segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Ainda os anos 80
Ali abaixo lembrou-me a Hipatia as mitenes dos Porfírios. Claro que tinha umas - pretas, como é de ver. Chamava-lhes era "luvas sem dedos", que nisto de dar nomes às coisas o pessoal do sul é mais complicadinho que a malta do nuórte (sim, que um cabide é um cabide, uma cruzeta uma cruzeta. e nem vamos falar no aloquete, o meu preferido).
Pois tão giras como as dos Porfírios, já não há. Mas este ano, e apesar do enjoo que é a onda de revivalismo que encheu as lojas de roupinha ultra-horrorosa à la anos 80 (pá, já vesti, há 20 anos, never again!), abri uma excepção para estas mitenes, compradas no H&M.

(passar à frente e não comentar os dedos rechonchudinhos e curtinhos, S.F.F. é herança de família. já sei que não posso ser pianista, também faltava-me o ouvido musical, calha bem.)
Giras, hein?
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I.
à roda das
18:25
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quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Prémio nobel da barbárie
Vinha esta manhã a ouvir a TSF, a ver se ficou um bocadinho mais bem informada, e acabei por ficar só um bocadão mais enjoada. Parece que se anda a negociar um tratado internacional com vista a proibir e eliminar as minas terrestres e, alinhando com outros países fantásticos, maravilhosos e conhecidos pelo seu respeito pelos direitos humanos, os EUA também não querem assinar. Motivo: ficariam impedidos de ajudar os seus parceiros nas suas lutinhas tão relevantes. Tradução: vamos lá agora fazer uma partida dessas à nossa indústria de armamento.
Ora não sei se ainda há alguém a viver na ignorância, mas a mina terrestre é, de todas as armas usadas nesta bosta de planeta, uma das mais insidiosas e obscenas. A mina em geral mutila mais do que mata. Ele há até pessoas que, podendo usar a massa cinzenta para algo que se aproveite, decidiram dedicar-se à nobre actividade de inventar minas que - precisamente - não matam, mas aleijam. E muito. Parece que as ditas só atiram estilhaços na horizontal, pelo que adeus pernas, mas a pessoa fica ali estropiadinha. E se não morrer de hemorragia ou septicémia, sempre fica o aviso para os demais, em forma de panfleto vivo. E - esta é verdadeiramente pornográfica - há minas com forma de brinquedo. Sim, senhora. Nem é preciso explicar mais nada, pois não? É que, ainda por cima, as maiores vítimas das minas terrestres são os civis, mulheres, crianças, todos; ficam reféns de certo território, cercados por aqueles objectos invisíveis e impedidos sequer de fugir.
E quando acaba o conflito, alguém desenterra as minas? Népia. Essa agora, só o trabalho; se nem sequer têm mapas de localização das ditas, quanto mais. E pronto: durante anos, décadas, é a população civil que vai fazendo a desminagem, rebentando-se aos bocadinhos nas armadilhas plantadas por tarados e lunáticos.
Nos Estados Unidos da América não há minas, supomos. Credo, isso é coisa de selvagens. Os selvagens a quem dão uma, pronta a armadilhar e mutilar, se a guerrinha em que se empenham lhes puder trazer algum benefício.
Mas, perguntam os mais ingénuos (eu, por exemplo), os EUA não são governados por um indivíduo que podia isto e aquilo, e por tanto querer e poder até lhe deram um cheque em branco da paz? Olha, pois é. Em calhando, é o mesmo indivíduo e que ainda não encerrou Guantánamo (não sabe resolver o problema que os EUA criaram, e anda a pedinchar a outros países para lhe ficarem com os prisioneiros - nós já cá temos dois), nem ratificou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança (é verdade, a convenção tem 50 anos, consagra direitos tão básicos como o de uma jurisdição própria para menores e - surpresa! - não é aplicável nos EUA. ou seja, um menor pode ser julgado como adulto e até condenado à morte, em teoria) .
Sim senhora, o baluarte da civilização e da liberdade, terra de oportunidade e não sei mais o quê. Bra-vo.
(é o que dá pagar adiantado, é-se sempre mal servido)
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I.
à roda das
10:34
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segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
80's party (ou maldita nostalgia)
A Hipatiazinha pediu, eu obedeço, que sou uma mecinha muito bem mandada. Sucessos dos anos 80, diz ela. Ora cá vai (sem linque, que não tive tempo, desculpa lá).
E dividido em 3 topes diferentes:
The Super Cooooool (e que ainda hoje é bom, não me lixem)
- Planet Earth - Duran Duran
esta abre, para mim, os anos 80. ouvi-a mesmo no dealbar da década, ainda na 4ª classe, e foi aqui que começou, para mim. o som, os cabelos ripados e empestados de laca, as calças largas e olhos muito maquilhados. yay.
- Girlfriend in a Coma - The Smiths
ah, a bela depressão, l'ennui, o enfado urbano. como a dupla Morrisey/Mars o souberam interpretar - até na zanga final.
- Guilty - Spandau Ballet
uai, sou diferente e tal, ver acima.
- Close to Me - The Cure
eu queria ter um cabelo como o do Robert Smith. não conseguia, seria preciso uma lata de laca cada dia.
- Saudade - Heróis do M ar
eu queria roupa do género da deles, mas o pilim não dava para mais que os Porfírios
(e ainda havia Marillion, Echo and the Bunnymen, e mais um ror deles, mas não temos tempo)
The Lame (ou eu até tenho vergonha de dizer que gostava disto, mas é popezinha muito razoável, tá?)- Nick Kershaw - Wouldn't it be good
- Ah-a - Take on me
- Pet Shop Boys - You are Always on my Mind
- Erasure - Sometimes
- The Communards - Don't Leave Me This Way
The Horror, The Horror (os meus guilty pleasures, que vergonha)
- Meatloaf - I Would do Anything For Love (but I won't do that)
- Bonnie Tyler - Total Eclipse of the Heart
- ZZ Top - Legs
- Kate Bush - Wuthering Heights
- Dire Straits - Tunnel of Love
Nada mal, hein?
Vá, ide lá ao youtube ver isto, e depois voltaide para me chamar nomes.
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11:53
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sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Ah, o doce sabor da validação
Uma pessoa percebe que tem muitíssima razão nas opções e direcções de vida que toma quando, depois de ler num baby blog* os desabafos de uma mãe sobre seu petit (e, supõe-se, amoroso rebento), a primeira ideia que lhe passa pela ideia é diagnosticar a situação como mimalhice aguda e recomendar a aplicação de um valente chute.
Depois de ler os comentários de mais mães extremosas, parece que não, que não. Que não é nada disso.
(aqui há dias uma colega, já com descendência, dava-me uma prelecção sobre a urgência maternal e um tal de relógio biológico. respondi-lhe que ou eu tinha vindo sem, ou já tinha avariado. ela não acreditou. tadinha.)
(não estou a brincar. depois da primeira noite sem dormir por causa de um puto aos berros, afogava-o na banheira. psicose pós parto? oui, c'est moi.)
(mas gosto de crianças, gosto sim. em part time. é tão bom ser tia.)
(*claro que não deixei comentário, pá, eu ainda tenho a noção. às vezes.)
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18:54
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Estou que nem posso
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quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Sugestões Natalícias
O livro do Medina Carreira e uma cápsula de cianeto.
(para dar e não para receber, claro)
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15:36
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quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Esta foi uma estreia
Apitaram-me por não ter passado o sinal vermelho.
(um dia destes começo a andar com uma tábua com pregos ferrugentos no carro)
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11:41
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As explicações acumulam-se
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09:04
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segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
De caminho, é ver este filminho
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16:44
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Tendência para a asneira
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10:22
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quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
É que já faltou mais
Qualquer dia inauguro aqui no estaminé uma rúbrica que vou intitular "A Badocha Aconselha".
Assim género blog féchion, mas para aquelas mulheres que, mau grado se enquadrarem nos índices de massa corporal (IMC) ditos adequados, não conseguem arranjar uma porr@ de um trapo féchion que lhes caia bem.
Tipo truques para manter a auto estima em cima, locais onde se pode comprar o melhor chocolate para consolar depois de uma (frustrante) ida às compras, e dicas sobre lojas amigas da diva roliça.
E, quando necessário, também uns conselhos ao amável comerciante de trapinhos e outra parafernália destinada a vestir.
E começo já uma: que tal uma petição para começarem a fabricar meios números também em roupa? Hein? É que hoje descobri (da pior maneira, as usual) que visto o 41 da Lanidor.
(a história da minha vida: nunca me enquadro nas medidas standard, raisparta isto)
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à roda das
17:03
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terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Pode parecer que estou a bater no ceguinho
E estou mesmo.
Ide lá comprar um french tickler e divertide-vos.
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I.
à roda das
20:33
0
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Ninguém entende, ninguém liga, ninguém dá um abracinho ao ateu
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14:55
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
How Fucking Romantic*
Estava aqui entretida a ouvir uma coisita quando me lembrei de lançar aos estimados leitores um repto: partilhaide, por favor, com esta vasta audiência, qual a vossa canção romântica preferida. Boas? Boas.
Melhor: indicaide o vosso top, seja ele ten ou three ( meu caso) de musiquetas que vos põem a sonhar, a lacrimejar, a suspirar pelos mais que tudo das respectivas vidas (pelos pulhas, não vale. depois logo lanço o desafio ao top das músicas dor de corno, que eu também as tenho, olaré, quem não tiver que atire a primeira pedra).
E eu atiro já as minhas preferidas:
- Papa Was a Rodeo - Magnetic Fields.
Não sei explicar, mas fico sempre com um nó na garganta quando a ouço. Não tanto pelo seu sentido literal (o meu pai não era, definitivamente, cowboy), mas pelo que significa, nesta longa e tortuosa estrada da vida (cliché alert), encontrar aquela pessoa. A nossa pessoa. Yay.
- Perfect Lovesong - The Divine Comedy
Esta é a canção de amor mai fofinha e tontinha e xuxuzinha de todas. Adoro-a.
- Eu Sei Que Vou te Amar - Vinicius de Moraes e Tom Jobim
Coisa linda, caneco.
Se entretanto me lembrar de mais, ainda digo qualquer coisa.
E vossas excelências, já a contar. Tudo, tudo, que eu quero saber, (espécie d'almas empedernidas, não vos comoveis com nada, hein, querem lá ver agora, se até eu que sou uma besta quadrada, vá lá a fazer um esforço)
*esta também é dos magnetic fields, um albunzinho chamado 69 Lovesongs. aconselha-se.
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I.
à roda das
16:18
9
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E mudemos de assunto, sim?
Daqui
Afinal, amanhã já é fim de semana.
E, como de costume, temos mais projectos que tempo, mas não há-de ser nada.
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I.
à roda das
10:18
2
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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Depois deste post já ninguém acredita que eu até nem sou (muito) má pessoa
Nunca tive uma amiga de jeito. Amiga gaja, daquelas companheiras do nosso coração, que riem e choram connosco, consoante pedisse a ocasião. Uma amiga que me respeitasse por quem sou e, claro, que me aceitasse assim mesmo, taliqualinha, sem merdas. Até podia não me entender (põe-te na fila), mas que ao menos tentasse, com vontade; e, não conseguindo, não me julgasse, catalogasse, colasse a etiqueta na testa e encostasse à parede, junto das outras esquisitas.
Verdadinha, juro, nunca tive uma amiga que prestasse. Já tive (e tenho, acho eu) amigas, claro, mas coisitas leves, de ocasião, sem chatices que eu não estou para isso, ai que maçada a tua vida, adeus até à próxima que tenho um tacho ao lume. Destas, já tive muitas. Simulacros de amigas, para quem fui ombrinho a jeito, e que bem encharcado mo deixaram, tantas vezes. Depois, em precisando, viste-las, eu também não.
Já tive (e se calhar ainda tenho, olha a surpresa) amigas que já passaram meses sem saberem de mim, mal disfarçando o espanto quando sabiam as novidades, ai sim, aconteceu-te, tchi, nem me digas, e nem por isso lamentavam não ter estado lá. E depois estranham, estranham muito, que eu também não apareça, não queira saber, não esteja lá. Recriminam-mo, até; cobram-me telefonemas que também não fizeram, afectos que não dispensaram, atenção que não me votaram.
Também tive (e acho que já não tenho) amigas condicionais, que só estão lá se, se eu me comportar, se eu encaixar, se eu não disser o que não querem ouvir, mesmo que eu tenha ouvido antes tudo o que quiseram dizer. Que me atiraram toda a loiça suja à cara mas se indignaram com os pingos que enxotei na sua direcção, me desrespeitaram e se sentiram muito com a resposta. Que conseguem, querendo, ser muito cabras, obtusas, espetar o estilete, rodá-lo e arrancá-lo à bruta, e ainda dizer bem feita, que estavas a pedi-las.
Há dias em que tenho pena, noutros nem tanto; mas a verdade é que (Freud explicaria, mas não está aqui à mão) não consigo já sentir com elas (mulheres) grande empatia mas sim grande desconforto. Uma pessoa é olhada como bicho quase toda vida, e acaba a comportar-se como tal.
A gente habitua-se, sim senhora, mas nem por isso se conforma.
(está quase a fazer um ano que, pela primeira vez na minha vida, me "esqueci" propositadamente do aniversário de alguém)
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I.
à roda das
18:10
3
a explicar
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Há dias
em que só um palavrão bem afinfado me acalma.
Hoje é (capaz de ser) um desses dias.
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I.
à roda das
18:05
1 a explicar
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Copiona, invejosa, macaca de imitação
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I.
à roda das
13:57
6
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terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Egipto 2009 – The Ugly: Hurgada (é a última, ufa)
À nossa pergunta, o moço da agência entendeu por bem esclarecer-nos: parece que Hurgada é a Albufeira lá do sítio, e Sharm el Sheik é mais para quem aprecia mergulho e snorkeling. Estava enganado, enganadíssimo. Albufeira, mesmo no pino do verão, é uma maravilha, quando comparada com Hurgada.
Hurgada, deixem-me dizer-vos, é uma piolheira de primeiríssima categoria. Porque é que alguém decide torrar o seu dinheirinho laboriosamente ganho, apanhar um voo de seis horas, com escala, para ir fazer férias para ali, continua a ser um mistério. A não ser que vá ao engano, como nós.
Vamos por partes.
Hotel
Aqui tenho que fazer um mea culpa, mea maxima culpa. Tratando-se de uma viagem organizada, confiei que tudo estava bem, e que cinco estrelas seria bem bom. Não era. Não pesquisei nada sobre o resort, e teria bastado uma consulta no trip advisor para ficar com dúvidas. Nota para futuros viajantes: no Egipto, cinco estrelas correspondem a umas três, nossas. O serviço era péssimo, as instalações faziam lembrar muito apart-hotel em Quarteira (há 20 anos), a frequência já lá vamos. Ficámos num bungalow t1, é certo, mas nem isso atenuou o resto. Ai.
Hóspedes
Chegámos à hora de almoço, e ainda fomos dar uma volta. Pela pinta do pessoal que lá estava, tive logo a tirada (muito mazinha, eu sei) de “olha, é para aqui que vêm agora aqueles ingleses e alemães que iam para o Algarve”. Aqueles muito pé rapado, barulhentos e com ar de bairro social e que com a miséria do rendimento mínimo deles podiam apanhar um charter para Faro e passar 15 dias ao solinho – não sei se me faço entender. Mas não, não eram. Digamos antes que se tratava de white trash, sim, mas do leste europeu. Russos e sei lá que mais, e muito alemão. Da antiga RDA, presumo. Exemplificando. Famílias e crianças obesas, com cor de camarão e ar esquizóide. Reformados (e esposas) de meia idade, acabadíssimos, e com um ar de ex-funcionário do partido, Stasi, Kgb ou coisa que o valha. Tipos novos, de sunga (todos!), corrente de ouro ao pescoço, e acompanhados de loira alta e magérrima, com ar de stripper (ou pior) e poses a condizer, (vi uma na praia de salto alto, amarelo. a sério. não estou a brincar. e vestiam-se como se fossem atacar. juro. há putas mais discretas.) Maneiras: zero. Ao pequeno almoço e jantar, mais parecia que tinham aberto as portas a uma manada de esfomeados. Manápulas em cima do pão (olha o paninho… é para segurar no paninho quando se corta…), pratos a transbordar, bocas cheias, olhos ávidos. E a comida não era caso para isso, asseguro.
Enfim. Parecia que tínhamos caído no resort preferido da máfia russa. Cruzes canhoto. Mau aspecto que doía, e eu nem sou pessoa que se enxofre muito com estas coisas que sou menina para ficar muito bem num hotelzito 3*. Menos ali. Abaixo de super luxo, nem pensar. Livrem-se.
Praia
Finalmente, o que interessa. Imagino a inveja: hã, dois dias e meio na espreguiçadeira, hã, solzinho quente, hã, areia, hã, auguinha limpa e morna, hã.
Minha rica costa oeste. A água é fria, o mar impossível, mas é limpa. Verdade: lixo na praia. Tampas de garrafa, algumas garrafas de plástico, e muitos restos de tijolo, já batidos pelo mar. Esta explica-se bem: toda aquela costa é um imenso estaleiro e mar de construção que nem no Portinho da Arrábida antes das demolições.
A praia nem era digna desse nome. A areia era amarela escura e fazia lama com água (iaca). Parecia aquela areia de construção, a que se mistura no cimento.
O mar (suspiro). Mais lá para diante é capaz de haver recifes lindos e tal, mas ali havia era uma espécie de piscina de água de mar, rodeada por rocha, à qual se acedia por um passadiço. E onde se banhavam, ruidosa e espadinhadamente, os nossos queridos co-hóspedes. Era quentinha e super salgada, depois de dez minutos senti-me como um peixe em salmoura.
E é isto. Nem a gozámos devidamente, por causa do que se relata a seguir.
Ambiente e higiene
Já vi pessoal da Quercus a ter uma apoplexia por muito menos. Como já disse, toda a costa está pejada de construção. À balda, que planeamento urbanístico, viste-lo. Agora imaginem as descargas que vão para aquele mar. Isto para quem admita existir saneamento, que eu já não digo nada.
O sentido de higiene é o habitual para um egípcio, ou seja, pouco. Sim, apanhei uma intoxicação alimentar de proporções inimagináveis. E se eu tinha cuidado com o que comia e bebia (nada de fruta nem legumes crus, água só de garrafa selada). Dois dias depois de chegar cá ainda pensava erigir um altar ao Santo Imodium, e passei os dois últimos dias lá a pão e arroz branco. Sobrevivi dez dias de Cairo e cruzeiro no Nilo (onde desconfiávamos estar a tomar banho e café com a água do dito), para ir (literalmente) morrer na praia.
Portanto, quanto a Hurgada, nevermore.
Se fizer muita questão de ter umas fériazinhas de praia (que não faço, há tanto mundo para ver), em local aprazível e paradisíaco, mais depressa me apanham no Mediterrâneo ou Caraíbas (mesmo com o inconveniente do jet lag) que por ali.
(e deixei por contar, mas conto, a seca que é aturar toda a oferta de serviços, e como somos constantemente importunados para fazer massagens / ir na excursão tal / cabeleireiro com depilação / aulas de mergulho / spa / raio que os parta. E fomos ainda, numa de national geographic, ao vilarejo mais próximo. aventura a esquecer, com tentativa de extorsão por parte do motorista de táxi e amigalhaços do bazar onde nos largou. perto daquilo, fazer compras no Martim Moniz sabe a um shopping spree na Avenue Montaigne)
desabafado por
I.
à roda das
16:46
2
a explicar
Arquivado em: Psicoses, Psicoterapias











