quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Depois deste post já ninguém acredita que eu até nem sou (muito) má pessoa

Nunca tive uma amiga de jeito. Amiga gaja, daquelas companheiras do nosso coração, que riem e choram connosco, consoante pedisse a ocasião. Uma amiga que me respeitasse por quem sou e, claro, que me aceitasse assim mesmo, taliqualinha, sem merdas. Até podia não me entender (põe-te na fila), mas que ao menos tentasse, com vontade; e, não conseguindo, não me julgasse, catalogasse, colasse a etiqueta na testa e encostasse à parede, junto das outras esquisitas.

Verdadinha, juro, nunca tive uma amiga que prestasse. Já tive (e tenho, acho eu) amigas, claro, mas coisitas leves, de ocasião, sem chatices que eu não estou para isso, ai que maçada a tua vida, adeus até à próxima que tenho um tacho ao lume. Destas, já tive muitas. Simulacros de amigas, para quem fui ombrinho a jeito, e que bem encharcado mo deixaram, tantas vezes. Depois, em precisando, viste-las, eu também não.

Já tive (e se calhar ainda tenho, olha a surpresa) amigas que já passaram meses sem saberem de mim, mal disfarçando o espanto quando sabiam as novidades, ai sim, aconteceu-te, tchi, nem me digas, e nem por isso lamentavam não ter estado lá. E depois estranham, estranham muito, que eu também não apareça, não queira saber, não esteja lá. Recriminam-mo, até; cobram-me telefonemas que também não fizeram, afectos que não dispensaram, atenção que não me votaram.

Também tive (e acho que já não tenho) amigas condicionais, que só estão lá se, se eu me comportar, se eu encaixar, se eu não disser o que não querem ouvir, mesmo que eu tenha ouvido antes tudo o que quiseram dizer. Que me atiraram toda a loiça suja à cara mas se indignaram com os pingos que enxotei na sua direcção, me desrespeitaram e se sentiram muito com a resposta. Que conseguem, querendo, ser muito cabras, obtusas, espetar o estilete, rodá-lo e arrancá-lo à bruta, e ainda dizer bem feita, que estavas a pedi-las.

Há dias em que tenho pena, noutros nem tanto; mas a verdade é que (Freud explicaria, mas não está aqui à mão) não consigo já sentir com elas (mulheres) grande empatia mas sim grande desconforto. Uma pessoa é olhada como bicho quase toda vida, e acaba a comportar-se como tal.
A gente habitua-se, sim senhora, mas nem por isso se conforma.

(está quase a fazer um ano que, pela primeira vez na minha vida, me "esqueci" propositadamente do aniversário de alguém)

3 a explicar:

Piloto Automatico disse...

...assim de repente, acho que as tuas amigas (aquelas de que te desprendes agora, mas que de certeza tens, que são tuas amigas, que se sentem tuas amigas, mesmo sem saberem de ti, mas que -go figure- não são amigas como tu imaginas que pudessem ser), poderiam ficar melindradas com este post, ou não?
Por outro lado, tão profunda introspecção em torno dos meandros das (tuas) amizades merece seguramente que se te dê algum crédito, afinal, pensaste nestas coisas todas!
Pergunta-te, qual é mais fácil: Esquecer o aniversário ou esquecer a pessoa? e no caso de esqueceres apenas o aniversário, qual te provoca mais indiferença: Que a pessoa note ou que nem repare que te esqueceste?
O Freud não sei, mas o piloto sugere-te leitura da moda: Gestão de conflitos e inteligência emocional (procura na net ou no VC)
Bom fim de semana
Bjs
F
PS: Definitivamente tenho que dar mais atenção a este teu blog...

Fabulosa disse...

ahaha! depois deste post passaste a ser a minha (muito) má pessoa favorita! que tal? ;)

p.s.: nem todos temos de viver a amizade da mesma maneira. graças aos deuses, das várias religiões, e à democracia (nos países em que há), que a vida tem várias cores e cada um pode escolher a que lhe fica melhor! =)

I. disse...

Piloto:
Está a fazer um ano que eu, de telefone na mão, me interrogava: ligo? não ligo? não liguei. cansei-me de fazer figura de ursa, uma vez que já havia dois aniversários meus que não eram lembrados. e, antes disso, tantos, mas tantos. e eu nunca me esquecia.

À tua pergunta: ficariam ofendidíssimas. e iam-mo cobrar, tipo, depois de tuuudo o que fiz por ti e tal. e por saber que é esse o rumo das conversas, é que elas já não existem, as conversas. Smile and wave, smile and wave. Não vale a pena, a sério, e isto foi só uma confirmação de ruptura, pelo menos da minha parte. Da outra parte já se acumulavam, por demais, os achincalhos e descasos - o último foi mesmo muito feio.

(eu não tenho, não tenho mesmo, grandes, grandes amigas. se calhar preciso mesmo de ler esse livro, que IE é coisa que não abunda por aqui, lol)

Fabulosa:
eu sou a má pessoa do momento, lol. eu acho que até nem exijo muito, a sério. mas nunca seria capaz de fazer algumas das coisas que algumas "amigas" já me fizeram. e eu esquecia, pensando que elas eram mesmo assim e tal. a determinado ponto as ausências (ou a sua cumulação) pesam mais, penso eu de que.