domingo, 18 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Good

(Marion Ravenwood e Indiana Jones, em Abu Simbel. Que giros, esbeltos e altos ficam eles em sombra)

- Pirâmides: quem não se sentir esmagado (metaforicamente falando, claro, mas pelo sim pelo não não se metam à frente do pessoal dos dromedários - só lhes vi uma bossa) é pessoa sem imaginação e que mais valia ficar em casa a ver postais. Emoção total para os dois totós - um deles até entrou na de Quéfren, e não foi a claustrofóbica que vos escreve.

- Museu do Cairo: esquecendo a aparente desorganização que lhe dá ar de armazém, falta de ar condicionado, e não se poder tirar fotos (nem pagando), é de truz. Podia-se lá passar um dia inteiro, mas não tínhamos tempo. O tesouro de Tutankamon, uai. Uai.

- Templos de Luxor e Karnak: não desfazendo no primeiro (e em todos os outros que vimos e não vou enumerar), o segundo até tira a respiração. A sala das colunas (hipostila) é de fazer babar. Vide item da imaginação, já focado supra.

- Vale dos Reis (das Raínhas, nem por isso, mas também não se pode entrar no melhor, de Nefertari - só com autorização especial e pela módica quantia de €5.000) e Templo de Hatshepsut. Eu já sei dizer Hatshepsut como deve ser. Treinei uma semana inteira.

- Abu Simbel: o templo mais gore, claramente bélico e com cenas bem bonitas de prisioneiros subjugados pelo grande, único, e bruto Ramsés II - que, fora isto e não desfazendo, devia ser uma jóia de faraó. Até fez um templito mais pequenito para a sua favorita (Nefertari) ali ao lado.
Esmagador.

- Vale do Nilo: pela vossa rica saúdinha, se vão ao Egipto façam o cruzeiro entre Luxor e Assuão. Estiquem-se na coberta a ver a paisagem passar, de máquina em punho, e esperem pelo pôr do sol. Lindo.

- Lago Nasser: e respectivas margens, onde visitámos vários dos chamados templos núbios, resgatados às águas da albufeira formada pela barragem de Assuão. É o maior lago artificial do mundo, e onde diz que há os famosos crocodilos (não vimos nenhum). Em compensação, é do outro mundo andar no deserto das suas margens, e o céu estrelado à noite - melhor que no planetário.

- Mercado (souk) de Assuão: se querem comprinhas, esqueçam o mercado do Cairo (Khan Al Khalili) e forneçam-se aqui. À partida os preços são mais baixos, e a oferta maior (comprei vários lenços núbios, bem giros; a joalharia núbia é linda mas bem cara e por lá ficou). Os vendedores são menos melgas que no Cairo (ou nas várias paragens ao longo do Nilo), as ruas mais largas e maior o sentimento de segurança. Fomos lá (um grupo de 8) sózinhos, à noite, e voltámos ao barco à uma da manhã. E se eu sou caguinchas, pelo que nada temam.

- O Deserto: nunca pensei que houvesse algo tão belo como o mar. Há. É que o deserto é um mar. Lindo. Um gajo perde-se horas a contemplá-lo (três horas, para ser mais exacta, que é o tempo que se leva, de camineta, de Assuão a Abu Simbel. yep, ele dormia, e eu a olhar pela janela). E andar no deserto... uma emoção.

- A companhia: tivemos a sorte do caraças de, na primeira semana de viagem, darmos com dois casais de gente muito, muito porreira, muito no nosso comprimento de onda. E - nunca pensei dizê-lo - bem mais malucos que nós. Digamos que já fizeram o mestrado, e nós estamos a acabar o secundário. Além de porem a cabeça do guia em água (é muito giro, ver um tipo a preguejar em árabe - eu juro que praguejava, que a linguagem corporal é universal), foram uma companhia impecável e divertidíssima, e ajudaram a soltar e amotinar estes dois totós com muito pouca experiência em aventuras do género.

E do bom, ainda que resumidamente, estamos conversados.
O resto, bom, o resto. Ai, o resto.
(me aguardem com paciência, que também tenho que trabalhar)

8 a explicar:

Tuxa disse...

Como sabes, fiz mais ou menos esse roteiro há 2 anos (para nao dizer exactamente esse roteiro excluindo Abu Simbel).

E concordo com tudo o que referes como bom. A beleza crua e selvagem (=desertica) do Egipto entram na circulacao sanguinea e nunca mais saem.

Infelizmente, para mim, o bad e ugly esmagaram o bom... e reduziram-no a uma sensacao desconfortável de um sítio que podia ser absolutamente mágico e inesquecível, mas que nao o consegue.

A pobreza material, mas principalmente a pobreza espiritual chocaram-me mais do que pensei que fosse acontecer.

Enfim, já me estou a alongar. Mais vale esperar pela tua opiniao antes de continuar o meu rambling...

I. disse...

Alonga-te à vontade, que já vi que nos vamos entender... é que se na primeira semana a vontade é de voltar (ao deserto...), ao fim de quinze dias por lá regressámos a este cantinho de civilização (sim, Portugal, bizarro chamar-lhe isso, mas sabe a tanto) com muita alegria. E países árabes, nem vê-los (pelo menos por dois anos, depois quero mesmo ir à Jordânia, mas primeiro tenho que esquecer algumas das coisas que vi).

Red disse...

/inveja...

Precis Almana disse...

É destino que nunca me atraiu e as descrições continuam a não me convencer. Tem a ver com várias coisas, entre as quais saber que o calor extremo me provoca uma sensação de sufoco e antecipar essa sensação sempre que leio descrições sobre o deserto... No entanto, gosto imenso de ler descrições de viagens e de sensações, pelo que te dizia que queria que postasses acerca da viagem. Curiosamente, um dos livros que mais gostei na vida passa-se na travessia do deserto australiano...:-S

candida disse...

pois olha, eu, se pudesse, passava a vida a viajar.

Hipatia disse...

A inveja é uma coisinha muito feia, lol. Mesmo com cabrestos a mirarem o gajedo como vaca parideira, acho que o que o povo pré-fundamentalismo deixou merece o sacrifício. E o deserto também.

Só umas perguntinhas: temperaturas nesta época do ano? Destilaste ou estava tolerável?

I. disse...

Red: um dia chegará a tua vez ;)

Precis Almana: Pois para nós era uma viagem de sonho, muito sonhada. O calor de lá é seco, e bem menos aflitivo que o nosso calor húmido. Agora falta a parte pior...

Cândida: também eu :D

I. disse...

Hipatia:merece bem o sacrifício, e ainda outros que depois contarei :D
A panhámos temperaturas que oscilariam entre os 25 graus à noite no Cairo, e os 30/35 de dia. O Cairo é muito poluído, pelo que o calor é mais desagradável.
De Luxor para baixo (ou alto, que para eles é o médio e alto Egipto) é mais quente, e arrisco que estariam uns 40 graus, de dia, em Assuão ou Abu Simbel. O calor é suportável, estranhamente. O clima é seco, e não me aflige tanto como o calor húmido. O pior calor sofremo-lo no Vale dos Reis, que aquilo é uma chapada de sol e já o visitámos depois das dez.
Tivemos os cuidados habituais: beber água regularmente, mesmo quando não se tem sede, para não desidratar (cantis), protector solar forte, roupa de algodão ou linho (meias mangas e perninhas tapadas, que eu escaldo facilmente), e chapéu. O leque também me soube muito bem.
Nos barcos há o ventinho da deslocação, e é bem agradável :)
O que nos custou mais foi o raio do ar condicionado: sempre no máximo, em hotéis e autocarros. Tive frio, por vezes!
Na nossa primavera e outono aguenta-se, mas em agosto ouvi dizer que se chega a apanhar 50 graus no alto Egipto - forno!