voto PSD. Não consigo votar num fulano que me faça lembrar um gestor de conta (ou será um administrador?) do BPP. (ou BPN, ou BCP, para não ofender só uns)

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

É preciso nunca esquecer


Nem que seja por puro exercício de teimosia.
E se eu sou teimosa.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Ler Philip K. Dick também não ajuda nada

A depressão é uma coisinha feia. Peluda. Ossuda. Gordurosa. Pegajosa. Prontinha a nos saltar em cima, atirar-nos ao chão, fincar-nos no peito as suas patinhas sujas, encostar-nos ao pescoço a boca entreaberta, a mostrar os dentinhos afiados. Depois curva os cantos da boca num sorriso pequeno, solta o bafo quente rente ao nosso pescoço e sussurra que não, não se foi embora. Pensavas que sim, parvalhona? É só para dizer que não. Ando por aí. E depois afasta-se um niquinho. Só um poucochinho. Para nos deixar respirar, apesar de não nos apetecer. Porque ela fica ali, a cantar-nos a balada do fracasso. Não prestas para naaaaada. Não. Não vales naaaada. Um dia até pode sair do nosso raio de visão mas ainda a ouvimos a trautear. Podemos tapar os ouvidos, seguir em frente, caminhar ou até correr. E já não a ouvimos, só lembramos. Mas em cada restolhar de folhas, cada arrepio de vento frio, é bom não esquecer, pode ser ela, outra vez, atrás daquela curva da vida.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Love ya!

Logo no primeiro episódio (o piloto) de 30 Rock, a personagem da Tina Fey está na fila para comprar um cachorro quente a um daqueles vendedores ambulantes que pululam em NY (iaca, é preciso coragem e um estômago melhor que o meu para arriscar). Eis que chega um espertinho que, em vez de se plantar no final da fila, se encosta ao carrinho, no lado oposto, e pede um cachorro.

A Tina é a única a reagir: refila, manda-o para a bicha, ao que o indivíduo responde que aquela é outra fila. Uns quantos dos que estão na fila correcta põem-se atrás do sujeito, e a Tina barafusta, barafusta e... vira-se para o vendedor e diz que quer comprar todos os cachorros. Todos. E que só os dá às pessoas que estão na fila certa.

Pronto. Já aqui arranjou uma fã de primeira linha. Eu também odeio chico-espertos, batoteiros, fiteiros, golpistas, vigaristas e outros eiros e istas. Não sei é se tinha coragem (forretice forbids) para gastar 150 dólares a dar uma lição destas. Mas fica a ideia.

(a série é frenomenal, e o Alec Baldwin está um estoiro)

Montes de absolutamente

Não é preciso ser maluco para trabalhar aqui.
Mas ter uma caixinha de xanax na gaveta da secretária deveria ser requisito essencial.

(o que vale é que o dia se São Ordenado é já na quinta, que não há outra motivação que me valha, jazuza)

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Um mês de Bimby (balanço)



é mais ou menos isto.



Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Pelo sim, pelo não, vou marcar uma consulta de oftalmologia

Quando regressámos de Londres, com um trolley e um saco a abarrotar de livros e meia dúzia de dvd, fiz uma jura do género "eu seja céguinha se volto a comprar um livro este ano". (vá, antes das férias)

Entretanto, fui à Feira do Livro. Duas vezes.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Juro que não sou trekkie

Só consigo fazer a saudação vulcana com a mão esquerda. Não sei de cor os nomes dos actores da tripulação original. E mesmo a matrícula da Enterprise (NCC 1701, acho eu) só a sei agora por ter ido ver o filme.

Mas o que me diverti, e não me divertia tanto num filme desde o último Batman, foi quase obsceno.

O facto de o projecto estar entregue ao J.J. Abrams, uma pessoa que tem dedo para a coisa, seja a realizar, produzir ou escolher argumentistas e actores (ei, graças a ele é que andamos há anos a perguntar-nos o que raio é aquela ilha - e não, não é o purgatório), foi uma bênção. Definitivamente, o homem sabe o que faz. Iupi. O elenco é perfeito. O argumento muito bem esgalhado. Há humor. Há acção (muita!). Há efeitos especiais, mas sem exageros. E há um imenso respeito (mas sem veneração ou reverência) pela versão original, que nota-se bastante que os envolvidos neste filme (principalmente os argumentistas) têm um conhecimento profundo da saga anterior.

Vamos por partes: o argumento. A minha pergunta, antes de entrar para a sala, era só esta: como é que eles vão conseguir fazer o reload ou reboot de uma série já tão antiga, como é vão encontrar um pretexto para voltarem à tripulação original quando essa história já passou? Tóing, já 'tá. Brilhante. Logo antes do genérico fica-se a perceber como, e é de génio, palminhas.
E quem escreve sabe sobre o que está a escrever. Não se dá uma volta de 180º graus às personagens, mas uma lufada de ar fresco. Mas continuam a ser o Bones, Sulu, Uhura, Scottie e o russo que ali estão. E o Spock e o Kirk, claro.

Os actores. Uai. Palminhas, de novo. E alguns (a maior parte...) nunca os tinha visto mais gordos. O puto que é James Tiberius Kirk está de estalo: consegue manter aquela arrogânciazinha e ar cabotino com que o William Shatner caracterizou a personagem, mas tem um timing cómico e uma forma de estar que não o tornam uma simples cópia. Aliás, isso nota-se em todos: fiéis ao original, mas com o seu cunho pessoal. E o Spock, muito bom, aliás já tinha sido um Sylar (Heroes) muito recomendável. E o Leonard Nimoy (live a long and prosperous life!), já bem velhote, faz lá um papelinho. Não digo mais para não estragar. O mau, que é mesmo muito mau, nem o reconheci (o que deve ser bom sinal), é o Eric Bana, e vai mui bien.

Os efeitos especiais. Não se abusa da traulitada nem da destruição em massa. Caramba, se querem isso vão ver o Michael Bay (sim, passou a apresentação dos Transformers. mas fica alguma coisa inteira?). As naves estão uma beleza, sem exageros, e o CGI não é levado ao extremo. A nave dos mauzões é liiiiinda, mete medo só de ver, e é uma coisa mesmo bem desenhada. E a acção não pára - sempre a andar para frente, coisa em que o J.J. Abrams é muito eficiente, não perde tempo em divagações, bless.

E pronto. Em algumas coisas esticam um 'cadinho a corda, mas ir a uma fita de sci-fi sem a necessária suspension of belief também não está com nada. O neo-realismo lá terá as suas virtudes, mas tudo tem o seu tempo e lugar. E se é para aventura, confusão, espaço, e coisas mirabolantes, enfim, diversão de mão cheia, este filme é uma boa escolha. Yay!





Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Expresso velhote*

Uma adolescente descreve à amiga, pormenorizadamente, o actual estado das hemorróidas do seu pai;

O motorista vocifera para o excelentíssimo senhor doutor animal, proprietário de uma lata construída pela bmw, e que achou que era boa ideia deixá-lo parado mesmo em cima do semáforo com os quatro piscas ligados;

Uma menina queixa-se da comichão e conclui que apanhou piolhos;

Dois velhotes debatem animadamente a questão dos horários, concluindo um deles que se não é para cumprir não vale a pena tê-los ali na paragem;

Uma senhora velhota de canadianas entra e dirige-se aos lugares reservados; a senhora que está no banco da ponta inclina-se para a primeira passar para o banco junto da janela, deixando-lhe, para tanto, uns bons 5 centímetros de espaço aberto e livre; a outra sugere-lhe que passe antes ela para o lugar junto da janela;

Definitivamente, os quatro piscas são uma instituição nacional;

Aquele jardim já agradecia a visita de um jardineiro;

O estúpido do talhante deixou outra vez o carro parado na curva, ena, as buzinas da carris rulam, lá vem ele a correr;

Olha, lá está outra vez a velhota à janela, com o cão ao lado;

O dia está mais comprido, ainda há miúdos a brincar no parque infantil;

Pimba, outra vez um carro estacionado na minha paragem.


Caramba, e ainda há gente que não gosta de andar de transportes públicos.
(onde o género humano é mais género e mais umano)

*o nome que, carinhosamente, dou à carreira que vai para a minha freguesia

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

O fim do mundo em cuecas

Chegou de manhãzinha, abancou, espalhou a sua tralhinha por todo o lado, não se calou nem arredou pé o dia todo, e não nos deixa trabalhar.

Diz que amanhã já cá não está, mas como ainda não lhe vi vontade de levantar e sair, a ver vamos, como dizia o invisual.

(olha, se quer cá passar o final da semana, que peça a alguém que lhe vá buscar uma sande, que eu já estou na minha hora e ninguém me paga para aturar a parvoíce alheia. por acaso até é para isso que me pagam, entre outras coisas, mas o que é de mais enjooa. ai, ai.)

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Até já amiguinhos

Um dia, há uns dez anos, vi-o na rua. Estava na paragem de autocarro, na Damaia (não me perguntem o que eu estava a fazer na Damaia em horário de expediente que eu também não digo) e vejo na mesma fila, à minha frente, e a entrar para o mesmo autocarro que eu, o Vasco Granja. Já tinha idade para ter juízo mas, ainda assim, o meu primeiro pensamento foi "ihhhh, olha o Vasco Granja". O primeiro impulso o de correr para ele e agradecer ter sido a minha melhor companhia nas manhãs de fim de semana, e pregar-lhe um valente abracinho por me ter apresentado o Pato Maluco (Duffy Duck), o Pernalonga (Bugs Bunny), o Tex Avery, Mel Blanc e essa gente toda.

Como sou uma enconada de primeira, deixei-me estar. Entrei no autocarro, olhei-o de soslaio, acho que me subiu o sangue às faces, mas não disse nada. Acho que mesmo que tivesse a coragem de me chegar ao pé dele as palavras morreriam na garganta. "Estúpida, estúpida, estúpida, vai lá", sussurava-me o meu id, mas o super ego logo a atalhar, "lá agora, a fazer figuras tristes, até parece que vais fazer diferença". E fiquei-me. Com um sorrisinho parvo, a recordar.

E hoje, de novo, as mesmas memórias. Do homenzinho com ar castiço que falava do desenho animado que ia passar a seguir, com vozes do Mel Blanc, realizado pelo Tex Avery, e onde o Pato Maluco / Pernalonga /Coiote /Piu-Piu e Silvestre iam ter uma aventura muito divertida. E eu a berrar "Ó mãe, o homem nunca mais se cala e começam os desenhos..."


(e também havia os desenhos animados de leste, muitos eram uma valente seca, mas que me ensinaram e muito a apreciar a arte da animação, olaré. grata para sempre. e até já.)

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Documentário da Semana - Ratos e Homens

Monty Python - The mouse problem

Intenção de Voto (1) MEP

Embora me agrade a ideia de mandar a Laurinda Alves daqui para fora, confesso que ficava mais satisfeita se o "daqui para fora" fosse um país não situado no centro da Europa.
Se fosse para a despachar para um sítio assim mais desviadito, sei lá, no tal terceiro mundo (um daqueles em que uma pessoa pode arranjar problemas de pele só por andar na rua e uma valente caganeira por beber um copo de água), estava garantido.
Mas assim, não.

Maneiras que (também) não é neste que vou votar.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

25 a 27 (em três partes)

Parte I - Foi a isto que chegámos
-Sabes que dia é hoje?
-Sei. É o 25 de Abril.
- E sabes o que isso quer dizer?
- (suspiro) Claro que sei! Na minha turma só eu é que sabia o que era o 25 de Abril e o Salazar.
- (olhos muuuuito abertos) Mas a professora não explicou?
- Não.
- (olhos mais abertos, quase a saltar) Nem na sexta feira? Não disse porque é que hoje era feriado?
- Não.
- E o 5 de Outubro, também não explicou?
- O que é o 5 de Outubro?
- (a procurar os sais) A implantação da República. A partir daí Portugal deixou de ser uma monarquia, ser governado por reis, e passámos a ter um presidente eleito. Para o ano faz cem anos, a República.
- Ahhh. Não, nunca falou disso.
- ...bonk...
(tia desmaiada)

A menina não é minha filha, mas se fosse, hoje, às oito, já estava lá ao portão da escola para ter uma conversinha com a professora. Aos 8 anos eu já sabia aquilo, que a Senhora P'sora explicava os significados dos feriados nacionais. Se bem que o dez de Junho, e isto sou eu, não havia necessidade, mas tudo bem.

E se continuam a fazer vista grossa à data nas escolas e que tais, se ninguém souber como foi, como querem que se faça melhor e não se volte atrás? Francamente.

Parte II - Como tem sido
Já venho atrasada, eu sei, mas a vida é mesmo assim e a 25 tive mais que fazer. Nomeadamente, ensinar a uma criança o que foi a Implantação da República. Para além disso nem sou muito dada a efemérides, pelo menos aqui no blog, e não uso (nunca usei) cravos à lapela, que eu é mais rosas e em jarras, mas de preferência na terra-terra. E desde que começaram a cobrar dois euros por cravo (como o ano passado vi, e até autocolantes com um cravo vendiam, os meliantes), nem um para recordação trago. Gatunos.

Mas cá por dentro é um dia como os outros, no melhor que isso pode significar. Bom, não é bem, que a 25 do 04 tem que se gramar com o Otelo na rádio. Sim senhor, fez o que fez (que fundamentalmente se resumiu a ficar no quartel a tomar conta do tufone, pelo que consegui perceber de uma carradona de documentários e um ou dois filmes), mas o que fez a seguir é que valha-nos a santa paciência, e nem um bochechas a dizer que é preso político (devia era ter vergonha, logo ele, que sabe ou devia saber muito bem o que era um preso político) lhe lava as vergonhas mais recentes. Além disso é um chato, sempre a pôr-se em biquinhos de pés, a chegar-se à frente para aparecer em primeiro plano, e hoje toda a gente já sabe quem é que fez o quê, quem jogou forte e podia perder bem mais que o emprego, e esse até já morreu e tudo e até consta que nunca fez mal a uma mosca nem andou a incentivar que se praticasse tiro ao alvo em capitalistas.

Adiante.

O importante, mesmo importante, é que eu só me dei conta da importância do dia muito depois, à medida que, com a idade, me iam contando a história do que foi. Cresci em liberdade e assim me fiz gente, e daí fazer parte daquela geração que toma o 25 de Abril por garantido. Não percebo porque isto é dito por tantos como crítica. É claro que é garantido, a liberdade de expressão e associação, a democracia, a igualdade de género e tudo e tudo, e era o que mais faltava se não fosse, ou julgais vocês que eu e outros da minha idade gramávamos com um comó botas quarenta anos seguidinhos, com muita vénia a dar cabo das cruzes e respeitinho a enferrujar as sinapses, era o que faltava, era o que faltava.

Há é ainda muito por fazer. Olé se há. Que não é para isto que pago impostos, mas isso agora leváva-nos muito longe, e não tenho o depósito atestado.

Parte III - Como foi
E vai daí pergunta-me ela onde estava eu no 25 de Abril, mas de 1974. Que vergonha: não me lembro, que tinha dois anos, ainda não tinha feito três. Mas, graças à celebre obsessão de BB parodiada pelo Herman, perguntei a papais.

Maneiras que reza assim, a minha história:
Menina e moça, me levaram de casa de meus pais. Mamãe estava com papeira, e acharam por bem remover-me para casa de minha avó paterna, facto que, ao que consta, eu não aceitei de ânimo leve. É que meu irmão, aquele bebé absurdo que havia nascido nove meses antes, ficou a fazer companhia a mamãe. E por mais que me explicassem que eu estava longe para não ser contagiada, e que o meu irmão ficava para ser contagiado, porque iadaiada os meninos deviam apanhar a maleita o quanto antes, eu não me convencia. Nã. A mim não me faziam de parva: obviamente que havia marosca. O meu irmão, aquele bebé escandaloso que aparecera sei lá de onde para me roubar o espaço e sossego, preparava-se para tomar, de golpe, toda a situação familiar.
De modos que foi isto, resumidamente: "e se ele fica porque é que eu não fico", "porque és menina", e o resto da história já se sabe. O dealbar da liberdade e a semente que germinaria em mim uma aguda (quiçá demolidora) consciência de género.
A conjugação de duas circunstâncias explosivas, como aqueles que vêm lendo este blog já devem ter notado.
Porque as meninas podem, sim senhora.

(o meu irmão não apanhou papeira. o que só confirma o que já sabia: de tal forma é ruim que não há bichedo que se lhe pegue.)

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

(...)


“(...) não quero mais sentir-me a gorda. Se meio mundo não vê em mim se não a gorda, que seja um problema de meio mundo, mas não meu.”

Isabela, n’O Mundo Perfeito

A senhora ali em cima foi eleita Miss Austrália*. A senhora ali em cima pesa 49 quilos, deve medir mais de um metro e setenta, e foi considerada a mais bela de um país que é quase um continente. E de certeza que na escola nunca lhe chamaram baleia.

A mim chamaram.
À Isabela, também.

Ainda hoje, muitos me acham gorda. E, consequentemente, preguiçosa. Glutona. Desleixada. Porque me deixo ficar assim, porque não tenho controlo. Cedo às tentações. Porque as pessoas gordas, já nos enfiaram nos ouvidos ou pelos olhos dentro vezes sem conta, são pessoas que não se querem mexer, se rendem à inércia, passam horas sem fim em frente à TV, alapados no sofá, a despachar gomas, lays, cheetos e outras porcarias.

A senhora ali de cima, pelo contrário, não é preguiçosa, nem glutona, nem desleixada. Tem controlo. Muito controlo. Não cede à inércia ou a tentações. Não se desleixa. Não deixou que as calorias se transformassem em carnes ou gorduras supérfluas. E foi premiada com um título de raínha de beleza.

Demonstra-se (e parafraseando a Isabela) que se meio mundo não vê em mim se não a gorda, é mesmo um problema de meio mundo, mas não meu.

*por informação da Tuxa, fico a saber que afinal a menina era apenas concorrente, e foi decslassificada por falta de peso. falha minha, sorry. mas ainda assim, poder concorrer a concorrer com aquele.... problema, já é preocupante. digo eu. raio de mensagem se quer transmitir. que ninguém me desconvence que a desclassificação se deveu a pressões...

(declaração de interesses: o meu peso actual corresponde a um índice de massa corporal dentro do normal, apesar de estar 10 a 12 quilos acima do ideal, sendo que por ideal considero um IMC entre 21 e 22. já estive acima, muito acima do normal, no parâmetro de pré-obesidade.)

É sempre bom saber

Ainda que lá em casa já resida uma Bimby (note to self: construir-lhe um altar, onde deixarei oferendas várias, pauzinhos de incenso e velas de cheiro), ainda continuo o mesmo desastre na cozinha que sempre fui. Anteontem, por exemplo, e quando acabei (a máquina acabou) a massa do bolo inglês, dei-me conta que me tinha esquecido de juntar a manteiga. Brilhante.


(em compensação, a lasanha de ontem ficou es-tu-pen-da. a diferença foi que encarreguei me mate de ler a receita alto, várias vezes, enquanto eu ia juntando os ingredientes. é preciso um staff para que eu não asneire, é o que é.)

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Lista de Compras (1)

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