sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Bad - Parte 2: O que é que o Egipto (não) tem

Democracia a sério (presidente há 20 anos, portanto sem limitação de mandatos: enough said. bastava a imagem, por acaso. presidente de ray ban e em cartazes, só aqui e na América Latina), emprego e assistência social, infra-estruturas de saneamento (as baquetérias egípcias são de força, só vos digo. o meu sistema digestivo jamais será o mesmo), recolha de lixo (tanto lixo, cruzes credo), planeamento do território (um construtor civil português deve chamar àquilo o paraíso), controlo de tráfego e segurança rodoviária (não atravessem estradas com mais de duas faixas no Cairo. trust me.), educação para todos de jeito (afiançaram-nos que apesar de o ensino obrigatório ser de 12 anos, é treta, só se safa quem tem guita para frequentar escolas privadas), saúde universal e gratuita (parece que não, mas afinal se os U.S. of A. também não têm, qual é o problema?).
Portanto, como é que vamos de distribuição da riqueza gerada pelo pitróil e turismo? Mal, muito mal.
Mas ao menos temos um presidente que vela por nós, pobre povinho. Olhaide o seu ar magnânimo e benevolente. Coisa maiboa.



E esta é a moda feminina primavera-verão-outono-inverno. Praticamente não há mulheres de cabeça descoberta - para além das hospedeiras e algum pessoal de aeroporto, não me lembro de ver.
O primeiro a falar-me a multiculturalismo e relativismo cultural leva uma galheta. Só é uma opção quando existem alternativas e uma pessoa é livre para decidir num ou noutro sentido. E este é só um sinal dos tempos: o Egipto não será o país mais fundamentalista da zona, mas se isto é o exemplo do liberal, ai jasus.


Nunca vi tanto animal vadio. Gatos, principalmente, que o bom muçulmano caracteriza-se por não ser uma dog person. E o estado dos burricos e cavalos, usados (literalmente) como bestas de carga? Taditos dos bichos.
Mas para quê surpreendermo-nos? Se os direitos humanos são mal respeitados, e os direitos das mulheres são quase inexistentes, alguém vai pensar sequer nos direitos dos animais?

(não, não falo da religião. ouvir um muçulmano falar da sua religião arrepia. os olhitos lampejam, a voz toma fervor. para quê viver sem religião, muitos diziam. bom, eu não lhes ia explicar. que há quem ache que um ateu devia ser lapidado sumariamente, e eu tinha pessoas e coisas para voltar, por cá).


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Mine, mine, mine!


E, de repente, já temos programa para o fim de semana que se avizinha.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Não há condições

Se é maluco, calha-me a mim. É certinho, nunca falha. Pode ser a psicose ou esquizofrenia mais paranóide possível, ou uma leve neurose polvilhada de depressão, que é à minha secretária que vem cair ou à minha porta que vem bater. Qualquer dia elaboro um ranking, para que as minhas queridas colegas não duvidem da minha palavra: umas quadrículas à frente de cada nome, para assinalar o nome do paciente e patologia que parece evidenciar. No fim do ano falamos, e eu vou já escolhnedo o meu prémio, vale?
Tantans, pílulas, esquizóides, maníacos, senis, atrasadinhos, tarados ou simplesmente descompesados, vinde a mim, mas não me chateaides muito. É que a modos que esta cabecita também é fraquinha, fraquinha; e se me arreliaides mais que a conta qualquer dia tenho boleia para casa numa carrinha branca com risquinhas vermelhas de lado.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Da série "Isto sim é um vampiro (com estilo)"

Para que não restem dúvidas:


Nosferatu, by Murnau


Bela Lugosi, by Tod Browning


Gary Oldman, by Coppola



Christopher Lee, by Hammer




Count Dukula, by Disney



Von Count, By Jim Henson.


I rest my case.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Finalmente vi este filme


E há tantas, tantas coisas para dizer. Nenhuma delas simpática.

Me mate ainda está em estado de choque - não consegue ultrapassar o facto de os vampiros andarem na rua de dia, e serem visíveis em espelhos. Ele é old school (Bela Lugosi High, Class of 1931), nada a fazer.

Já eu fiquei maravilhada por tantos teenagers a acharem a história de amor do século, uma em que o gajo deseja - literalmente - comer a gaja. Mas resiste, se resiste. O subtexto sexual é magnífico, ou não fosse a autora mormon.

Também nos suscitou algumas ideias. Tipo uma petição online para pagarem aulas de representação à miúda, por exemplo.

Ou então, um jogo: cada vez que a chavalita começar a tremer os olhitos e a piscá-los, ou a fazer boquinhas (acho que no dicionário de representação dela isso vem assinalado como forma de transmitir sofrimento ou inquietação ou surpresa e sabe-se lá que mais emoções), bebe-se um shot de vodka. Ganha quem aguentar mais tempo. Se alguém chegar ao fim do filme de pé e acordado, é o maior, e sugere-se que não conduza: poderá estar rés-vés Campo d'Ourique do coma alcóolico. Se alguém chegar ao fim do filme sóbrio, é castigado com chibatadas, por não ter estado com atenção.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Tá bem, abelha

Cita o José Rodrigues dos Santos, na sua entrevista à Visão, um dito de sabedoria budista, segundo o qual o segredo para passar a vida sem trabalhar é fazer-se o que se gosta.

Nada a opor.

Mas tenho a acrescentar que o segredo para se fazer o que se gosta é ser-se filho de gente rica.

(tenho p'ra mim que fui trocada na maternidade e anda por aí alguém a gozar o ócio que devia ser meu)

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Bad - Parte 1 (da segurança, ou da necessidade dela)

Polícia do Turismo (a micar a turista que está a micar o polícia) com Lago Nasser em fundo.


O Egipto é um alvo terrorista. O ataque mais tristemente célebre ocorreu em 1997, em Luxor, no templo de Hatshepsut, e ali morreram 63 pessoas, 59 das quais turistas. Posteriormente, já houve mais ataques, à bomba, em Sharm el Sheik, Dahab, Cairo. Por causa do massacre de 1997, o governo egípcio reorganizou toda a segurança relativa à actividade turística: foi criada uma força especial, a Tourist Police (uniforme branco, normalmente muito encardido), e acabaram os cruzeiros entre o Cairo e Luxor (pena). Toda a actividade de turismo é fortemente vigiada e organizada, a fim de evitar outros triste eventos. Há que proteger a galinha dos ovos de prata (ei, eles têm petróleo, essa é a dos ovos de ouro. negro.), e não se poupam a esforços.

Será?

Não quero assustar ninguém, mas depois de 15 dias por lá, dezenas de monumentos visitados, dois barcos, dois hotéis, e quatro aeroportos, é mais o fogo de vista que a eficácia. A segurança nos aeroportos, principalmente os de voos domésticos, é appalling. Uso a palavrita inglesa porque é a que, não só em termos de significado mas principalmente de sonoridade, melhor descreve a coisa. Experimentem visualizar um inglês a dizê-la: tal e qual. Quem já passou por Heathrow acha aquilo tudo inacreditável, nem na Portela.

Exemplificando.
Uma das vezes deixei um cantil cheio de água na bagagem de mão. Esqueci-me completamente, que passávamos a vida a fazer e desfazer malas. Dei conta do engano quando chegámos ao destino. Sim, passou no controlo.

Outra vez foi a embalagem de protector solar que ficou na mochila. Dei por isso a tempo, mas não a ia declarar, custou-me para cima de 20 aérios. Bingo: passou. Aliás, é usual ver passageiros na sala de embarque com garrafas de água na mão. Sim, com líquido. Devem eles pensar que são todos brancos, não se explodem uns aos outros. Tá bem abelha, até ao dia.

Há detectores de metais, claro, mas os ditos passam a vida a apitar e já ninguém liga: à uma, só quem quer tira o cinto (nunca o tirei) e ninguém se descalça (eu não vi). Se houver uma mulher no pessoal, lá nos revistam (num aeroporto não havia, eu apitei, apontei para o cinto e deixaram-me avançar). Os homens são apalpados, sim senhora. Mas às vezes sem grande convicção. Às duas, os próprios guardas, armados (claro), passam a vida a passarinhar de um lado para o outro do detector. Pi, pi, pi. É a música ambiente. Inclusivamente, vi passageiros que já tinham passado a voltar ao átrio atrás do detector (isto em Hurghada). Palmas de pé.

Em todos os hotéis e barcos há detectores de metais, à entrada. Idem para os monumentos. Mas se é turista, pode apitar à vontade, que passa. Nós já fazíamos um jogo, o aposto-que-apito-mais-que-tu. Em alguns monumentos tinha que se passar a tralha (mochilas, máquinas) por uma máquina de raio X. Mas o pessoal que fazia a verificação estava num relax muito inusitado, as mais das vezes. E se a fila era muito grande, tudo passava, na boa e à confiança.

No Cairo havia ainda controlo de bomba: um canito cheirava todos os veículos e viam (às vezes viam, digo eu) a parte de baixo do veículo com um espelho, antes de baixarem os pilaretes da entrada do hotel. Menos mal.

Todos os monumentos são guardados por polícias de turismo. Ao princípio, impressiona, mas às tantas um gajo habitua-se a vê-los, de kalash debaixo do braço. Quanto mais para sul, mais guardas. E então começo a reparar no encardido das fardas, nas botas descoladas e rotas, nas atitudes fora de forma (encostadinhos à sombra, bruxo) e a pensar quanto ganhará aquela gente e qual a sua motivação para fazer um trabalho decente... mas disso também se falará noutro dia.

E depois, as caravanas. A turistada anda toda em rebanho: os barcos largam todos à vez, e sobem o rio em filinha pirilau. Para Abu Simbel, caravana guardada (por quem, não sei: só via autocarros de turismo, não dei por sermos acompanhados de escolta armada, mas vamos acreditar que lá estavam), que parte a horas certas e toda em filinha, a velocidade constante.

Às tantas, encolhe-se os ombros. Hoje em dia, não é tanto onde se vai, mas ter a sorte ou o azar de se estar no local certo ou errado à hora certa ou errada. Londres, NY, Madrid: pode acontecer em qualquer lado. Aliás em Londres e NY uma pessoa até sente mais o inquietante clima de paranóia securitária, de tal forma as forças policiais o transmitem. Sempre alertas. Mas, a acontecer alguma (lagarto, lagarto) fiava-me mais num polícia inglês, olé se fiava.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Good

(Marion Ravenwood e Indiana Jones, em Abu Simbel. Que giros, esbeltos e altos ficam eles em sombra)

- Pirâmides: quem não se sentir esmagado (metaforicamente falando, claro, mas pelo sim pelo não não se metam à frente do pessoal dos dromedários - só lhes vi uma bossa) é pessoa sem imaginação e que mais valia ficar em casa a ver postais. Emoção total para os dois totós - um deles até entrou na de Quéfren, e não foi a claustrofóbica que vos escreve.

- Museu do Cairo: esquecendo a aparente desorganização que lhe dá ar de armazém, falta de ar condicionado, e não se poder tirar fotos (nem pagando), é de truz. Podia-se lá passar um dia inteiro, mas não tínhamos tempo. O tesouro de Tutankamon, uai. Uai.

- Templos de Luxor e Karnak: não desfazendo no primeiro (e em todos os outros que vimos e não vou enumerar), o segundo até tira a respiração. A sala das colunas (hipostila) é de fazer babar. Vide item da imaginação, já focado supra.

- Vale dos Reis (das Raínhas, nem por isso, mas também não se pode entrar no melhor, de Nefertari - só com autorização especial e pela módica quantia de €5.000) e Templo de Hatshepsut. Eu já sei dizer Hatshepsut como deve ser. Treinei uma semana inteira.

- Abu Simbel: o templo mais gore, claramente bélico e com cenas bem bonitas de prisioneiros subjugados pelo grande, único, e bruto Ramsés II - que, fora isto e não desfazendo, devia ser uma jóia de faraó. Até fez um templito mais pequenito para a sua favorita (Nefertari) ali ao lado.
Esmagador.

- Vale do Nilo: pela vossa rica saúdinha, se vão ao Egipto façam o cruzeiro entre Luxor e Assuão. Estiquem-se na coberta a ver a paisagem passar, de máquina em punho, e esperem pelo pôr do sol. Lindo.

- Lago Nasser: e respectivas margens, onde visitámos vários dos chamados templos núbios, resgatados às águas da albufeira formada pela barragem de Assuão. É o maior lago artificial do mundo, e onde diz que há os famosos crocodilos (não vimos nenhum). Em compensação, é do outro mundo andar no deserto das suas margens, e o céu estrelado à noite - melhor que no planetário.

- Mercado (souk) de Assuão: se querem comprinhas, esqueçam o mercado do Cairo (Khan Al Khalili) e forneçam-se aqui. À partida os preços são mais baixos, e a oferta maior (comprei vários lenços núbios, bem giros; a joalharia núbia é linda mas bem cara e por lá ficou). Os vendedores são menos melgas que no Cairo (ou nas várias paragens ao longo do Nilo), as ruas mais largas e maior o sentimento de segurança. Fomos lá (um grupo de 8) sózinhos, à noite, e voltámos ao barco à uma da manhã. E se eu sou caguinchas, pelo que nada temam.

- O Deserto: nunca pensei que houvesse algo tão belo como o mar. Há. É que o deserto é um mar. Lindo. Um gajo perde-se horas a contemplá-lo (três horas, para ser mais exacta, que é o tempo que se leva, de camineta, de Assuão a Abu Simbel. yep, ele dormia, e eu a olhar pela janela). E andar no deserto... uma emoção.

- A companhia: tivemos a sorte do caraças de, na primeira semana de viagem, darmos com dois casais de gente muito, muito porreira, muito no nosso comprimento de onda. E - nunca pensei dizê-lo - bem mais malucos que nós. Digamos que já fizeram o mestrado, e nós estamos a acabar o secundário. Além de porem a cabeça do guia em água (é muito giro, ver um tipo a preguejar em árabe - eu juro que praguejava, que a linguagem corporal é universal), foram uma companhia impecável e divertidíssima, e ajudaram a soltar e amotinar estes dois totós com muito pouca experiência em aventuras do género.

E do bom, ainda que resumidamente, estamos conversados.
O resto, bom, o resto. Ai, o resto.
(me aguardem com paciência, que também tenho que trabalhar)

sábado, 17 de Outubro de 2009

De volta


Desculpem lá qualquer coisinha, mas agora tenho
-um monte de roupa para estender e outro monte para enfiar na máquina;
-uma volta para ir dar ao meu rico Chiado, onde os preços são fixos e não há vendedores a esvoaçar à minha volta que nem moscas varejeiras;
-saber notícias do meu país, que há coisa de uma semana que não falo com um português;
-um Ben & Jerry para me lambuzar e esquecer a put@ da intoxicação que me atirou abaixo nos dois últimos dias;
-uma quase directa para contrariar, se adormeço é o fim da picada;
- que sair, passear, sozinha de mãos nos bolsos, a apreciar o poder fazê-lo, de cabeça descoberta, livremente, sem medo de esquizóides que olham para uma mulher como uma vaca parideira ou uma utilidade doméstica.
(se ali no norte já é assim, definitivamente, ainda não estou preparada para a África subsariana. que nas arábias sauditas e quejandos nem contemplo pôr os pés).
Volto daqui a pouco, com a habitual rúbrica de viagem (isto já parece um anúncio radiofónico) The Good, the Bad and the Ugly. Cheira-me que o último item vai ter vários capítulos.
Nota final: se os pilotos da TAP querem um aumento, dêem-lhes um aumento, for f#ck's sake. Depois de seis voos seis na Egyptair, acho que eles até merecem, como bónus, uma casinha na Quinta da Marinha, com piscina, court de ténis, sauna e spa.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Até jazz

Como já ando farta e cansada do calor bolorento, húmido e doentio que por aqui faz, nada mais lógico que abalar para uma verdadeira fornalha, e por aí andar a comer pó, galgar calhaus e a cansar os pés por uma quinzena. Mas calhaus de categoria, asseguro, ou não datassem dos primórdios da civilização. A ver, antes que aquilo se desfaça em pó.

Pois diz que sim, que amanhã o abion parte pelas oito e picos, e lá pelo meio do dia já estaremos a uns milhares de quilómetros daqui. O regresso é já no outono (esperemos), e até lá, estimados leitores, desejo muita sortinha e que não votem no Santana Lopes, se faz favor. Não estou cá para ajudar a mandar o biltre de novo para o desemprego, mas tenho lá culpa que o prusidente tenha marcado isto depois de já termos o sinal pago? Falta de respeito, é o que é.

Os comentários ficam moderados, que eu nem vou ter acesso a água canalizada de confiança, quanto mais.
Se se quiserem entreter, podem-me encher os ditos com bitaites sobre o sitiozinho para onde vou, como é que arranjei mais quinze dias de férias e logo agora, e se volto com a) uma valente diarreia, b) doença de pele, c) um camadão de picadas de bichedo que nem sabia que existia, d) todas as anteriores.

Até já, e não façam nada que eu também não fizesse. (recomendação que não deixa muito espaço à imaginação, mas hey, vicky hey, amanhem-se).

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Back to the future

Para qualquer alminha que tenha vivido a sua adolescência nos anos 80, esta advinha-se uma terrível estação, em termos de moda. A não ser que se seja uma pessoa nostálgica, claro. Que eu já sangro da vista cada vez que entro numa loja e dou de caras com tanta legging (nem nos 80's as vestia, que eu sou uma pessoa com princípios, calça justa preta é que era), tacha e aplicação metálica, animal print e o mais que se lembram. Já prometi a mim mesma não voltar a entrar na zara enquanto não chegar a colecção de primavera e, ainda assim, tenho medo, muito medo. Aquilo parece os Porfírios em 1987, mas em grande. Aterrorizador.

Para o pesadelo ser completo, só falta voltarem as luvas sem dedos*. Aí, congelem-me até ao ano que vem, por favor.

(*destas usei. processem-me ;P)