sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Ah, o doce sabor da validação

Uma pessoa percebe que tem muitíssima razão nas opções e direcções de vida que toma quando, depois de ler num baby blog* os desabafos de uma mãe sobre seu petit (e, supõe-se, amoroso rebento), a primeira ideia que lhe passa pela ideia é diagnosticar a situação como mimalhice aguda e recomendar a aplicação de um valente chute.
Depois de ler os comentários de mais mães extremosas, parece que não, que não. Que não é nada disso.

(aqui há dias uma colega, já com descendência, dava-me uma prelecção sobre a urgência maternal e um tal de relógio biológico. respondi-lhe que ou eu tinha vindo sem, ou já tinha avariado. ela não acreditou. tadinha.)

(não estou a brincar. depois da primeira noite sem dormir por causa de um puto aos berros, afogava-o na banheira. psicose pós parto? oui, c'est moi.)

(mas gosto de crianças, gosto sim. em part time. é tão bom ser tia.)

(*claro que não deixei comentário, pá, eu ainda tenho a noção. às vezes.)

Estou que nem posso




Queres ver que na Páscoa a gente ainda se enfia num avião e vai a correr lá, a ver isto, que até estou aqui a hiperventilar desde que soube?


(cuméquié, adiamos Paris? hum, xuxu?)

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Sugestões Natalícias

O livro do Medina Carreira e uma cápsula de cianeto.

(para dar e não para receber, claro)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

'zatamente


E além disso (não sei, ouvi dizer) dá para calçar meias de pintinhas, risquinhas, bolinhas e por aí fora.

Esta foi uma estreia

Apitaram-me por não ter passado o sinal vermelho.

(um dia destes começo a andar com uma tábua com pregos ferrugentos no carro)

As explicações acumulam-se


Vínhamos há pouco a discutir no carro sobre séries de comédia. E eu, perante a indiferença dele face a uma em especial, lá retrucava"man, a Murphy Brown era espectacular. Adorava, eu cresci com aquilo. Eu queria ser a Murphy Brown."
E, de repente, a epifania. Eu queria ser a Murphy Brown. Investigar os porquês e as causas das coisas, entrevistar (e entalar) grandes líderes mundiais ou do meu país, fuçar, descobrir, investigar, saber mais e melhor.
A maioria das mulheres que conheço e com quem me relaciono (me insisto em relacionar) sonhavam ser a Carrie Bradshaw.
É verdade que hoje não sou uma Murphy Brown mas, definitivamente, estou mais perto desta (mas em bem vestida, lol) que de uma Carrie. Acho graça às Carries desta vida, isso acho, mas cansam-me tanto. Depois de pelar a demão (fininha, fininha) de tinta rosa choque glitter com que se cobrem, depois de esgotadas as conversetas superficiais sobre modas, relacionamentos e suas grandes verdades, o que fica? O que têm lido, o que têm aprendido, o que têm feito? O que pensam do que se passa, o que há por fazer? Pois.
(e vocês, quem foram os vossos modelos, hein?)

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

De caminho, é ver este filminho



Que é muito janota. Gostei muito, mesmo. Bela ficção científica, e mal se dá pelo cgi (hurra!).

E não vou mandar mais bitaites, que tenho medo de revelar o que não deveria.

Para quem acha graça a estas cenas, o realizador - Duncan Jones - é filho do David Bowie.


(só adianto que se eu tivesse que dar um curso de sensibilização a chefias sobre questões de trabalho, escolhia este filme para exibir. depois mandava-os escrever uma redacçãozinha, e dava choques eléctricos - com aquelas cenas com que martirizam o gado - a quem não tivesse atingido a mensagem. e é só.)

Tendência para a asneira



A princípio, achei graça: parecia uma excursão de repetentes mal comportados, todos vestidinhos de igual, a cantar (urrar) os mesmos slogans e cantigas que não se entendem, e a dar conta da paciência dos senhores professores, que neste caso eram os simpáticos polícias que os escoltavam. Até tirei uma fotografia, para depois mostrar a me mate. Perdi logo a vontade de rir quando me lembrei que, ao contrário do que era habitual, hoje também ia apanhar a linha azul.

Dei uma corridinha escada abaixo, que estava a chegar o metro, e entrei na última carruagem. Na ponta contrária lá estavam, umas dezenas de bósnios altíssimos e de lata de cerveja na mão, aos pulinhos e a cantar. Nervos, pá, porque é que esta gente não espera até estar na arena, er, estádio? Assim de longe não parecia haver polícia na nossa carruagem, mas não havia de ser nada.

Eis que o metro larga da estação e um latagão loiro de metro e noventa, óculos tipo ray ban e cervejola na mão começa a apagar as luzes de tecto. Eu nem sabia que tinham interruptor, calha bem, e este patifório, aqui chegado nem há umas horas já anda a sabotar o meu meio de transporte colectivo preferido. Meia carruagem às escuras, o biltre a caminhar corredor fora a apagar luzes. Os passageiros não arriscam mais que uns "então, então!", como se o neanderthal os conseguisse entender. Já quase ao pé de mim há um velhote que o intercepta, lhe toca no braço, aponta para que ele volte para trás, refila alto e bom som. O bisonte cresce para o velhote, estão peito com peito. E eu a ver aquilo a acabar muito mal, que mais ninguém se mexe, tanto homem de barba rija a bordo a fingir que não é nada com eles.

Não sei o que me deu, juro que não sei. Foi uma irritação que subiu por mim acima, um "isto não pode ser!", uma urgência que já senti noutras ocasiões - e sempre com resultados hilariantes (embora não do meu ponto de vista). Meti-me à frente do animal, entre ele e o velhote, de braços abertos, palmas abertas e para fora: "stop it, you can't do that! go back, go back now". Senti-lhe o bafo a cerveja quando, olhando para baixo me interpela, com um ar desdenhoso: "what are you gonna do about it?". Eu sabia lá o que ia fazer, ainda não tinha tido tempo para pensar nisso, ora que porra. Mas, no barulho das luzes lá lhe gritei "I'm going to call the police, you have no right to turn out the lights, go back and stop doing that!". O mamute hesita e é então que, quiçá por orgulho viril ferido, quiçá por se terem apercebido de que yes, we can, alguns homens levantam a voz, o empurram e o rufia lá segue para ao pé dos seus.

Nos Restauradores saem, voluntariamente, mais de metade dos tugas que iam na carruagem. E eu fico. Que era o que mais faltava, mostrar medo a esta gente. E sigo até à Rotunda, apesar de a polícia ter passado a palavra que, para nossa segurança, os portugueses deviam sair do combóio. Se calhar são os bósnios que pagam os impostos de onde de paga o ordenado deles, sim senhora, havia de ser bonito. Era o que faltava, em Portugal ter receio de brutamontes estrangeiros, e a minha polícia não me poder proteger. Bonito.

Umas duas horas depois a adrenalina baixou, e o raciocínio voltou. A imagem de um nariz partido veio-me à ideia. Uma cabeçada valente, parece-me que foi o mínimo que eu arrisquei.

Acho que vou fazer um seguro de danos pessoais.


(e fartei-me ouvir ralhar. me mate tem razão, apesar de ele admitir que, estando lá, se calhar fazia o mesmo. casa de tontos.)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

É que já faltou mais

Qualquer dia inauguro aqui no estaminé uma rúbrica que vou intitular "A Badocha Aconselha".
Assim género blog féchion, mas para aquelas mulheres que, mau grado se enquadrarem nos índices de massa corporal (IMC) ditos adequados, não conseguem arranjar uma porr@ de um trapo féchion que lhes caia bem.

Tipo truques para manter a auto estima em cima, locais onde se pode comprar o melhor chocolate para consolar depois de uma (frustrante) ida às compras, e dicas sobre lojas amigas da diva roliça.
E, quando necessário, também uns conselhos ao amável comerciante de trapinhos e outra parafernália destinada a vestir.

E começo já uma: que tal uma petição para começarem a fabricar meios números também em roupa? Hein? É que hoje descobri (da pior maneira, as usual) que visto o 41 da Lanidor.
(a história da minha vida: nunca me enquadro nas medidas standard, raisparta isto)

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Pode parecer que estou a bater no ceguinho




E estou mesmo.
Ide lá comprar um french tickler e divertide-vos.

Ninguém entende, ninguém liga, ninguém dá um abracinho ao ateu



Eu até nem sou de polémicas, que não sou, pelo menos aos fins de semana que é quando baixa a preguiça e se me dá a letargia. Mas quanto ao assunto fracturante e premente dos Cristos dependurados nas salas de aula, tenho que dizer de minha justiça.

Aqui a menina (decerto derivado a uma tremenda falha de carácter de seus papais) teve uma educação agnóstica. E começou logo pelo princípio, não me tendo sido dado o sacramento do baptismo. Não foi questão de papais temerem uma pneumonia, que nasci na primavera. Foi antes o quererem deixar ao meu critério a adesão a qualquer clube religioso, fosse ele qual fosse; e que, calhando, o fizesse livre, deliberada e conscientemente. O choque não foi grande, fora para a tia avó freira. Afinal já tinham casado pelo civil (sacrilégio! concubinos!), o que, ao tempo, já era escandaloso q.b. Uma vez que já estavam perdidos para a fé, também não admirava que arrastassem os filhos (que, segundo o livro de regras do clube católico, a Santa Madre Igreja, é aceitável, já que parece que os filhos pagarão até à 5ª geração os pecados da progenitura).

Em pequenita, e rodeada que estava de criancinhas mais bem educadas que eu (ou seja, que frequentavam a catequese) é natural que começasse a colocar questões, nomeadamente sobre a crença (ou falta dela) dos meus pais. Sobre a existência de Deus sempre foram muito sinceros: não sabiam. E também não se ralavam muito, na verdade. Mas, crentes que eram no contraditório, não me deixaram de informar sobre o que os outros criam. Que pensasse no assunto e formasse a minha opinião.

Claro que me explicaram quem tinha sido Jesus Cristo. Segundo a versão lá de casa, fora um homem muito bom, que pregava o amor entre os homens e a tolerância, e que tinha sido morto por espalhar estas ideias, tidas como subversivas. (uma espécie de Sócrates, portanto, mas deste só viria a ter conhecimento mais tarde, o que demonstra que se calhar alguma coisa de errado existe nas prioridades de educação). Mas ainda me esclareceram mais: para os cristãos ele seria o filho de Deus (e tinha ressuscitado), para os judeus apenas mais um profeta, e para outras pessoas apenas um homem bom.

Quando entrei para a escola primária, em 1977, na sala de aula lá estava, o homem bom, morto havia quase 2000 anos. Semi-nu, pregado numa cruz, a escorrer sangue da testa e das chagas. Bem por cima do quadro, era impossível ignorá-lo.

Aquilo incomodava-me, juro que me incomodava. Tinha seis anos e tinha que, todos os dias, ser confrontada com a imagem de um homem morto de forma especialmente perversa. Para mim, não era o filho de Deus que ali estava, mas uma vítima de tortura, ainda preso ao instrumento da sua morte. A figura não me suscitava exaltação ou gratidão pelo seu sacrifício, apenas horror e asco.

Ao fim de algum tempo claro que me habituei. Mas devo dizer que ainda hoje a imagem da cruz com Cristo lá pregado me causa asco. A exibição da dor e morte faz-me confusão, em qualquer circunstância. Nesta, parece-me uma vergonhosa exaltação do sacrifício, uma justificação do martírio, e um convite à veneração mais sabuja. Vede, vede, quem morreu por vós tristes pecadores. Que venerem a cruz, vá-se lá perceber porquê; mas ao menos tirem o homem de lá, que nervos (afinal fez coisas mais importantes que morrer, hein? tipo, concentrem-se na sua palavra, boa?).

E era escusado. Mostrem-no lá nas sedes do vosso clube, que aí mandam os membros e ateu não tem nada que mandar bitaites. Faz-me impressão à mesma, mas o problema é meu. Mas nas escolas ou em qualquer edifício público, tende paciência e recolheide lá as cruzinhas. Mesmo em hospitais, só se for nas capelas. Olh'aí, que já basta estar doente. É que (a sério, acontece) há mais gente neste mundo, e nem todos pensam como vós, maioria cristã. E que pense: o lugar do culto é nas igrejas. Ponto.

É que a tal tradição da cruz em todo o lado vem do tempo em que este ainda não era um estado laico, e até havia uma concordata a proibir os casados catolicamente de se divorciar e tudo. Já acabou, temos pena. Como (avisam-se os menos informados) também um dia deixou de ser tradição a mulher ser só esposa e mãe, um alongue do paterfamilias. Já para não falar dessa bela tradição do século passado que era a escravatura. Verdade. (e um dia, em continuando as actuais condições climatéricas, nem o bacalhau nos resta)

Olha, é evoluir. Para os que não acreditam na evolução, conformem-se.
Se são assim tão cristãos como pregam, acreditam que resignação é uma virtude, n'é? Pois pratiquem-na.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

How Fucking Romantic*

Estava aqui entretida a ouvir uma coisita quando me lembrei de lançar aos estimados leitores um repto: partilhaide, por favor, com esta vasta audiência, qual a vossa canção romântica preferida. Boas? Boas.

Melhor: indicaide o vosso top, seja ele ten ou three ( meu caso) de musiquetas que vos põem a sonhar, a lacrimejar, a suspirar pelos mais que tudo das respectivas vidas (pelos pulhas, não vale. depois logo lanço o desafio ao top das músicas dor de corno, que eu também as tenho, olaré, quem não tiver que atire a primeira pedra).

E eu atiro já as minhas preferidas:
- Papa Was a Rodeo - Magnetic Fields.
Não sei explicar, mas fico sempre com um nó na garganta quando a ouço. Não tanto pelo seu sentido literal (o meu pai não era, definitivamente, cowboy), mas pelo que significa, nesta longa e tortuosa estrada da vida (cliché alert), encontrar aquela pessoa. A nossa pessoa. Yay.

- Perfect Lovesong - The Divine Comedy
Esta é a canção de amor mai fofinha e tontinha e xuxuzinha de todas. Adoro-a.

- Eu Sei Que Vou te Amar - Vinicius de Moraes e Tom Jobim
Coisa linda, caneco.

Se entretanto me lembrar de mais, ainda digo qualquer coisa.
E vossas excelências, já a contar. Tudo, tudo, que eu quero saber, (espécie d'almas empedernidas, não vos comoveis com nada, hein, querem lá ver agora, se até eu que sou uma besta quadrada, vá lá a fazer um esforço)

*esta também é dos magnetic fields, um albunzinho chamado 69 Lovesongs. aconselha-se.

E mudemos de assunto, sim?



Daqui


Afinal, amanhã já é fim de semana.
E, como de costume, temos mais projectos que tempo, mas não há-de ser nada.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Depois deste post já ninguém acredita que eu até nem sou (muito) má pessoa

Nunca tive uma amiga de jeito. Amiga gaja, daquelas companheiras do nosso coração, que riem e choram connosco, consoante pedisse a ocasião. Uma amiga que me respeitasse por quem sou e, claro, que me aceitasse assim mesmo, taliqualinha, sem merdas. Até podia não me entender (põe-te na fila), mas que ao menos tentasse, com vontade; e, não conseguindo, não me julgasse, catalogasse, colasse a etiqueta na testa e encostasse à parede, junto das outras esquisitas.

Verdadinha, juro, nunca tive uma amiga que prestasse. Já tive (e tenho, acho eu) amigas, claro, mas coisitas leves, de ocasião, sem chatices que eu não estou para isso, ai que maçada a tua vida, adeus até à próxima que tenho um tacho ao lume. Destas, já tive muitas. Simulacros de amigas, para quem fui ombrinho a jeito, e que bem encharcado mo deixaram, tantas vezes. Depois, em precisando, viste-las, eu também não.

Já tive (e se calhar ainda tenho, olha a surpresa) amigas que já passaram meses sem saberem de mim, mal disfarçando o espanto quando sabiam as novidades, ai sim, aconteceu-te, tchi, nem me digas, e nem por isso lamentavam não ter estado lá. E depois estranham, estranham muito, que eu também não apareça, não queira saber, não esteja lá. Recriminam-mo, até; cobram-me telefonemas que também não fizeram, afectos que não dispensaram, atenção que não me votaram.

Também tive (e acho que já não tenho) amigas condicionais, que só estão lá se, se eu me comportar, se eu encaixar, se eu não disser o que não querem ouvir, mesmo que eu tenha ouvido antes tudo o que quiseram dizer. Que me atiraram toda a loiça suja à cara mas se indignaram com os pingos que enxotei na sua direcção, me desrespeitaram e se sentiram muito com a resposta. Que conseguem, querendo, ser muito cabras, obtusas, espetar o estilete, rodá-lo e arrancá-lo à bruta, e ainda dizer bem feita, que estavas a pedi-las.

Há dias em que tenho pena, noutros nem tanto; mas a verdade é que (Freud explicaria, mas não está aqui à mão) não consigo já sentir com elas (mulheres) grande empatia mas sim grande desconforto. Uma pessoa é olhada como bicho quase toda vida, e acaba a comportar-se como tal.
A gente habitua-se, sim senhora, mas nem por isso se conforma.

(está quase a fazer um ano que, pela primeira vez na minha vida, me "esqueci" propositadamente do aniversário de alguém)

Há dias

em que só um palavrão bem afinfado me acalma.
Hoje é (capaz de ser) um desses dias.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Copiona, invejosa, macaca de imitação



A Hipatia fez um e eu, que sou tudo aquilo que ali no título digo, não podia ficar atrás.

E esta sou maizoumenos eu, versão turista em Paris, aquele que espero ser o meu próximo destino de viagem (já estou a treinar os oh la li, oh la la).
Daqui

Acrescento já que sou muito mais gira, fofa, deslumbrante, atraente, magnífica e magra ao vivo. Ou não.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Egipto 2009 – The Ugly: Hurgada (é a última, ufa)

À nossa pergunta, o moço da agência entendeu por bem esclarecer-nos: parece que Hurgada é a Albufeira lá do sítio, e Sharm el Sheik é mais para quem aprecia mergulho e snorkeling. Estava enganado, enganadíssimo. Albufeira, mesmo no pino do verão, é uma maravilha, quando comparada com Hurgada.

Hurgada, deixem-me dizer-vos, é uma piolheira de primeiríssima categoria. Porque é que alguém decide torrar o seu dinheirinho laboriosamente ganho, apanhar um voo de seis horas, com escala, para ir fazer férias para ali, continua a ser um mistério. A não ser que vá ao engano, como nós.

Vamos por partes.
Hotel
Aqui tenho que fazer um mea culpa, mea maxima culpa. Tratando-se de uma viagem organizada, confiei que tudo estava bem, e que cinco estrelas seria bem bom. Não era. Não pesquisei nada sobre o resort, e teria bastado uma consulta no trip advisor para ficar com dúvidas. Nota para futuros viajantes: no Egipto, cinco estrelas correspondem a umas três, nossas. O serviço era péssimo, as instalações faziam lembrar muito apart-hotel em Quarteira (há 20 anos), a frequência já lá vamos. Ficámos num bungalow t1, é certo, mas nem isso atenuou o resto. Ai.

Hóspedes
Chegámos à hora de almoço, e ainda fomos dar uma volta. Pela pinta do pessoal que lá estava, tive logo a tirada (muito mazinha, eu sei) de “olha, é para aqui que vêm agora aqueles ingleses e alemães que iam para o Algarve”. Aqueles muito pé rapado, barulhentos e com ar de bairro social e que com a miséria do rendimento mínimo deles podiam apanhar um charter para Faro e passar 15 dias ao solinho – não sei se me faço entender. Mas não, não eram. Digamos antes que se tratava de white trash, sim, mas do leste europeu. Russos e sei lá que mais, e muito alemão. Da antiga RDA, presumo. Exemplificando. Famílias e crianças obesas, com cor de camarão e ar esquizóide. Reformados (e esposas) de meia idade, acabadíssimos, e com um ar de ex-funcionário do partido, Stasi, Kgb ou coisa que o valha. Tipos novos, de sunga (todos!), corrente de ouro ao pescoço, e acompanhados de loira alta e magérrima, com ar de stripper (ou pior) e poses a condizer, (vi uma na praia de salto alto, amarelo. a sério. não estou a brincar. e vestiam-se como se fossem atacar. juro. há putas mais discretas.) Maneiras: zero. Ao pequeno almoço e jantar, mais parecia que tinham aberto as portas a uma manada de esfomeados. Manápulas em cima do pão (olha o paninho… é para segurar no paninho quando se corta…), pratos a transbordar, bocas cheias, olhos ávidos. E a comida não era caso para isso, asseguro.
Enfim. Parecia que tínhamos caído no resort preferido da máfia russa. Cruzes canhoto. Mau aspecto que doía, e eu nem sou pessoa que se enxofre muito com estas coisas que sou menina para ficar muito bem num hotelzito 3*. Menos ali. Abaixo de super luxo, nem pensar. Livrem-se.

Praia
Finalmente, o que interessa. Imagino a inveja: hã, dois dias e meio na espreguiçadeira, hã, solzinho quente, hã, areia, hã, auguinha limpa e morna, hã.
Minha rica costa oeste. A água é fria, o mar impossível, mas é limpa. Verdade: lixo na praia. Tampas de garrafa, algumas garrafas de plástico, e muitos restos de tijolo, já batidos pelo mar. Esta explica-se bem: toda aquela costa é um imenso estaleiro e mar de construção que nem no Portinho da Arrábida antes das demolições.
A praia nem era digna desse nome. A areia era amarela escura e fazia lama com água (iaca). Parecia aquela areia de construção, a que se mistura no cimento.
O mar (suspiro). Mais lá para diante é capaz de haver recifes lindos e tal, mas ali havia era uma espécie de piscina de água de mar, rodeada por rocha, à qual se acedia por um passadiço. E onde se banhavam, ruidosa e espadinhadamente, os nossos queridos co-hóspedes. Era quentinha e super salgada, depois de dez minutos senti-me como um peixe em salmoura.
E é isto. Nem a gozámos devidamente, por causa do que se relata a seguir.

Ambiente e higiene
Já vi pessoal da Quercus a ter uma apoplexia por muito menos. Como já disse, toda a costa está pejada de construção. À balda, que planeamento urbanístico, viste-lo. Agora imaginem as descargas que vão para aquele mar. Isto para quem admita existir saneamento, que eu já não digo nada.
O sentido de higiene é o habitual para um egípcio, ou seja, pouco. Sim, apanhei uma intoxicação alimentar de proporções inimagináveis. E se eu tinha cuidado com o que comia e bebia (nada de fruta nem legumes crus, água só de garrafa selada). Dois dias depois de chegar cá ainda pensava erigir um altar ao Santo Imodium, e passei os dois últimos dias lá a pão e arroz branco. Sobrevivi dez dias de Cairo e cruzeiro no Nilo (onde desconfiávamos estar a tomar banho e café com a água do dito), para ir (literalmente) morrer na praia.

Portanto, quanto a Hurgada, nevermore.
Se fizer muita questão de ter umas fériazinhas de praia (que não faço, há tanto mundo para ver), em local aprazível e paradisíaco, mais depressa me apanham no Mediterrâneo ou Caraíbas (mesmo com o inconveniente do jet lag) que por ali.

(e deixei por contar, mas conto, a seca que é aturar toda a oferta de serviços, e como somos constantemente importunados para fazer massagens / ir na excursão tal / cabeleireiro com depilação / aulas de mergulho / spa / raio que os parta. E fomos ainda, numa de national geographic, ao vilarejo mais próximo. aventura a esquecer, com tentativa de extorsão por parte do motorista de táxi e amigalhaços do bazar onde nos largou. perto daquilo, fazer compras no Martim Moniz sabe a um shopping spree na Avenue Montaigne)

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Bad - Parte 2: O que é que o Egipto (não) tem

Democracia a sério (presidente há 20 anos, portanto sem limitação de mandatos: enough said. bastava a imagem, por acaso. presidente de ray ban e em cartazes, só aqui e na América Latina), emprego e assistência social, infra-estruturas de saneamento (as baquetérias egípcias são de força, só vos digo. o meu sistema digestivo jamais será o mesmo), recolha de lixo (tanto lixo, cruzes credo), planeamento do território (um construtor civil português deve chamar àquilo o paraíso), controlo de tráfego e segurança rodoviária (não atravessem estradas com mais de duas faixas no Cairo. trust me.), educação para todos de jeito (afiançaram-nos que apesar de o ensino obrigatório ser de 12 anos, é treta, só se safa quem tem guita para frequentar escolas privadas), saúde universal e gratuita (parece que não, mas afinal se os U.S. of A. também não têm, qual é o problema?).
Portanto, como é que vamos de distribuição da riqueza gerada pelo pitróil e turismo? Mal, muito mal.
Mas ao menos temos um presidente que vela por nós, pobre povinho. Olhaide o seu ar magnânimo e benevolente. Coisa maiboa.



E esta é a moda feminina primavera-verão-outono-inverno. Praticamente não há mulheres de cabeça descoberta - para além das hospedeiras e algum pessoal de aeroporto, não me lembro de ver.
O primeiro a falar-me a multiculturalismo e relativismo cultural leva uma galheta. Só é uma opção quando existem alternativas e uma pessoa é livre para decidir num ou noutro sentido. E este é só um sinal dos tempos: o Egipto não será o país mais fundamentalista da zona, mas se isto é o exemplo do liberal, ai jasus.


Nunca vi tanto animal vadio. Gatos, principalmente, que o bom muçulmano caracteriza-se por não ser uma dog person. E o estado dos burricos e cavalos, usados (literalmente) como bestas de carga? Taditos dos bichos.
Mas para quê surpreendermo-nos? Se os direitos humanos são mal respeitados, e os direitos das mulheres são quase inexistentes, alguém vai pensar sequer nos direitos dos animais?

(não, não falo da religião. ouvir um muçulmano falar da sua religião arrepia. os olhitos lampejam, a voz toma fervor. para quê viver sem religião, muitos diziam. bom, eu não lhes ia explicar. que há quem ache que um ateu devia ser lapidado sumariamente, e eu tinha pessoas e coisas para voltar, por cá).


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Mine, mine, mine!


E, de repente, já temos programa para o fim de semana que se avizinha.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Não há condições

Se é maluco, calha-me a mim. É certinho, nunca falha. Pode ser a psicose ou esquizofrenia mais paranóide possível, ou uma leve neurose polvilhada de depressão, que é à minha secretária que vem cair ou à minha porta que vem bater. Qualquer dia elaboro um ranking, para que as minhas queridas colegas não duvidem da minha palavra: umas quadrículas à frente de cada nome, para assinalar o nome do paciente e patologia que parece evidenciar. No fim do ano falamos, e eu vou já escolhnedo o meu prémio, vale?
Tantans, pílulas, esquizóides, maníacos, senis, atrasadinhos, tarados ou simplesmente descompesados, vinde a mim, mas não me chateaides muito. É que a modos que esta cabecita também é fraquinha, fraquinha; e se me arreliaides mais que a conta qualquer dia tenho boleia para casa numa carrinha branca com risquinhas vermelhas de lado.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Da série "Isto sim é um vampiro (com estilo)"

Para que não restem dúvidas:


Nosferatu, by Murnau


Bela Lugosi, by Tod Browning


Gary Oldman, by Coppola



Christopher Lee, by Hammer




Count Dukula, by Disney



Von Count, By Jim Henson.


I rest my case.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Finalmente vi este filme


E há tantas, tantas coisas para dizer. Nenhuma delas simpática.

Me mate ainda está em estado de choque - não consegue ultrapassar o facto de os vampiros andarem na rua de dia, e serem visíveis em espelhos. Ele é old school (Bela Lugosi High, Class of 1931), nada a fazer.

Já eu fiquei maravilhada por tantos teenagers a acharem a história de amor do século, uma em que o gajo deseja - literalmente - comer a gaja. Mas resiste, se resiste. O subtexto sexual é magnífico, ou não fosse a autora mormon.

Também nos suscitou algumas ideias. Tipo uma petição online para pagarem aulas de representação à miúda, por exemplo.

Ou então, um jogo: cada vez que a chavalita começar a tremer os olhitos e a piscá-los, ou a fazer boquinhas (acho que no dicionário de representação dela isso vem assinalado como forma de transmitir sofrimento ou inquietação ou surpresa e sabe-se lá que mais emoções), bebe-se um shot de vodka. Ganha quem aguentar mais tempo. Se alguém chegar ao fim do filme de pé e acordado, é o maior, e sugere-se que não conduza: poderá estar rés-vés Campo d'Ourique do coma alcóolico. Se alguém chegar ao fim do filme sóbrio, é castigado com chibatadas, por não ter estado com atenção.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Tá bem, abelha

Cita o José Rodrigues dos Santos, na sua entrevista à Visão, um dito de sabedoria budista, segundo o qual o segredo para passar a vida sem trabalhar é fazer-se o que se gosta.

Nada a opor.

Mas tenho a acrescentar que o segredo para se fazer o que se gosta é ser-se filho de gente rica.

(tenho p'ra mim que fui trocada na maternidade e anda por aí alguém a gozar o ócio que devia ser meu)

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Bad - Parte 1 (da segurança, ou da necessidade dela)

Polícia do Turismo (a micar a turista que está a micar o polícia) com Lago Nasser em fundo.


O Egipto é um alvo terrorista. O ataque mais tristemente célebre ocorreu em 1997, em Luxor, no templo de Hatshepsut, e ali morreram 63 pessoas, 59 das quais turistas. Posteriormente, já houve mais ataques, à bomba, em Sharm el Sheik, Dahab, Cairo. Por causa do massacre de 1997, o governo egípcio reorganizou toda a segurança relativa à actividade turística: foi criada uma força especial, a Tourist Police (uniforme branco, normalmente muito encardido), e acabaram os cruzeiros entre o Cairo e Luxor (pena). Toda a actividade de turismo é fortemente vigiada e organizada, a fim de evitar outros triste eventos. Há que proteger a galinha dos ovos de prata (ei, eles têm petróleo, essa é a dos ovos de ouro. negro.), e não se poupam a esforços.

Será?

Não quero assustar ninguém, mas depois de 15 dias por lá, dezenas de monumentos visitados, dois barcos, dois hotéis, e quatro aeroportos, é mais o fogo de vista que a eficácia. A segurança nos aeroportos, principalmente os de voos domésticos, é appalling. Uso a palavrita inglesa porque é a que, não só em termos de significado mas principalmente de sonoridade, melhor descreve a coisa. Experimentem visualizar um inglês a dizê-la: tal e qual. Quem já passou por Heathrow acha aquilo tudo inacreditável, nem na Portela.

Exemplificando.
Uma das vezes deixei um cantil cheio de água na bagagem de mão. Esqueci-me completamente, que passávamos a vida a fazer e desfazer malas. Dei conta do engano quando chegámos ao destino. Sim, passou no controlo.

Outra vez foi a embalagem de protector solar que ficou na mochila. Dei por isso a tempo, mas não a ia declarar, custou-me para cima de 20 aérios. Bingo: passou. Aliás, é usual ver passageiros na sala de embarque com garrafas de água na mão. Sim, com líquido. Devem eles pensar que são todos brancos, não se explodem uns aos outros. Tá bem abelha, até ao dia.

Há detectores de metais, claro, mas os ditos passam a vida a apitar e já ninguém liga: à uma, só quem quer tira o cinto (nunca o tirei) e ninguém se descalça (eu não vi). Se houver uma mulher no pessoal, lá nos revistam (num aeroporto não havia, eu apitei, apontei para o cinto e deixaram-me avançar). Os homens são apalpados, sim senhora. Mas às vezes sem grande convicção. Às duas, os próprios guardas, armados (claro), passam a vida a passarinhar de um lado para o outro do detector. Pi, pi, pi. É a música ambiente. Inclusivamente, vi passageiros que já tinham passado a voltar ao átrio atrás do detector (isto em Hurghada). Palmas de pé.

Em todos os hotéis e barcos há detectores de metais, à entrada. Idem para os monumentos. Mas se é turista, pode apitar à vontade, que passa. Nós já fazíamos um jogo, o aposto-que-apito-mais-que-tu. Em alguns monumentos tinha que se passar a tralha (mochilas, máquinas) por uma máquina de raio X. Mas o pessoal que fazia a verificação estava num relax muito inusitado, as mais das vezes. E se a fila era muito grande, tudo passava, na boa e à confiança.

No Cairo havia ainda controlo de bomba: um canito cheirava todos os veículos e viam (às vezes viam, digo eu) a parte de baixo do veículo com um espelho, antes de baixarem os pilaretes da entrada do hotel. Menos mal.

Todos os monumentos são guardados por polícias de turismo. Ao princípio, impressiona, mas às tantas um gajo habitua-se a vê-los, de kalash debaixo do braço. Quanto mais para sul, mais guardas. E então começo a reparar no encardido das fardas, nas botas descoladas e rotas, nas atitudes fora de forma (encostadinhos à sombra, bruxo) e a pensar quanto ganhará aquela gente e qual a sua motivação para fazer um trabalho decente... mas disso também se falará noutro dia.

E depois, as caravanas. A turistada anda toda em rebanho: os barcos largam todos à vez, e sobem o rio em filinha pirilau. Para Abu Simbel, caravana guardada (por quem, não sei: só via autocarros de turismo, não dei por sermos acompanhados de escolta armada, mas vamos acreditar que lá estavam), que parte a horas certas e toda em filinha, a velocidade constante.

Às tantas, encolhe-se os ombros. Hoje em dia, não é tanto onde se vai, mas ter a sorte ou o azar de se estar no local certo ou errado à hora certa ou errada. Londres, NY, Madrid: pode acontecer em qualquer lado. Aliás em Londres e NY uma pessoa até sente mais o inquietante clima de paranóia securitária, de tal forma as forças policiais o transmitem. Sempre alertas. Mas, a acontecer alguma (lagarto, lagarto) fiava-me mais num polícia inglês, olé se fiava.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Good

(Marion Ravenwood e Indiana Jones, em Abu Simbel. Que giros, esbeltos e altos ficam eles em sombra)

- Pirâmides: quem não se sentir esmagado (metaforicamente falando, claro, mas pelo sim pelo não não se metam à frente do pessoal dos dromedários - só lhes vi uma bossa) é pessoa sem imaginação e que mais valia ficar em casa a ver postais. Emoção total para os dois totós - um deles até entrou na de Quéfren, e não foi a claustrofóbica que vos escreve.

- Museu do Cairo: esquecendo a aparente desorganização que lhe dá ar de armazém, falta de ar condicionado, e não se poder tirar fotos (nem pagando), é de truz. Podia-se lá passar um dia inteiro, mas não tínhamos tempo. O tesouro de Tutankamon, uai. Uai.

- Templos de Luxor e Karnak: não desfazendo no primeiro (e em todos os outros que vimos e não vou enumerar), o segundo até tira a respiração. A sala das colunas (hipostila) é de fazer babar. Vide item da imaginação, já focado supra.

- Vale dos Reis (das Raínhas, nem por isso, mas também não se pode entrar no melhor, de Nefertari - só com autorização especial e pela módica quantia de €5.000) e Templo de Hatshepsut. Eu já sei dizer Hatshepsut como deve ser. Treinei uma semana inteira.

- Abu Simbel: o templo mais gore, claramente bélico e com cenas bem bonitas de prisioneiros subjugados pelo grande, único, e bruto Ramsés II - que, fora isto e não desfazendo, devia ser uma jóia de faraó. Até fez um templito mais pequenito para a sua favorita (Nefertari) ali ao lado.
Esmagador.

- Vale do Nilo: pela vossa rica saúdinha, se vão ao Egipto façam o cruzeiro entre Luxor e Assuão. Estiquem-se na coberta a ver a paisagem passar, de máquina em punho, e esperem pelo pôr do sol. Lindo.

- Lago Nasser: e respectivas margens, onde visitámos vários dos chamados templos núbios, resgatados às águas da albufeira formada pela barragem de Assuão. É o maior lago artificial do mundo, e onde diz que há os famosos crocodilos (não vimos nenhum). Em compensação, é do outro mundo andar no deserto das suas margens, e o céu estrelado à noite - melhor que no planetário.

- Mercado (souk) de Assuão: se querem comprinhas, esqueçam o mercado do Cairo (Khan Al Khalili) e forneçam-se aqui. À partida os preços são mais baixos, e a oferta maior (comprei vários lenços núbios, bem giros; a joalharia núbia é linda mas bem cara e por lá ficou). Os vendedores são menos melgas que no Cairo (ou nas várias paragens ao longo do Nilo), as ruas mais largas e maior o sentimento de segurança. Fomos lá (um grupo de 8) sózinhos, à noite, e voltámos ao barco à uma da manhã. E se eu sou caguinchas, pelo que nada temam.

- O Deserto: nunca pensei que houvesse algo tão belo como o mar. Há. É que o deserto é um mar. Lindo. Um gajo perde-se horas a contemplá-lo (três horas, para ser mais exacta, que é o tempo que se leva, de camineta, de Assuão a Abu Simbel. yep, ele dormia, e eu a olhar pela janela). E andar no deserto... uma emoção.

- A companhia: tivemos a sorte do caraças de, na primeira semana de viagem, darmos com dois casais de gente muito, muito porreira, muito no nosso comprimento de onda. E - nunca pensei dizê-lo - bem mais malucos que nós. Digamos que já fizeram o mestrado, e nós estamos a acabar o secundário. Além de porem a cabeça do guia em água (é muito giro, ver um tipo a preguejar em árabe - eu juro que praguejava, que a linguagem corporal é universal), foram uma companhia impecável e divertidíssima, e ajudaram a soltar e amotinar estes dois totós com muito pouca experiência em aventuras do género.

E do bom, ainda que resumidamente, estamos conversados.
O resto, bom, o resto. Ai, o resto.
(me aguardem com paciência, que também tenho que trabalhar)

sábado, 17 de Outubro de 2009

De volta


Desculpem lá qualquer coisinha, mas agora tenho
-um monte de roupa para estender e outro monte para enfiar na máquina;
-uma volta para ir dar ao meu rico Chiado, onde os preços são fixos e não há vendedores a esvoaçar à minha volta que nem moscas varejeiras;
-saber notícias do meu país, que há coisa de uma semana que não falo com um português;
-um Ben & Jerry para me lambuzar e esquecer a put@ da intoxicação que me atirou abaixo nos dois últimos dias;
-uma quase directa para contrariar, se adormeço é o fim da picada;
- que sair, passear, sozinha de mãos nos bolsos, a apreciar o poder fazê-lo, de cabeça descoberta, livremente, sem medo de esquizóides que olham para uma mulher como uma vaca parideira ou uma utilidade doméstica.
(se ali no norte já é assim, definitivamente, ainda não estou preparada para a África subsariana. que nas arábias sauditas e quejandos nem contemplo pôr os pés).
Volto daqui a pouco, com a habitual rúbrica de viagem (isto já parece um anúncio radiofónico) The Good, the Bad and the Ugly. Cheira-me que o último item vai ter vários capítulos.
Nota final: se os pilotos da TAP querem um aumento, dêem-lhes um aumento, for f#ck's sake. Depois de seis voos seis na Egyptair, acho que eles até merecem, como bónus, uma casinha na Quinta da Marinha, com piscina, court de ténis, sauna e spa.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Até jazz

Como já ando farta e cansada do calor bolorento, húmido e doentio que por aqui faz, nada mais lógico que abalar para uma verdadeira fornalha, e por aí andar a comer pó, galgar calhaus e a cansar os pés por uma quinzena. Mas calhaus de categoria, asseguro, ou não datassem dos primórdios da civilização. A ver, antes que aquilo se desfaça em pó.

Pois diz que sim, que amanhã o abion parte pelas oito e picos, e lá pelo meio do dia já estaremos a uns milhares de quilómetros daqui. O regresso é já no outono (esperemos), e até lá, estimados leitores, desejo muita sortinha e que não votem no Santana Lopes, se faz favor. Não estou cá para ajudar a mandar o biltre de novo para o desemprego, mas tenho lá culpa que o prusidente tenha marcado isto depois de já termos o sinal pago? Falta de respeito, é o que é.

Os comentários ficam moderados, que eu nem vou ter acesso a água canalizada de confiança, quanto mais.
Se se quiserem entreter, podem-me encher os ditos com bitaites sobre o sitiozinho para onde vou, como é que arranjei mais quinze dias de férias e logo agora, e se volto com a) uma valente diarreia, b) doença de pele, c) um camadão de picadas de bichedo que nem sabia que existia, d) todas as anteriores.

Até já, e não façam nada que eu também não fizesse. (recomendação que não deixa muito espaço à imaginação, mas hey, vicky hey, amanhem-se).

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Back to the future

Para qualquer alminha que tenha vivido a sua adolescência nos anos 80, esta advinha-se uma terrível estação, em termos de moda. A não ser que se seja uma pessoa nostálgica, claro. Que eu já sangro da vista cada vez que entro numa loja e dou de caras com tanta legging (nem nos 80's as vestia, que eu sou uma pessoa com princípios, calça justa preta é que era), tacha e aplicação metálica, animal print e o mais que se lembram. Já prometi a mim mesma não voltar a entrar na zara enquanto não chegar a colecção de primavera e, ainda assim, tenho medo, muito medo. Aquilo parece os Porfírios em 1987, mas em grande. Aterrorizador.

Para o pesadelo ser completo, só falta voltarem as luvas sem dedos*. Aí, congelem-me até ao ano que vem, por favor.

(*destas usei. processem-me ;P)

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Mantra diário

Mais vale uma iminência parva que uma eminência parda.

Já vimos isto tantas vezes



Sudão. Auschwitz. Ruanda. Soweto. Dr. Mengele. Blackwater.

Basta ler jornais, ver as notícias na TV. Já sabemos, bem de mais, o mal que o homem é capaz de fazer ao homem.

Agora imaginem que se tratava de extraterrestres, literalmente caídos do céu, aparentemente indefesos, e com o aspecto grotesco de insectos gigantes. Do que seríamos capazes?

Neste filme não se vai muito além da imaginação, ou sequer da realidade do que já vimos. Ainda assim, bate bem e fundo, ver na tela o horror da segregação da crueldade.

Ficção científica em forma de documentário, filmado com um realismo assustador, e com um ritmo alucinante.

Há que tempos, p'raí desde o Apocalipse Now, que um filme não me causava insónias. E por boas razões. Kudos.


(alguém acredita que não me saem da cabeça os olhos tristes de Christopher, o alien?)

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Understatement do mês

Uma cabeleireira acabou de alterar por completo o meu paradigma capilar.



(ainda não sei bem se isto é bom ou não. aguardemos a primeira lavagem em casa, pá)

domingo, 27 de Setembro de 2009

Ken explica


"I believe choosing is a sin, so I don´t vote."
Kenneth Parcell, 30 Rock
Acontece-me hoje, e pela primeira vez desde que fui às urnas, com uns inocentes 19 anitos. Não me apetece. Não quero. Mas vou, só por teimosia. E recuso-me a escolher o mal menor.

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Must Have



E, segundo se anuncia na Amazon (que me conhece muito bem e me mandou a recomendação):

"The full book advance and all royalties will go to the UK HIV charity Terrence Higgins Trust"

Uma boa compra e uma boa acção. Tomaide, quem pensa que os ateus são um bando de hedonistas sem sentimentos.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Se os homens tivessem o período

Tinham direito a dois dias de folga por mês, sem necessidade de justificação;
O IVA sobre os pensos e tampões era de 5%, e a respectiva despesa podia ser deduzida no IRS;
A TPM dava direito a atestado médico;
Os analgésicos eram de borla;
Bocas no local de trabalho sobre o temperamento "naqueles dias" implicavam despedimento com justa causa.

E se os homens tivessem filhos, cruzes, se os homens tivessem filhos...
nem vou por aí, que não tenho tempo.

Irrita-me tanto

Ver gente inteligente, bem formada e informada, a perder toda a objectividade e sentido crítico quando a discussão versa sobre política e/ou futebol.

(a lealdade é uma coisa muito bonita, mas usar palas nos olhos é coisa própria para burros)

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Desconfio instintivamente

De pratos cujo nome leva mais tempo a dizer que a comer.

(e se tiverem uma redução, ao menos que seja no preço)

Na grafonola

Para mim há só dois tipos de metal*: o que me dá dores de cabeça, e o que não me dá dores de cabeça.
Este pertence ao último grupo.
(não é para todos os dias, mas é uma maravilha)

*esta classificação visa evitar a exposição da minha ignorância sobre os tipos de metal. por isso, poupem-me. que eu até sei (ou acho que sei) que moonspell anda ali pelo goth metal. acertei? be gentle.

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Confissões semi-embaraçosas (take 2)

Imagino a reacção da pobre alma que aqui se vem maçar ocasionalmente: “Quê, ainda há mais?”. Ui. Tantas. Faça é o favor de agradecer à dignidade que ainda me resta o facto de não revelar as piores. As mesmo, mesmo embaraçosas.

Mas esta, suspeito, é capaz de ser bem sumarenta, e susceptível de me colar o rótulo da hiper-super-mega totó.
Cá vai: não estou no feicebuque. Yep. Nem no hi5 ou, existindo outras redes sociais que desconheça (não era de admirar, ninguém me conta nada), também não ando lá.

A verdade, verdadinha, é que sou uma inapta social. Gosto de passar despercebida. Ou habituei-me, que vai dar ao mesmo. É uma estratégia de sobrevivência como outra qualquer, e é bem melhor que meter o nariz de fora e fazer uma triste figura. Acontece-me mais do que gostaria de admitir.

Admito que, como valente cusca, aquilo me suscita enorme curiosidade. Posso ser a Miss Pata na Poça, a menina que hiperventila no meio de um acontecimento social (ou muita gente junta, whatever happens first), mas adoro observar os fascinantes elementos da espécie humana nas suas interessantes vidas. Mas faço-o ao estilo Richard Attenborough: escondidinha numa moita, sem interferir, e caladinha, ainda que o sacana do crocodilo se prepare para abocanhar a querida corça bebé. Que se abro a boca, o mais provável é ir a corça, eu, e ainda passar a vergonha de sair uma fotografia minha no jornal, nua e esventrada, com o título “Parvalhona do século”.

Sim, já lá fui e fiquei longos minutos a olhar para o cursor a piscar nas caixinhas da inscrição. Ponha o seu nome aqui? Livra. É que eu, repito, gosto de passar despercebida, e se googlar o meu nome (vá, já toda a gente experimentou) só aparece gente homónima, e eu népia. E gosto disso. Gosto de ser a anónima que ninguém sabe quem é, e que se limita a postar umas baboseiras. Quem sabe, sou eu a doida varrida sentada ao vosso lado, no metro. Acho que é preferível ninguém saber. A vida é tão chata sem surpresas (e se não quiserem uma surpresa, não me tussam para cima. agradecida.).

Depois, não conheço assim tanta gente. E ainda menos gente com quem tenha perdido o contacto e que agora queira encontrar. Chiça, havia de ser bonito, antigos colegas de escola ou faculdade a reconhecerem-me as fuças e a mandar bocas. Obrigada, a bucha caixa d’óculos passada dos carretos ‘tá bem e recomenda-se. Tens nada a ver com isso. Se eu quisesse ter mantido o contacto com este pessoal, tinha mantido. Eu não perco moradas ou números de telefone com facilidade. Se foram parar ao lixo, alguém lá os pôs.

Finalmente, a vergonhaça: o meu perfil e, como amigos, só meia dúzia de pessoas mal informadas, ou personagens fictícias. Cá vai lição de vida e de borla: quem não se põe a jeito não leva chutos no traseiro. Havia de ser bonito, eu a sujeitar-me a enviar pedidos de amizade. Se a rejeição fosse uma coisa que apreciasse, tinha uma lá em casa. Obrigado, mas dispenso. E até nem levo a mal. Eu também rejeitava um pedido de amizade meu.

Se alguém tem algum comentário a fazer, nomeadamente recomendando as virtudes do feicebuque, força. Avance.
Desde já advirto que dificilmente me convertem, que a fobia social não se cura com recomendações.
E se alguma coisa resultasse, decerto o senhor doutor já me tinha receitado.

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Confissões semi-embaraçosas

Nunca vi (nem tive ou tenho curiosidade em ver) o Dirty Dancing ou o Top Gun (só bocaditos).

Só vi o Oficial e Cavalheiro com mais de vinte (saiu era eu pré adolescente) e achei o filme execrável e ultra machista.

O 9 Semanas e Meia aborreceu-me de morte, e preferia comer uma taça de vidro moído a ser tocada pelo Mickey Rourke (com a cara de então).

Nunca vi mais que uns pedacitos da Anatomia de Grey, e não percebo porque há tanta gente a gostar daquilo.

O Friends nunca me arrancou uma gargalhada ou sequer um sorriso.

Achei as últimas séries do Sexo e a Cidade de uma frivolidade e tontice aterradora (no mau sentido, que também há o bom), e o filme, então, cruzes canhoto.

Não uso stilettos (vidro moído, again), e acho que a maioria dos Manolo Blahnik e Louboutin parecem sapatos de striper.

Tirando as Gémeas e as Quatro Torres, achava e acho a maioria da literatura feminina uma pessegada.

Em contrapartida,

Sei de cor muitos trechos dos filmes do Indiana Jones, Guerra das Estrelas ou Regresso ao Futuro, sem esquecer A Vida de Brian ou o Nightmare Before Christmas.

O meu personagem masculino fetiche oscilava (ou oscila… hum.) entre o Indiana Jones e Han Solo.

Sou fanática seguidora do CSI (Las Vegas, claro), Lei e Ordem (original e spin offs) e toda e qualquer série policial bem feitinha (o que exclui o Rex, o Cão Polícia, versão portuguesa).

As minhas maiores referências (e reverências) em termos de humor vão para os Monty Python (a divindade), Woody Allen (idem aspas), Ricky Gervais (a caminhar para), Seinfeld (já lá está) e Tina Fey (é só mais um bocadinho).

A última série com que delirei foi a Galáctica (nova versão).

Li o Sandokan e O Capitão Tormenta do Salgari (e teria lido mais se a editora Romano Torres não tivesse desaparecido); e ainda hoje deliro com literatura e BD de aventuras ou fantástica.

Mais facilmente perdia a cabeça e gastava o ordenado numa peça de memorabilia (ou uma tela original) que nuns stilettos ou peça de roupa de griffe. Ou ténis. Muitos ténis.

Sei de cor várias tirinhas da Mafalda, algumas do Calvin & Hobbes, e muita trivia inútil sobre o Tintim.

Feita esta pequena resenha, percebe-se lindamente a minha dificuldade em fazer amizades dentro do meu género. (sim, sou menina, caso alguém ainda duvide).
Mas vingo-me: não as levo a dar uma voltinha na minha nave (nhã nhã nhã).
(ainda fundo um grupo de apoio. eu e dezenas de cadeiras vazias)

Acabaram-se as ideias, foi?

Ou, se calhar, o que acabou foi a vontade de ter ideias. É que, ao contrário do que muita gente pensa, essa coisa de fazer humor dá uma trabalheira danada.

Claro que falo do pugrama que mais valia chamar-se "Diz que é uma espécie de Daily Show". Com pequenas, minúsculas diferenças: não é Jon Stewart quem quer, e não temos uma equipa imbatível de argumentistas a trabalhar. O que se nota.

E inspirar-se no Daily Show não teria mal nenhum, agora colar de tal modo que até os correspondentes apresentavam tiques dos correspondentes do primeiro (a piada mandada ao Tiago Dores sobre se estava embriagado já foi feita no Daily Show, o Quintela tentou ser uma mistura entre o Lewis Black e o Oliver), significa fracasso, ao menos para quem seja fã (eu, eu, eu!) do noticiário da Comedy Central.

Cheira a preguiça, e da grande. Mas, com os salários que eles estão a facturar, e a pouca exigência que o patrão Sic anda a evidenciar, quem é que se não aproveitava? Afinal, são artistas portugueses. Com ênfase no "portugueses" (e ainda dizem mal dos funcionários públicos, que se encostam e são calões e mainãoseioquê...)

Só valeu a pena para ver o nosso José Sousa a fazer de conta que é uma pessoa normal, e não um bonequinho de ventríloquo. Ai que galhofeiro, moderno (sem gravata!) e acessível que eu sou. Ai.

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

A verdadeira teoria da conspiração


É capaz de ter qualquer coisa a ver com isto.
Já foi eleita a melhor confirmação do ano.
OK - faz-nos mais saudáveis. Mas quem é que quer morrer saudável?
(se um dia me pedirem muito, muito, muito, talvez vos revele o porquê deste meu ódio, nojo, raiva ao exercício físico em geral e aos templos onde se pratica em particular. mas aviso já: trata-se de uma temível saga pelos esconsos mais ensombrados da minha neurose. atreveis-vos a atravessar o patamar do horror?)

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Dez cartões vermelhos

A Hipatia, que é uma querida super-fofa, e conhece o meu gosto em maldizer, atirou-me este desafio que consiste em libertar as vias biliares, atribuindo cartões vermelhos (ou encarnados, para os mais finos) ao que me apeteça. Chatice foi cortar para dez. Mal dei conta já ia em doze, e toda embalada. Mázinha qu’eu sou.
Cá vai:

1- Actos de higiene pessoal fora de portas – coisas como cortar as unhas, limpar orelhas, depilar sobrancelhas, não são para ser partilhadas com mais ninguém. Porque os outros não querem saber. A sério: não querem. Você não é assim tão importante, convença-se. Trate das suas coisinhas lá em casa e não as traga para a rua. (Já agora, se gosta de tirar burriés, faça-o na solidão e sossego do lar. Na rua, as pessoas usam uma coisa chamada “lenço”. Pesquise no google. Idem aspas para demais mucos.)

2 - Falta de civismo ao volante – podia entrar em teorias da treta, como a do prolongamento fálico, ou de a máquina aumentar o sentido de poder e controlo. Mas não. Quero lá saber da causa da coisa, estacionar em cima do passeio, passadeiras, curvas e paragens de autocarro é simples falta de civismo. Idem para paragens em segunda fila (com 4 piscas, a tentar convencer que é só um bocadinho ou uma urgência. pois deve ser, deve), cortar passagem à bruta, ultrapassar à balda, e apitar à maluca., Façam psicoterapia, tomem xanax, mas controlem-se, por favor.

3 – Ostentação – Odeio gente que adora ostentar. Não falo de gente que usa ou tem coisas caras/de marca, mas sim aqueles que fazem questão que toda a gente repare na etiqueta. Pessoas que associam prestígio às marcas que usam. Pessoas que substituem o substantivo pela marca da coisa, e dizem cenas como:
“o Land Rover tem que ir à revisão”;
“comprei um Hermès para fazer pendant com os Prada”;
“tenho que por a Burberry a limpar a seco”;
“credo, deixei o iphone na Vuitton”.
Esta gente também a-do-ra largar nomes de gente conhecida e supé-bem no meio da conversa mais corriqueira. Tudo amigos, claro. Ai que eu me defino por aquilo que tenho e com quem me dou. Gente deslumbrada e pequerruchita de ideias, portanto.

4 - Contrafacção – em contrapartida, não há coisa mais deprimente que ver um/a wannabe a ostentar a imitaçãozinha do produto de marca. O Tag da Praça de Espanha, a Vuitton da feira de Cascais. Como se alguém acreditasse que são verdadeiras, quando se passeiam no braço de gajas com extensões manhosas, nails de gel pintadas com pelo menos duas cores, a mascar chiclas com ar bovino. Deves. Comprar imitações é coisa de pobrezinho, de gente que não tem mas gosta de aparentar que pode. Cruzes canhoto, invistam o dinheiro numa consulta de dentista, olhem que vai fazer mais pela vossa imagem que uma porcaria de mala de imitação.
(Além disso os produtos contrafeitos são muitas vezes fabricados por trabalhadores muito mal pagos ou em regime de escravatura; a indústria da contrafacção é uma verdadeira economia paralela, que financia grupos extremistas e terroristas. Só para saberem o que andam a financiar.)

5 - Nail art – não sei quem teve a ideia, mas devia ser amarrado ao pelourinho e açoitado, antes de o/a esquartejarem. Coisa mais bera, mais horrível, mais coisinha! E não, não é arte. Não falo da unha de gel de comprimento razoável, pintadinha de uma só cor ou à francesa. Não. Falo das unhacas de metro e meio, muitas vezes enfeitadas com várias cores em desenhos duvidosos, e por vezes (o horror), com argolinhas ou brilhantes. Aquilo serve para quê, além de vazar vistas a alguns incautos? Tenham juízo e portem-se como umas senhoras, vá.

6 - Gente porquinha – que não acredita no banho diário (pelo menos um, vá), na lavagem regular da roupinha, no desodorizante, pasta de dentes e creme para pés. Às vezes penso que se trata de gente sem sentido do olfacto. Ou então já nem dão conta. Suspiro.

7 – Caloteiros – irrita-me profundamente o pessoal que vive à custa de crédito, não paga o que deve, e ainda acha que está a fazer um enooooorme favor ao banco em pagar o guito emprestado e respectivos juros. Sim, há gente que consegue gastar três ordenados num mês: o dito, o plafond e o eventual subsídio de férias. Às vezes também vai o cartão de crédito até ao limite. E gastam em quê, comidinha que é bom e faz falta? Coisinhas para a casa? Não, compram merdas (vejam-se os pontos 3 e 4, e sim, há muita gente a dar ares de fina e que deve mundos e fundos). Merdas de que não precisam e que não podem pagar, mas ei, não vão passar pela vergonha de comprar um carro em segunda mão quando o vizinho do 3º direito tem aquele modelo novinho em folha, não é? E o plasma até estava em promoção, era crime deixar ficar. Nervos.

8 – Gajos sem sentido do ridículo – Inclui homens depilados (mais do que as costas já é esquisito), com madeixas (cabelinho à Cristiano Ronaldo), cubinhos a imitar cristal nas orelhas, bonezito à banda e mal apoiado na mona, calças a cair pelo cu abaixo e a deixar ver os boxers, de t-shirt de alças ou sem mangas, ou justas coladinhas aos músculos. No canto oposto, temos franjas ridículas e lambidas, o pull over em tons pastel sobre os ombros, calça com bainha por cima do tornozelo, bermudas de quadrados, ou calças de cor garrida (piora se forem vincadas). Os primeiros costumam acompanhar as senhoras mencionadas no ponto 5, os segundos preferem a companhia das senhoras aludidas no ponto 3. E o pior é que esta gente é a que mais se reproduz.

9 – Gente que abandona animais ou os maltrata – malvados sem coração. É claro que também me põe doente o abandono ou outros maus tratos a crianças e velhotes, mas ao menos nestes casos a lei oferece protecção. No caso dos animais, é praticamente nula a sanção destes comportamentos. Incluo aqui os animais domésticos, de companhia, selvagens (em liberdade ou circos), e criação intensiva (agropecuária ou para companhia).

10 – Pessoas que encetam um novo frasco de champô ou gel de banho quando ainda há um nico no anterior. E deixam ficar o anterior na borda da banheira durante semanas. Aqui temos um caso em que a violência doméstica é perfeitamente justificada. Se eu me desse a este tipo de práticas, reiterada e repetidamente, ficava com medo de um dia acordar com as sobrancelhas rapadas. No mínimo.

E, das minhas queridas leitoras, passo isto a quem, hein? A quem quiser! Eia! Que boazinha. Mas olha que eu sei quem vocês são, as duas gandas malucas que cá vêm.

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Agradecia uma ajudinha (se não for pedir muito)


Em virtude de uma passeata que se avizinha, vejo-me na necessidade de adquirir uns ténis todo o terreno (outdoor são todos, caneco, que eu não compro ténis para usar em casa). Ora aqui surge a dúvida na cabeça fraquinha desta que vos escreve, e que até hoje só desembolsou os seus arduamente ganhos euros para comprar ténis para fins voluptuários (isto é, giros): que marca escolher?

Por um lado temos os Timberland, giros e com um ar sólido que se farta, mas quase todos acima da fasquia da centena de pastéis de bacalhau. Por outro, os Salomon, mais em conta, mas com menos modelos para escolha. E ainda os Merrel, a cujo design sou mais sensível, e com preços que vão desde o mais caro que a Salomon até ao ainda mais caro que a Timberland (ou seja, a roçar o escândalo).

Mas, em se tratando de coisa com fins eminentemente práticos, o que interessa é saber qual a marca com melhor performance (ena, palavrinha cara) e relação qualidade-preço.

Alguém tem um saber de experiência feito que queira partilhar?
Anyone?
Please?


(antecipadamente agradecida)

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Coisas essenciais para uma vida mais feliz


sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

What a loser

Ou equipo o me-mobile com um dispositivo de localização à distância, ou passo a decorar onde raio o estaciono nos parques subterrâneos.

(só decoro a cor, as letras e númbaros varrem-se-me que é uma beleza)

Gripe, há? Ah.*

A continuar a lavar e desinfectar as mãos a este ritmo, pode ser a engane, mas de uma doença de pele não me safo.

* esta é candidata ao trocadilho fácil (e estúpido) da semana. ou do mês.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Esqueçam o Brad


Se andasse à procura de um homem que me fizesse um filho (que não ando), era este. Hans Landa, aka Christoph Waltz, o mais charmoso e poliglota vilão de que há memória. E um actor de mão cheia, caneco, que compreendeu e entrou na personagem como nunca o Brad fez.

Já agora, se alguém já tinha desistido do Tarantino (depois de um Jackie Brown desapontante, um Kill Bill morninho, e um Death Proof secante), agora é a altura de lhe dar uma nova oportunidade. Inglorious Basterds é um filme maior, com amor e paixão que transborda em cada frame. E o argumento, os diálogos, jasus. Brilhante e maduro. Realço só duas cenas: a "conversa" entre Landa e Monsieur LaPadite, logo a abrir, e a cena na tasca. Fica-se preso, com aquela sensação de que alguma coisa vai correr muito, muito mal, mas sem se saber exactamente quando nem como.
O elenco vai todo ele muito bem, e apesar do notório brilhantismo do Waltz não destoam. O Eli Roth, por exemplo, assusta só de ver (acho que é essa a finalidade), e não posso dizer o que ele é capaz de fazer com um taco de baseball porque não vi - eu, caguinchas, me confesso: fecho os olhinhos em cada cena mais puxada, e só volto a abri-los quando me mate dá o sinal.
De resto, é esquecer o rigor histórico e deixar-se ir. Vale a pena.

Achei graça a um pequeno pormenor: no final do filme houve quem não resistisse a bater palmas. A mim também me apeteceu. Mas tive vergonha de parecer parolinha, apesar de ainda achar que é caso para uma standing ovation.

Ide, ide ver.

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

É verdade, já voltei

Continuo de férias, mas por cá. Ou seja, a por em dia as bricolages (maizoumenos), as arrumações (not), e em limpezas, armada em dona de casa (not, not, not!).
Mais que da praia e de fazer nenhum, tenho saudades da minha empregada. Esta esquizofrenia de ser a patroa e empregada é uma nóia. E está calor a mais para passar a ferro.

Espero que a semana que vem me encontre mais bem dispostinha, o que vai depender muito da encomenda da amazon chegar amanhã ou não. É que, cá em casa, a já extinta greve de argumentistas fez as suas duas últimas vítimas: a última série da galactica (consumimos 40 episódios em quinze dias. há um nome para isto, não sei é se é doentes ou nerds d'um raio) está partida ao meio, e os episódios pós greve ainda não foram editados por cá. Sádicos.

Bom, até já.
(e vou tirar a seca da moderação de cometários, que me dá uma trabalheira do caraças)

sábado, 1 de Agosto de 2009

Agora é que é



As boas das férias.

Até daqui a quinze dias!

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Ensaio sobre o badagaio

Volta e meia, dá-me um.
Com sorte, ele há anos em que não calha. Na pior das hipóteses, acontecem dois. Normalmente um perto do Natal, outro no fim do ano, rés-vés às férias. Trata-se de maleita sazonal, portanto.

Quarta feira foi um desses dias. Acordei com com uma magnífica e ampla dor de cabeça. Passei a manhã enjoada. À hora de almoço, fome, népia. Bebo muita, muita água. Sinto-me febril. Transpiro. Dói-me o corpo como se um simpático vírus de gripe o tivesse escolhido como resort de férias. Tudo incluído. Começo a sentir tonturas, e das boas.

Às três da tarde desisto de tentar vencer a coisa, e rumo a casa. Não há nada que pague isto. Chego, deixo-me cair no sofá e é o crash. Adormeço, profundamente. À noite, já estou melhorzinha. No dia seguinte, já no pasa nada.

O que me intriga é o silêncio da comunidade médica e ciêntifica sobre isto. Ninguém, até hoje, se aventurou a estudar o fenómeno do badagaio. Nada. Zero.

Sim senhor que uns e outros dirão que é uma quebra por exaustão, que é normal, acontece, é descansar e pronto, já 'tá. Mas olhem que não, senhores doutores. Eu ousaria aventar que há uma epidemia (pandemia!) de badagaios, pelo menos na minha geração. Conheço vários casos.

E não, não é um faniquito de gaja (o maior mito médico de sempre). Não é TPM. É badagaio.
Se bem que, da minha observação puramente empírica ( e que aqui deixo como um alerta para frisar a importância do estudo sobre a situação) o badagaio feminino é bastante diferente do badagaio masculino.

Exemplifico: a fêmea da espécie costuma desenvolver os sintomas que já acima descrevi, aos quais se pode juntar irritação profunda e/ou uma vontadinha insuperável de chorar. A fêmea crasha, dorme, e no dia seguinte está fresquinha que nem uma alface.

As que podem, claro, que as fêmeas mães têm mais dificuldade em aplicar esta terapia, devido ao facto de o macho companheiro muitas vezes subvalorizar a situação e falsamente a diagnosticar como um faniquito. Face a tal erro crasso, não a alivia da carga de deveres maternais, com a inefável "a mamã está rezingona, a tremelicar, com um ar esquisito, mas isso são coisas de gaja, já passa, agora vá que ela vai dar o banhinho e o jantar e o papá tem muito que fazer". Isto explica que a fêmea mãe reincida muitas vezes na mesma sintomatologia, com resultados nada hilariantes.

O macho, por sua vez, quando sucumbe ao badagaio abate. Cai redondo, ou fica a uivar que se sente muito mal, chamem o 112 pelamordedeuz, e vai de charola para o hospital. Em alguns casos, pode mesmo ficar internado. Os médicos, numa atitude de notória solidariedade, catalogam a coisa como um esgotamento, exaustão profunda, e receitam-lhe trinta diazitos numa clínica de repouso. É claro que no dia seguinte já podiam estar finos, mas a verdade é que ainda passam 29 dias muito mal, a pensar que iam morrendo, ai jesus, e que esteve quase quase a ficar-se, que aquilo foi de certeza um pré-aviso de avc.

Concluo, portanto - ficando mais uma vez o disclaimer que isto parte de uma observação empírica e nada científica, mas passo o repto - de que a diferença entre o badagaio feminino e o masculino não é de intensidade, de um ser o verdadeiro badagaio e o outro uma coisita de nervos. Não. A diferença poderá residir na reacção do sujeito à maleita.
Se alguém já assistiu à devastação que uma gripe causa num indivíduo de sexo masculino, por oposição à indivídua (que mesmo com quarenta graus de febre ainda consegue fazer o seu próprio cházinho, e sem ir da cama à cozinha a gemer como se a estivessem a torturar) , sabe do que estou a falar.

Bom, espero ter contribuído para a discussão do tema, que julgo ser necessária e premente, se não mesmo urgente.
A ver lá isso, rapaziada. E raparigada.
(e não me digam que os outros assuntos que abundam nesta silly season são melhores e mais interessantes que este, que não são.)