segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Tcham, tcham, tcham, ta na nam, ta na nam*

Montadinho ontem:


Depois ainda me admiro de me acharem um tiquinho de nada esquisita.

(*marcha imperial, claro)

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Ainda os anos 80

Ali abaixo lembrou-me a Hipatia as mitenes dos Porfírios. Claro que tinha umas - pretas, como é de ver. Chamava-lhes era "luvas sem dedos", que nisto de dar nomes às coisas o pessoal do sul é mais complicadinho que a malta do nuórte (sim, que um cabide é um cabide, uma cruzeta uma cruzeta. e nem vamos falar no aloquete, o meu preferido).


Pois tão giras como as dos Porfírios, já não há. Mas este ano, e apesar do enjoo que é a onda de revivalismo que encheu as lojas de roupinha ultra-horrorosa à la anos 80 (pá, já vesti, há 20 anos, never again!), abri uma excepção para estas mitenes, compradas no H&M.



(passar à frente e não comentar os dedos rechonchudinhos e curtinhos, S.F.F. é herança de família. já sei que não posso ser pianista, também faltava-me o ouvido musical, calha bem.)

Giras, hein?

Não sei se já disse

Adoro o outono.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Prémio nobel da barbárie

Vinha esta manhã a ouvir a TSF, a ver se ficou um bocadinho mais bem informada, e acabei por ficar só um bocadão mais enjoada. Parece que se anda a negociar um tratado internacional com vista a proibir e eliminar as minas terrestres e, alinhando com outros países fantásticos, maravilhosos e conhecidos pelo seu respeito pelos direitos humanos, os EUA também não querem assinar. Motivo: ficariam impedidos de ajudar os seus parceiros nas suas lutinhas tão relevantes. Tradução: vamos lá agora fazer uma partida dessas à nossa indústria de armamento.


Ora não sei se ainda há alguém a viver na ignorância, mas a mina terrestre é, de todas as armas usadas nesta bosta de planeta, uma das mais insidiosas e obscenas. A mina em geral mutila mais do que mata. Ele há até pessoas que, podendo usar a massa cinzenta para algo que se aproveite, decidiram dedicar-se à nobre actividade de inventar minas que - precisamente - não matam, mas aleijam. E muito. Parece que as ditas só atiram estilhaços na horizontal, pelo que adeus pernas, mas a pessoa fica ali estropiadinha. E se não morrer de hemorragia ou septicémia, sempre fica o aviso para os demais, em forma de panfleto vivo. E - esta é verdadeiramente pornográfica - há minas com forma de brinquedo. Sim, senhora. Nem é preciso explicar mais nada, pois não? É que, ainda por cima, as maiores vítimas das minas terrestres são os civis, mulheres, crianças, todos; ficam reféns de certo território, cercados por aqueles objectos invisíveis e impedidos sequer de fugir.

E quando acaba o conflito, alguém desenterra as minas? Népia. Essa agora, só o trabalho; se nem sequer têm mapas de localização das ditas, quanto mais. E pronto: durante anos, décadas, é a população civil que vai fazendo a desminagem, rebentando-se aos bocadinhos nas armadilhas plantadas por tarados e lunáticos.

Nos Estados Unidos da América não há minas, supomos. Credo, isso é coisa de selvagens. Os selvagens a quem dão uma, pronta a armadilhar e mutilar, se a guerrinha em que se empenham lhes puder trazer algum benefício.

Mas, perguntam os mais ingénuos (eu, por exemplo), os EUA não são governados por um indivíduo que podia isto e aquilo, e por tanto querer e poder até lhe deram um cheque em branco da paz? Olha, pois é. Em calhando, é o mesmo indivíduo e que ainda não encerrou Guantánamo (não sabe resolver o problema que os EUA criaram, e anda a pedinchar a outros países para lhe ficarem com os prisioneiros - nós já cá temos dois), nem ratificou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança (é verdade, a convenção tem 50 anos, consagra direitos tão básicos como o de uma jurisdição própria para menores e - surpresa! - não é aplicável nos EUA. ou seja, um menor pode ser julgado como adulto e até condenado à morte, em teoria) .

Sim senhora, o baluarte da civilização e da liberdade, terra de oportunidade e não sei mais o quê. Bra-vo.




(é o que dá pagar adiantado, é-se sempre mal servido)

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

80's party (ou maldita nostalgia)

A Hipatiazinha pediu, eu obedeço, que sou uma mecinha muito bem mandada. Sucessos dos anos 80, diz ela. Ora cá vai (sem linque, que não tive tempo, desculpa lá).

E dividido em 3 topes diferentes:

The Super Cooooool (e que ainda hoje é bom, não me lixem)

- Planet Earth - Duran Duran
esta abre, para mim, os anos 80. ouvi-a mesmo no dealbar da década, ainda na 4ª classe, e foi aqui que começou, para mim. o som, os cabelos ripados e empestados de laca, as calças largas e olhos muito maquilhados. yay.

- Girlfriend in a Coma - The Smiths
ah, a bela depressão, l'ennui, o enfado urbano. como a dupla Morrisey/Mars o souberam interpretar - até na zanga final.

- Guilty - Spandau Ballet
uai, sou diferente e tal, ver acima.

- Close to Me - The Cure
eu queria ter um cabelo como o do Robert Smith. não conseguia, seria preciso uma lata de laca cada dia.

- Saudade - Heróis do M ar
eu queria roupa do género da deles, mas o pilim não dava para mais que os Porfírios

(e ainda havia Marillion, Echo and the Bunnymen, e mais um ror deles, mas não temos tempo)

The Lame (ou eu até tenho vergonha de dizer que gostava disto, mas é popezinha muito razoável, tá?)

- Nick Kershaw - Wouldn't it be good

- Ah-a - Take on me

- Pet Shop Boys - You are Always on my Mind

- Erasure - Sometimes

- The Communards - Don't Leave Me This Way


The Horror, The Horror (os meus guilty pleasures, que vergonha)

- Meatloaf - I Would do Anything For Love (but I won't do that)

- Bonnie Tyler - Total Eclipse of the Heart

- ZZ Top - Legs

- Kate Bush - Wuthering Heights

- Dire Straits - Tunnel of Love


Nada mal, hein?
Vá, ide lá ao youtube ver isto, e depois voltaide para me chamar nomes.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Ah, o doce sabor da validação

Uma pessoa percebe que tem muitíssima razão nas opções e direcções de vida que toma quando, depois de ler num baby blog* os desabafos de uma mãe sobre seu petit (e, supõe-se, amoroso rebento), a primeira ideia que lhe passa pela ideia é diagnosticar a situação como mimalhice aguda e recomendar a aplicação de um valente chute.
Depois de ler os comentários de mais mães extremosas, parece que não, que não. Que não é nada disso.

(aqui há dias uma colega, já com descendência, dava-me uma prelecção sobre a urgência maternal e um tal de relógio biológico. respondi-lhe que ou eu tinha vindo sem, ou já tinha avariado. ela não acreditou. tadinha.)

(não estou a brincar. depois da primeira noite sem dormir por causa de um puto aos berros, afogava-o na banheira. psicose pós parto? oui, c'est moi.)

(mas gosto de crianças, gosto sim. em part time. é tão bom ser tia.)

(*claro que não deixei comentário, pá, eu ainda tenho a noção. às vezes.)

Estou que nem posso




Queres ver que na Páscoa a gente ainda se enfia num avião e vai a correr lá, a ver isto, que até estou aqui a hiperventilar desde que soube?


(cuméquié, adiamos Paris? hum, xuxu?)

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Sugestões Natalícias

O livro do Medina Carreira e uma cápsula de cianeto.

(para dar e não para receber, claro)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

'zatamente


E além disso (não sei, ouvi dizer) dá para calçar meias de pintinhas, risquinhas, bolinhas e por aí fora.

Esta foi uma estreia

Apitaram-me por não ter passado o sinal vermelho.

(um dia destes começo a andar com uma tábua com pregos ferrugentos no carro)

As explicações acumulam-se


Vínhamos há pouco a discutir no carro sobre séries de comédia. E eu, perante a indiferença dele face a uma em especial, lá retrucava"man, a Murphy Brown era espectacular. Adorava, eu cresci com aquilo. Eu queria ser a Murphy Brown."
E, de repente, a epifania. Eu queria ser a Murphy Brown. Investigar os porquês e as causas das coisas, entrevistar (e entalar) grandes líderes mundiais ou do meu país, fuçar, descobrir, investigar, saber mais e melhor.
A maioria das mulheres que conheço e com quem me relaciono (me insisto em relacionar) sonhavam ser a Carrie Bradshaw.
É verdade que hoje não sou uma Murphy Brown mas, definitivamente, estou mais perto desta (mas em bem vestida, lol) que de uma Carrie. Acho graça às Carries desta vida, isso acho, mas cansam-me tanto. Depois de pelar a demão (fininha, fininha) de tinta rosa choque glitter com que se cobrem, depois de esgotadas as conversetas superficiais sobre modas, relacionamentos e suas grandes verdades, o que fica? O que têm lido, o que têm aprendido, o que têm feito? O que pensam do que se passa, o que há por fazer? Pois.
(e vocês, quem foram os vossos modelos, hein?)

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

De caminho, é ver este filminho



Que é muito janota. Gostei muito, mesmo. Bela ficção científica, e mal se dá pelo cgi (hurra!).

E não vou mandar mais bitaites, que tenho medo de revelar o que não deveria.

Para quem acha graça a estas cenas, o realizador - Duncan Jones - é filho do David Bowie.


(só adianto que se eu tivesse que dar um curso de sensibilização a chefias sobre questões de trabalho, escolhia este filme para exibir. depois mandava-os escrever uma redacçãozinha, e dava choques eléctricos - com aquelas cenas com que martirizam o gado - a quem não tivesse atingido a mensagem. e é só.)

Tendência para a asneira



A princípio, achei graça: parecia uma excursão de repetentes mal comportados, todos vestidinhos de igual, a cantar (urrar) os mesmos slogans e cantigas que não se entendem, e a dar conta da paciência dos senhores professores, que neste caso eram os simpáticos polícias que os escoltavam. Até tirei uma fotografia, para depois mostrar a me mate. Perdi logo a vontade de rir quando me lembrei que, ao contrário do que era habitual, hoje também ia apanhar a linha azul.

Dei uma corridinha escada abaixo, que estava a chegar o metro, e entrei na última carruagem. Na ponta contrária lá estavam, umas dezenas de bósnios altíssimos e de lata de cerveja na mão, aos pulinhos e a cantar. Nervos, pá, porque é que esta gente não espera até estar na arena, er, estádio? Assim de longe não parecia haver polícia na nossa carruagem, mas não havia de ser nada.

Eis que o metro larga da estação e um latagão loiro de metro e noventa, óculos tipo ray ban e cervejola na mão começa a apagar as luzes de tecto. Eu nem sabia que tinham interruptor, calha bem, e este patifório, aqui chegado nem há umas horas já anda a sabotar o meu meio de transporte colectivo preferido. Meia carruagem às escuras, o biltre a caminhar corredor fora a apagar luzes. Os passageiros não arriscam mais que uns "então, então!", como se o neanderthal os conseguisse entender. Já quase ao pé de mim há um velhote que o intercepta, lhe toca no braço, aponta para que ele volte para trás, refila alto e bom som. O bisonte cresce para o velhote, estão peito com peito. E eu a ver aquilo a acabar muito mal, que mais ninguém se mexe, tanto homem de barba rija a bordo a fingir que não é nada com eles.

Não sei o que me deu, juro que não sei. Foi uma irritação que subiu por mim acima, um "isto não pode ser!", uma urgência que já senti noutras ocasiões - e sempre com resultados hilariantes (embora não do meu ponto de vista). Meti-me à frente do animal, entre ele e o velhote, de braços abertos, palmas abertas e para fora: "stop it, you can't do that! go back, go back now". Senti-lhe o bafo a cerveja quando, olhando para baixo me interpela, com um ar desdenhoso: "what are you gonna do about it?". Eu sabia lá o que ia fazer, ainda não tinha tido tempo para pensar nisso, ora que porra. Mas, no barulho das luzes lá lhe gritei "I'm going to call the police, you have no right to turn out the lights, go back and stop doing that!". O mamute hesita e é então que, quiçá por orgulho viril ferido, quiçá por se terem apercebido de que yes, we can, alguns homens levantam a voz, o empurram e o rufia lá segue para ao pé dos seus.

Nos Restauradores saem, voluntariamente, mais de metade dos tugas que iam na carruagem. E eu fico. Que era o que mais faltava, mostrar medo a esta gente. E sigo até à Rotunda, apesar de a polícia ter passado a palavra que, para nossa segurança, os portugueses deviam sair do combóio. Se calhar são os bósnios que pagam os impostos de onde de paga o ordenado deles, sim senhora, havia de ser bonito. Era o que faltava, em Portugal ter receio de brutamontes estrangeiros, e a minha polícia não me poder proteger. Bonito.

Umas duas horas depois a adrenalina baixou, e o raciocínio voltou. A imagem de um nariz partido veio-me à ideia. Uma cabeçada valente, parece-me que foi o mínimo que eu arrisquei.

Acho que vou fazer um seguro de danos pessoais.


(e fartei-me ouvir ralhar. me mate tem razão, apesar de ele admitir que, estando lá, se calhar fazia o mesmo. casa de tontos.)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

É que já faltou mais

Qualquer dia inauguro aqui no estaminé uma rúbrica que vou intitular "A Badocha Aconselha".
Assim género blog féchion, mas para aquelas mulheres que, mau grado se enquadrarem nos índices de massa corporal (IMC) ditos adequados, não conseguem arranjar uma porr@ de um trapo féchion que lhes caia bem.

Tipo truques para manter a auto estima em cima, locais onde se pode comprar o melhor chocolate para consolar depois de uma (frustrante) ida às compras, e dicas sobre lojas amigas da diva roliça.
E, quando necessário, também uns conselhos ao amável comerciante de trapinhos e outra parafernália destinada a vestir.

E começo já uma: que tal uma petição para começarem a fabricar meios números também em roupa? Hein? É que hoje descobri (da pior maneira, as usual) que visto o 41 da Lanidor.
(a história da minha vida: nunca me enquadro nas medidas standard, raisparta isto)

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Pode parecer que estou a bater no ceguinho




E estou mesmo.
Ide lá comprar um french tickler e divertide-vos.

Ninguém entende, ninguém liga, ninguém dá um abracinho ao ateu



Eu até nem sou de polémicas, que não sou, pelo menos aos fins de semana que é quando baixa a preguiça e se me dá a letargia. Mas quanto ao assunto fracturante e premente dos Cristos dependurados nas salas de aula, tenho que dizer de minha justiça.

Aqui a menina (decerto derivado a uma tremenda falha de carácter de seus papais) teve uma educação agnóstica. E começou logo pelo princípio, não me tendo sido dado o sacramento do baptismo. Não foi questão de papais temerem uma pneumonia, que nasci na primavera. Foi antes o quererem deixar ao meu critério a adesão a qualquer clube religioso, fosse ele qual fosse; e que, calhando, o fizesse livre, deliberada e conscientemente. O choque não foi grande, fora para a tia avó freira. Afinal já tinham casado pelo civil (sacrilégio! concubinos!), o que, ao tempo, já era escandaloso q.b. Uma vez que já estavam perdidos para a fé, também não admirava que arrastassem os filhos (que, segundo o livro de regras do clube católico, a Santa Madre Igreja, é aceitável, já que parece que os filhos pagarão até à 5ª geração os pecados da progenitura).

Em pequenita, e rodeada que estava de criancinhas mais bem educadas que eu (ou seja, que frequentavam a catequese) é natural que começasse a colocar questões, nomeadamente sobre a crença (ou falta dela) dos meus pais. Sobre a existência de Deus sempre foram muito sinceros: não sabiam. E também não se ralavam muito, na verdade. Mas, crentes que eram no contraditório, não me deixaram de informar sobre o que os outros criam. Que pensasse no assunto e formasse a minha opinião.

Claro que me explicaram quem tinha sido Jesus Cristo. Segundo a versão lá de casa, fora um homem muito bom, que pregava o amor entre os homens e a tolerância, e que tinha sido morto por espalhar estas ideias, tidas como subversivas. (uma espécie de Sócrates, portanto, mas deste só viria a ter conhecimento mais tarde, o que demonstra que se calhar alguma coisa de errado existe nas prioridades de educação). Mas ainda me esclareceram mais: para os cristãos ele seria o filho de Deus (e tinha ressuscitado), para os judeus apenas mais um profeta, e para outras pessoas apenas um homem bom.

Quando entrei para a escola primária, em 1977, na sala de aula lá estava, o homem bom, morto havia quase 2000 anos. Semi-nu, pregado numa cruz, a escorrer sangue da testa e das chagas. Bem por cima do quadro, era impossível ignorá-lo.

Aquilo incomodava-me, juro que me incomodava. Tinha seis anos e tinha que, todos os dias, ser confrontada com a imagem de um homem morto de forma especialmente perversa. Para mim, não era o filho de Deus que ali estava, mas uma vítima de tortura, ainda preso ao instrumento da sua morte. A figura não me suscitava exaltação ou gratidão pelo seu sacrifício, apenas horror e asco.

Ao fim de algum tempo claro que me habituei. Mas devo dizer que ainda hoje a imagem da cruz com Cristo lá pregado me causa asco. A exibição da dor e morte faz-me confusão, em qualquer circunstância. Nesta, parece-me uma vergonhosa exaltação do sacrifício, uma justificação do martírio, e um convite à veneração mais sabuja. Vede, vede, quem morreu por vós tristes pecadores. Que venerem a cruz, vá-se lá perceber porquê; mas ao menos tirem o homem de lá, que nervos (afinal fez coisas mais importantes que morrer, hein? tipo, concentrem-se na sua palavra, boa?).

E era escusado. Mostrem-no lá nas sedes do vosso clube, que aí mandam os membros e ateu não tem nada que mandar bitaites. Faz-me impressão à mesma, mas o problema é meu. Mas nas escolas ou em qualquer edifício público, tende paciência e recolheide lá as cruzinhas. Mesmo em hospitais, só se for nas capelas. Olh'aí, que já basta estar doente. É que (a sério, acontece) há mais gente neste mundo, e nem todos pensam como vós, maioria cristã. E que pense: o lugar do culto é nas igrejas. Ponto.

É que a tal tradição da cruz em todo o lado vem do tempo em que este ainda não era um estado laico, e até havia uma concordata a proibir os casados catolicamente de se divorciar e tudo. Já acabou, temos pena. Como (avisam-se os menos informados) também um dia deixou de ser tradição a mulher ser só esposa e mãe, um alongue do paterfamilias. Já para não falar dessa bela tradição do século passado que era a escravatura. Verdade. (e um dia, em continuando as actuais condições climatéricas, nem o bacalhau nos resta)

Olha, é evoluir. Para os que não acreditam na evolução, conformem-se.
Se são assim tão cristãos como pregam, acreditam que resignação é uma virtude, n'é? Pois pratiquem-na.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

How Fucking Romantic*

Estava aqui entretida a ouvir uma coisita quando me lembrei de lançar aos estimados leitores um repto: partilhaide, por favor, com esta vasta audiência, qual a vossa canção romântica preferida. Boas? Boas.

Melhor: indicaide o vosso top, seja ele ten ou three ( meu caso) de musiquetas que vos põem a sonhar, a lacrimejar, a suspirar pelos mais que tudo das respectivas vidas (pelos pulhas, não vale. depois logo lanço o desafio ao top das músicas dor de corno, que eu também as tenho, olaré, quem não tiver que atire a primeira pedra).

E eu atiro já as minhas preferidas:
- Papa Was a Rodeo - Magnetic Fields.
Não sei explicar, mas fico sempre com um nó na garganta quando a ouço. Não tanto pelo seu sentido literal (o meu pai não era, definitivamente, cowboy), mas pelo que significa, nesta longa e tortuosa estrada da vida (cliché alert), encontrar aquela pessoa. A nossa pessoa. Yay.

- Perfect Lovesong - The Divine Comedy
Esta é a canção de amor mai fofinha e tontinha e xuxuzinha de todas. Adoro-a.

- Eu Sei Que Vou te Amar - Vinicius de Moraes e Tom Jobim
Coisa linda, caneco.

Se entretanto me lembrar de mais, ainda digo qualquer coisa.
E vossas excelências, já a contar. Tudo, tudo, que eu quero saber, (espécie d'almas empedernidas, não vos comoveis com nada, hein, querem lá ver agora, se até eu que sou uma besta quadrada, vá lá a fazer um esforço)

*esta também é dos magnetic fields, um albunzinho chamado 69 Lovesongs. aconselha-se.

E mudemos de assunto, sim?



Daqui


Afinal, amanhã já é fim de semana.
E, como de costume, temos mais projectos que tempo, mas não há-de ser nada.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Depois deste post já ninguém acredita que eu até nem sou (muito) má pessoa

Nunca tive uma amiga de jeito. Amiga gaja, daquelas companheiras do nosso coração, que riem e choram connosco, consoante pedisse a ocasião. Uma amiga que me respeitasse por quem sou e, claro, que me aceitasse assim mesmo, taliqualinha, sem merdas. Até podia não me entender (põe-te na fila), mas que ao menos tentasse, com vontade; e, não conseguindo, não me julgasse, catalogasse, colasse a etiqueta na testa e encostasse à parede, junto das outras esquisitas.

Verdadinha, juro, nunca tive uma amiga que prestasse. Já tive (e tenho, acho eu) amigas, claro, mas coisitas leves, de ocasião, sem chatices que eu não estou para isso, ai que maçada a tua vida, adeus até à próxima que tenho um tacho ao lume. Destas, já tive muitas. Simulacros de amigas, para quem fui ombrinho a jeito, e que bem encharcado mo deixaram, tantas vezes. Depois, em precisando, viste-las, eu também não.

Já tive (e se calhar ainda tenho, olha a surpresa) amigas que já passaram meses sem saberem de mim, mal disfarçando o espanto quando sabiam as novidades, ai sim, aconteceu-te, tchi, nem me digas, e nem por isso lamentavam não ter estado lá. E depois estranham, estranham muito, que eu também não apareça, não queira saber, não esteja lá. Recriminam-mo, até; cobram-me telefonemas que também não fizeram, afectos que não dispensaram, atenção que não me votaram.

Também tive (e acho que já não tenho) amigas condicionais, que só estão lá se, se eu me comportar, se eu encaixar, se eu não disser o que não querem ouvir, mesmo que eu tenha ouvido antes tudo o que quiseram dizer. Que me atiraram toda a loiça suja à cara mas se indignaram com os pingos que enxotei na sua direcção, me desrespeitaram e se sentiram muito com a resposta. Que conseguem, querendo, ser muito cabras, obtusas, espetar o estilete, rodá-lo e arrancá-lo à bruta, e ainda dizer bem feita, que estavas a pedi-las.

Há dias em que tenho pena, noutros nem tanto; mas a verdade é que (Freud explicaria, mas não está aqui à mão) não consigo já sentir com elas (mulheres) grande empatia mas sim grande desconforto. Uma pessoa é olhada como bicho quase toda vida, e acaba a comportar-se como tal.
A gente habitua-se, sim senhora, mas nem por isso se conforma.

(está quase a fazer um ano que, pela primeira vez na minha vida, me "esqueci" propositadamente do aniversário de alguém)

Há dias

em que só um palavrão bem afinfado me acalma.
Hoje é (capaz de ser) um desses dias.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Copiona, invejosa, macaca de imitação



A Hipatia fez um e eu, que sou tudo aquilo que ali no título digo, não podia ficar atrás.

E esta sou maizoumenos eu, versão turista em Paris, aquele que espero ser o meu próximo destino de viagem (já estou a treinar os oh la li, oh la la).
Daqui

Acrescento já que sou muito mais gira, fofa, deslumbrante, atraente, magnífica e magra ao vivo. Ou não.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Egipto 2009 – The Ugly: Hurgada (é a última, ufa)

À nossa pergunta, o moço da agência entendeu por bem esclarecer-nos: parece que Hurgada é a Albufeira lá do sítio, e Sharm el Sheik é mais para quem aprecia mergulho e snorkeling. Estava enganado, enganadíssimo. Albufeira, mesmo no pino do verão, é uma maravilha, quando comparada com Hurgada.

Hurgada, deixem-me dizer-vos, é uma piolheira de primeiríssima categoria. Porque é que alguém decide torrar o seu dinheirinho laboriosamente ganho, apanhar um voo de seis horas, com escala, para ir fazer férias para ali, continua a ser um mistério. A não ser que vá ao engano, como nós.

Vamos por partes.
Hotel
Aqui tenho que fazer um mea culpa, mea maxima culpa. Tratando-se de uma viagem organizada, confiei que tudo estava bem, e que cinco estrelas seria bem bom. Não era. Não pesquisei nada sobre o resort, e teria bastado uma consulta no trip advisor para ficar com dúvidas. Nota para futuros viajantes: no Egipto, cinco estrelas correspondem a umas três, nossas. O serviço era péssimo, as instalações faziam lembrar muito apart-hotel em Quarteira (há 20 anos), a frequência já lá vamos. Ficámos num bungalow t1, é certo, mas nem isso atenuou o resto. Ai.

Hóspedes
Chegámos à hora de almoço, e ainda fomos dar uma volta. Pela pinta do pessoal que lá estava, tive logo a tirada (muito mazinha, eu sei) de “olha, é para aqui que vêm agora aqueles ingleses e alemães que iam para o Algarve”. Aqueles muito pé rapado, barulhentos e com ar de bairro social e que com a miséria do rendimento mínimo deles podiam apanhar um charter para Faro e passar 15 dias ao solinho – não sei se me faço entender. Mas não, não eram. Digamos antes que se tratava de white trash, sim, mas do leste europeu. Russos e sei lá que mais, e muito alemão. Da antiga RDA, presumo. Exemplificando. Famílias e crianças obesas, com cor de camarão e ar esquizóide. Reformados (e esposas) de meia idade, acabadíssimos, e com um ar de ex-funcionário do partido, Stasi, Kgb ou coisa que o valha. Tipos novos, de sunga (todos!), corrente de ouro ao pescoço, e acompanhados de loira alta e magérrima, com ar de stripper (ou pior) e poses a condizer, (vi uma na praia de salto alto, amarelo. a sério. não estou a brincar. e vestiam-se como se fossem atacar. juro. há putas mais discretas.) Maneiras: zero. Ao pequeno almoço e jantar, mais parecia que tinham aberto as portas a uma manada de esfomeados. Manápulas em cima do pão (olha o paninho… é para segurar no paninho quando se corta…), pratos a transbordar, bocas cheias, olhos ávidos. E a comida não era caso para isso, asseguro.
Enfim. Parecia que tínhamos caído no resort preferido da máfia russa. Cruzes canhoto. Mau aspecto que doía, e eu nem sou pessoa que se enxofre muito com estas coisas que sou menina para ficar muito bem num hotelzito 3*. Menos ali. Abaixo de super luxo, nem pensar. Livrem-se.

Praia
Finalmente, o que interessa. Imagino a inveja: hã, dois dias e meio na espreguiçadeira, hã, solzinho quente, hã, areia, hã, auguinha limpa e morna, hã.
Minha rica costa oeste. A água é fria, o mar impossível, mas é limpa. Verdade: lixo na praia. Tampas de garrafa, algumas garrafas de plástico, e muitos restos de tijolo, já batidos pelo mar. Esta explica-se bem: toda aquela costa é um imenso estaleiro e mar de construção que nem no Portinho da Arrábida antes das demolições.
A praia nem era digna desse nome. A areia era amarela escura e fazia lama com água (iaca). Parecia aquela areia de construção, a que se mistura no cimento.
O mar (suspiro). Mais lá para diante é capaz de haver recifes lindos e tal, mas ali havia era uma espécie de piscina de água de mar, rodeada por rocha, à qual se acedia por um passadiço. E onde se banhavam, ruidosa e espadinhadamente, os nossos queridos co-hóspedes. Era quentinha e super salgada, depois de dez minutos senti-me como um peixe em salmoura.
E é isto. Nem a gozámos devidamente, por causa do que se relata a seguir.

Ambiente e higiene
Já vi pessoal da Quercus a ter uma apoplexia por muito menos. Como já disse, toda a costa está pejada de construção. À balda, que planeamento urbanístico, viste-lo. Agora imaginem as descargas que vão para aquele mar. Isto para quem admita existir saneamento, que eu já não digo nada.
O sentido de higiene é o habitual para um egípcio, ou seja, pouco. Sim, apanhei uma intoxicação alimentar de proporções inimagináveis. E se eu tinha cuidado com o que comia e bebia (nada de fruta nem legumes crus, água só de garrafa selada). Dois dias depois de chegar cá ainda pensava erigir um altar ao Santo Imodium, e passei os dois últimos dias lá a pão e arroz branco. Sobrevivi dez dias de Cairo e cruzeiro no Nilo (onde desconfiávamos estar a tomar banho e café com a água do dito), para ir (literalmente) morrer na praia.

Portanto, quanto a Hurgada, nevermore.
Se fizer muita questão de ter umas fériazinhas de praia (que não faço, há tanto mundo para ver), em local aprazível e paradisíaco, mais depressa me apanham no Mediterrâneo ou Caraíbas (mesmo com o inconveniente do jet lag) que por ali.

(e deixei por contar, mas conto, a seca que é aturar toda a oferta de serviços, e como somos constantemente importunados para fazer massagens / ir na excursão tal / cabeleireiro com depilação / aulas de mergulho / spa / raio que os parta. E fomos ainda, numa de national geographic, ao vilarejo mais próximo. aventura a esquecer, com tentativa de extorsão por parte do motorista de táxi e amigalhaços do bazar onde nos largou. perto daquilo, fazer compras no Martim Moniz sabe a um shopping spree na Avenue Montaigne)